Crise 2.0: Espanha em Chamas – um Roteiro

 

 

Guindos e Rajoy, desastrados condutores da Crise na Espanha

Hoje resolvi rever todos os escritos desta série sobre a Crise 2.0, que trata da questão da Espanha, fiquei espantado como a coisa evoluiu de forma linear com a mesma dinâmica do que se deu em Portugal e Grécia( que acompanhei didaticamente aqui). Todos os lances de aprofundamento e piora do ambiente econômico e social. As coisas vão caindo como naquele jogo de dominó que derruba pedra a pedra.

 

O primeiro artigo em que faço referência aos PIGS,  ainda em 06 de julho de 2011, são extremamente atuais e revisam o caminho do desastre que estes países se meteram, assim escrevi: “Olhando mais profundamente percebemos claramente os indicadores que levaram as economias periféricas da zona do Euro à bancarrota:

1)      Para entrar na zona do Euro: Portugal, Espanha, Irlanda e Grécia foram “agraciadas” com generosos empréstimos. Enricaram artificialmente;

2)     Cada um ao seu modo “gastou” o dinheiro recebido sem parcimônia, Portugal e Espanha comprando empresas na América Latina, posto que não podiam comprar na Europa;

3)     Estes países tinham um desenvolvimento tecnológico muito abaixo em relação aos países centrais com baixa produtividade, e padrão salarial inferior;

4)     Padrão de vida destes países sempre foi muito inferior aos de França/Alemanha/Inglaterra, como poderiam ter moeda comum?

5)      Engenharia de Maastricht foi inflá-los artificialmente, ajuste fiscal pesado, combinado com endividamento, tudo ia “bem” até 2008;

6)     Com a explosão da crise em 2008 os bancos exigiram liquidez imediata e q a conta vem sendo cobrada agora PIGS(Portugal,Irlanda,Grécia e Espanha) Têm que pagar

7)      As explosões sociais na Espanha, Grécia, com certeza chegaram a Portugal, a conta é alta, os sacrifícios serão enormes;

 

Economias falidas

 

O reflexo deste imenso endividamento é a degola das economias mais periféricas, como Grécia, Portugal, Irlanda e mais presente Espanha. Estes países que receberam grande inversão de capitais para se adequarem à zona do Euro, hoje estão totalmente insolventes, tecnicamente falidos, vivendo da esperança de aporte da Alemanha e do FMI.

 

Abaixo, uma sequência de posts que vão demonstrando a progressiva queda espanhola, que, por mera coincidência, se acentuou coma posse de Mariano Rajoy, que venceu as eleições sem apresentar qualquer plano de governo, estes primeiros artigos são relacionados ao ambiente de crise e formação do G0verno da Direita, com viés de Extrema-Direita. Rajoy representa a ala mais conservadora, com vínculos com ordens religiosas radicais, assim como o o Rei do País, que também se situa no mesmo espectro ideológico:

 

  1. Crise 2.0:Um fantasma ronda a Europa: Dissolução do Euro?
  2. Crise 2.0: A queda da Zona do Euro
  3. Crise 2.0: Direita, Volver!!
  4. Crise 2.0:”ambiciosas e surpreendentes”
  5. Crise 2.0: Privatizadores, agora privatizados
  6. Crise 2.0: Uma realeza decadente
  7. Crise 2.0: A desarmada espanhola
  8. Crise 2.0: Espanha e os Skrotinhos

 

Por volta de abril deste ano, com a Grécia totalmente destruída, as nuvens se carregam sobre a Espanha, o “Deus Mercado” se preparou para “vampirizar” a próxima vítima. O Presidente, Rajoy, parte para uma turnê internacional desastrosa, vai ao G8, depois Paris e finalmente Cúpula do Euro, enquanto que internamente o Bankia, quarto maior banco faliu, precipitando a crise bancaria, como você pode ler abaixo( de brinde o D Juan – literal em todos os sentidos – caçando elefantes, a decadência vista como nunca):

 

  1. Crise 2.0: Espanha, outra Grécia?
  2. Crise 2.0: O Caçador de elefantes
  3. Crise 2.0: Espanha em queda
  4. Crise 2.0: Espanha submissa
  5. Crise 2.0: Espanha – A Nau da Insensatez
  6. Crise 2.0: Espanha em Luta

 

O desastre anunciado, com o salvamento do Bankia, uma opção ideológica, pois o Presidente do Banco, era nada mais nada menos que o Ex-Chefe do FMI, Rodrigo Rato, figura de grande destaque da ala radical da Direita do PP, que em menos de dois anos afundou de vez o banco. O governo correu a salvá-lo, achando que o rombo seria de 4,5 bilhões, mas, quando fez sua auditoria, se deparou com 23 bilhões de  prejuízo, o fundo de resgate estatal não passava de 9 bilhões.

