O Palanque Digital e o domínio da extrema-direita.

Hoje saiu uma pesquisa eleitoral da Meio/Ideia que, além da questão eleitoral, trouxe algo esdrúxulo, que parece piada: um em cada dez eleitores acredita que Lula foi substituído por um clone. E menos de 60% dos entrevistados têm certeza de que o presidente não morreu e foi trocado por um sósia. Desgraçadamente não é uma brincadeira, uma piada de bar, é algo mais grave. O advento da internet deu vazão à idiotia local, transformando burrice em sapiência, em que tudo vira “questão de opinião (pessoal)” e séculos de estudos são dizimados por uma “opinião” — aceite que dói menos.
Aliás, tem um filme espanhol na Netflix, Os Conspiradores, que vale a pena ser visto, até para entender como esse exército de zumbis, de pequenos grupos, virou monstro na internet. Isso se dá por excesso de informações (falsas ou verdadeiras) sem fontes e que geram insegurança, incertezas e teorias da conspiração as mais paranoicas possíveis sobre todos os temas: da natureza (Terra Plana), da saúde (vacinas são para inocular chip de controle e não têm eficácia), da educação (universidades fazem mal, são antro de drogados e vagabundos, menos para os nossos filhos) e da religião (evangélico que vai doutrinar Israel para aceitar Jesus). Por que seria diferente na política?
Nicolas Ferreira tem mais credibilidade nas redes sociais do que Einstein, tenham certeza disso. Ele é fruto dessa crendice insana e conta com algo fundamental, que é o comportamento militante da extrema-direita. Ela tem um diferencial ENORME sobre a esquerda em geral e sobre os progressistas (de qualquer matiz): eles não apenas creem nas fake news, mas entendem como tarefa MILITANTE espalhar tudo, um conceito essencial das redes sociais (que nós, os iluminados, negamos): ENGAJAMENTO.
Depois nos perguntamos horrorizados por que Bolsonaro (Flávio e Jair), Nikolas Ferreira e Renan Santos têm tanta força. O óbvio ululante bate nas nossas caras e NEGAMOS! Não somos analógicos, somos arrogantes mesmo. Negamos o trabalho das redes sociais porque não nos parece nobre/militante compartilhar, levar mensagens alternativas e enfrentar esse combate nas trevas, sob a batuta das Big Techs, que se valem de uma máxima: quanto mais idiota, melhor.
Essa realidade paralela não se criou agora; é uma cultura de mais de 20 anos, de quando a internet ainda era discada e as redes sociais ainda engatinhavam (Orkut, MSN). Mas ali já tinha surgido esse novo ator: o militante de redes sociais que sabe sobre tudo e para quem tudo se resume a “na minha opinião” e “na sua visão”, pouco valendo a ciência, a história, os conhecimentos, as técnicas educacionais e os preceitos da medicina, entre outros.
Em abril de 2014, escrevi o artigo O Paciente Trabalho para Plantar o Ódio nas Redes Sociais, no qual tratava da evolução das redes e da entrada definitiva da extrema-direita no comando de uma nova era militante. Passaram-se 12 anos e meio e foi pior do que eu imaginava, mas continuamos na falácia de que “somos analógicos”. É uma espécie de negacionismo tolo que pouco contribui para o enfrentamento político, social e ideológico.
Pela urgência, fiz uma pequena recomendação nos grupos sobre como podemos ajudar no enfrentamento eleitoral, mas sem repercussão alguma, claro. Vou republicar aqui.
REDES SOCIAIS
Queridas e queridos companheiros(as), estamos diante de mais um enorme desafio e você não pode ficar de fora, ou mesmo achar que é tarefa dos outros participar ativamente da campanha.
VOCÊ É FUNDAMENTAL!
É tão simples, não custa nada. Algumas sugestões de ENGAJAMENTO, o coração das redes sociais:
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Tire apenas 15 minutos do seu dia para ajudar a campanha.
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Mas como faço se não tenho o costume e sinto vergonha ou, às vezes, medo?
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Primeiro: SEGA o maior número de perfis de nossos candidatos e candidatas, começando por @lulaoficial e @geraldoalckmin_.
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Dê um CORAÇÃO para eles em cada publicação e nos Stories.
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Caso se sinta mais encorajado(a), dê um REPOST — isso ajuda demais.
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Você vai se empolgar mais, com certeza. Então comece a seguir nossos nomes para os Governos Estaduais — tanta gente boa, sabia? Fernando Haddad, Patrus Ananias, Juliana Brizola, Leandro Grass, Elmano de Freitas, Jerônimo.
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Ah, muito importante: o Senado! Temos Simone Tebet, Marina Silva, Marília Arraes, Erika Kokay, Gleisi Hoffmann… é um luxo.
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E sim, deputadas e deputados: escolha, siga e compartilhe.
É uma declaração de amor ao Brasil e à defesa da Democracia. Não fique de fora dessa.
Rumo ao Tetra!