A mídia trata Lula como bandido, não perdoam a ousadia dele governar e bem.

Será mais nobre sofrer na alma
Pedradas e flechadas do destino feroz
Ou pegar em armas contra o mar de angústias –
E, combatendo-o, dar-lhe fim? (Hamlet – W. Shakespeare)
A mídia corporativa brasileira (GAFE — Globo, Associados, Folha e Estadão) é independente inclusive da verdade; seu índice de isenção beira o desespero. No período eleitoral, eles têm o salvo-conduto para mentir e tentar manipular ao seu bel-prazer. Vejamos: em quatro dias na semana passada, segundo levantamento da Revista Fórum, houve 263 matérias sobre Fábio Luís, 11 sobre Fernando Cerimedo e ZERO sobre Vorcaro/Flávio.
Parece óbvio que essa mídia — que levou 50 anos para admitir que errou sobre a ditadura de 1964 (a Folha chegou a escrever “ditabranda“) — jamais falará do seu papel nefasto na Lava Jato e no golpe contra Dilma, nem de seu papel crucial para a ascensão da família Bolsonaro, o que havia de mais baixo na política brasileira.
Hoje, os mesmos jornalistas que se associaram à Lava Jato estão na linha de frente dos ataques. Eles deram a senha quando foram para cima dos ministros, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Vale lembrar que, no nosso campo, muitos aplaudiram, como se estivéssemos em tempos normais. Da mesma forma, alimentam uma visão negativa sobre os ministros Zanin e Dino, sem esquecer que alguns fazem elogios até ao patrono do lavajatismo, Ministro Fachin, e ao “terrivelmente evangélico”, Ministro André Mendonça.
A luta é grande e complexa; uma guerra política e ideológica que se trava no mundo. É uma virada histórica desde 1989, acentuada com a crise de Wall Street em 2008. Esse evento liberou o esgoto para a subida da extrema-direita global. Jamais se pensaria em um Trump na Casa Branca, em um Bolsonaro no Palácio do Planalto ou em sujeitos abjetos como Javier Milei e Bukele.
Infelizmente, sem uma leitura completa do que é o enfrentamento, alguns pudores deveriam ser guardados, pois, do contrário, isso pode nos levar à derrota — não de Lula, mas da soberania, de uma perspectiva democrática e civilizatória. É uma quadra sombria que não nos dá o direito de errar ou de ficar “cheios de dedos”. É hora de, mais uma vez, nos unirmos aos setores que defendem as regras elementares de convivência política e institucional, porque o que está do outro lado da muralha é o caos.
Só nos resta lutar.