
A semana passada iniciou com o assombroso crescimento (artificial) de Augusto Cury. Ali se criou uma sensação de segundo turno garantido. De meu lado, objetei que foi um teste de hipótese e uso massivo de bots (quem mesmo os usou?) para frear o avanço de Lula, bem como para o uso futuro de um “voto útil” ainda no primeiro turno.
A semana avançou e teve um açodamento do ambiente político com a crise deflagrada precipitadamente pelo Ministro André Moro-Mendonça na quinta-feira, 03/09. Ele deu uma espécie de ippon no Ministro Alexandre de Moraes, primeiramente para apagar — e sumiu mesmo — a revelação de que Flávio Bolsonaro mentiu ao dizer que não recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro depois de maio de 2025. Isso criou o maior fato político das eleições, muito bem aproveitado pelo seu candidato, que cresceu na esteira da “vinculação” do governo com o ministro Xandão.
Houve uma resposta imediata nas redes e no sentimento captado em trackings e pesquisas, com um crescimento significativo de Flávio Bolsonaro, tanto no primeiro turno quanto nas projeções (ainda incertas) de segundo turno, aparecendo na frente ou em empate técnico. O que se pode objetar é que, se essa tendência se confirmar, há um risco de que a decisão aconteça já no primeiro turno. Isso não é alarmismo, apenas uma constatação do que percebi nesta semana, junto à percepção de que a direção da campanha e o próprio governo não deram respostas adequadas e eficazes.
A forma como a extrema-direita manipula bots, o exército de clones, zumbis (apoio das Big techs dos EUA) e sua base evangélica bem doutrinada pode criar o clima para liquidar a fatura e esvaziar as candidaturas “parceiras” e avulsas, chamando o voto (in)útil. Aliás, esse é um fenômeno já conhecido por nós em 2022, quando Bolsonaro colou em Lula no primeiro turno e quase venceu no segundo. Não podemos brigar com a realidade, principalmente com essa que pouco dominamos: a de um mundo virtual e líquido. Racionalmente, sabemos o quanto Flávio Bolsonaro não presta, mas o fato é que não conseguimos desconstruí-lo; ao contrário, ele avançou muitas casas.
A direção política do PT, em especial, e dos demais partidos de esquerda e democráticos que fazem parte dessa coalizão precisam reagir imediatamente. Algo não está funcionando, nem na TV, nem nas redes socias. Os eventos da campanha estão densos, mas parecem falar apenas “de nós para nós”, sem ampliar nossa densidade política. Aqui entra a questão central da campanha: qual é a construção do sonho do futuro? O que se plantou nesses quatro anos de reconstrução? Ao mesmo tempo, é preciso demonstrar a força destrutiva que está pronta para voltar ao governo.
Temos pouco mais de 20 dias — uma campanha curta, mas que pode ser corrigida. A crise do STF não pode dominar os vetores políticos da campanha. A resposta a ela passa por enfrentar o trabalho conjunto de Moro-Mendonça com Flávio Bolsonaro, bem como por reafirmar a relação institucional do governo com o STF, cada um com seu papel. Isso inclui investigar internamente suas relações, pequenas ou grandes, com o Banco Master, ressaltando que foi o trabalho do governo Lula e da PF que desbaratou o maior escândalo financeiro do Brasil.
Alerta geral: a heroica militância de esquerda, progressista e democrática está pronta para defender o Brasil e a soberania, mas precisa de comando e voz.
Rumo à vitória!