 

Imediatamente, o Governo Rajoy planejou aumentar em 10 bilhões de Euros nos cortes de austeridade, só que agora localizados em Saúde e Educação. Uma onda de protestos se seguiu, mas Rajoy continuo no caminho do salvamento do Bankia, ao mesmo tempo começou a pedir uma linha de crédito de resgate apenas para os banqueiros espanhóis:

 

  1. Crise 2.0: Estre
    sse na Espanha
  2. Crise 2.0: Espanha – Resgate ou Queda
  3. Crise 2.0: A “Sangria” da Espanha
  4. Crise 2.0: Espanha, como salvar os banqueiros
  5. Crise 2.0: O Resgate Light da Espanha
  6. Crise 2.0: Operação Resgate da Espanha
  7. Crise 2.0: Espanha – Fim da Crise(?), Começo da Miséria!
  8. Crise 2.0: O Day after Espanhol
  9. Crise 2.0: Espanha – Mais Dinheiro aos Banqueiros, o Céu não é o Limite!

 

A decadência que se seguiu ao pedido de resgate parcial, foi enorme, em poucos dias todos os parâmetros da economia entraram em colapso, veio a público a gigantesca fuga de capitais, além da desconfiança do que estava por de trás do pedido de resgate parcial. A operação parecia simples, o BCE resgataria diretamente os bancos falidos, monitorando-os, e os cerca de 100 bilhões de Euros não entraria na conta da Dívida espanhola. Mas nem assim houve calmaria, aliás piorou o ambiente

 

  1. Crise 2.0: O “Vendaval Espanhol”
  2. Crise 2.0: Espanha – Precisa do Resgate Total
  3. Crise 2.0: A Rendição da Espanha?
  4. Crise 2.0: O que significa o Resgate espanhol?
  5. Crise 2.0: Espanha – Só há remédio(Euros) para Bancos
  6. Crise 2.0: A Espanha Entregue
  7. Crise 2.0: Espanha sob Intervenção da Troika?
  8. Crise 2.0: Espanha, Miséria nas Ruas

 

Finalmente nas duas últimas semanas a Economia espanhola implodiu, por trás do acordo de Resgate Parcial, a Troika exigiu um draconiano pacote que  pôs a nu todo o pais. Com ampla maioria no congresso Rajoy impôs as medidas mais restritivas de toda história da democracia do país. Um pacote gigante com 21 leis, conhecido como Teusoraço, foi aprovado em menos de dois dias.

A fúria tomou conta das ruas das maiores cidades da Espanha, centenas de milhares de pessoas em protesto, mas o pior o “Mercado” não acreditou no cumprimento das metas, e passa a exigir o Resgate total, como se lê abaixo:

 

  1. Crise 2.0: A Espanha Nua
  2. Crise 2.0: A Luta de Classes na Espanha
  3. Crise 2.0: Para onde vai a Espanha?
  4. Crise 2.0: O caminho do desastre espanhol
  5. Crise 2.0: Espanha ajoelhada diante da Troika
  6. Crise 2.0: Espanha, não há saída honrosa
  7. Crise 2.0: Espanha a Esmolar na Europa

 

 

São 38 artigos com uma dura cronologia de um país em esfacelamento social, político e econômico, o desenrolar da crise, seu contexto geral, acompanhado dia a dia aqui, se torna um documento essencial para entender como age o Capital, não há medidas racionais, mas cortar aquilo que lhe atrapalhe o movimento de valorização. Pouco importa os milhões jogado na miséria ou à própria sorte. Este é o ponto central, não há qualquer comiseração, só dor e desgraça.

 

0 thoughts on “Crise 2.0: Espanha em Chamas – um Roteiro”

  1. Olá, Arnóbio!
    Ótimo roteiro para ficar por dentro da crise internacional!
    Deveríamos indicar seu blog ao PIG, quem sabe eles aprendam um pouco de Economia, a de verdade!
    abraços

  2. Arnobio,
    Seus artigos são muito lúcidos e muito interessantes, demonstrando grande conhecimento do que se passa na Europa.
    Se me permite um comentário um tanto chato, recomendaria a você um pouco mais de cuidado com o português. Escrever melhor tornaria seus artigos especialmente elucidativos.
    Um abraço.

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