Crise 2.0: Uma realeza decadente

 

 

 

 

Num famoso embate durante a XVII Conferência Ibero-Americana, em Santiago, Chile, no ano de 2007, o Rei Juan Carlos da  Espanha interrompeu o Presidente da Venezuela Hugo Chavez e disse: ¿Por qué no te callas?. A indelicadeza sem par naquela reunião virou hit dos conservadores no mundo, pois nem sabiam do que tratava. Chavez estava a reclamar da atuação de Aznar, ex-presidente da Espanha que apoiara o golpe de estado na Venezuela, em parceria com os EUA.

Passados pouco mais de quatro anos deste incidente infeliz, ontem, o mesmo D. Juan Carlos, alquebrado pela situação da Espanha, um dos países mais atingidos pela Crise 2. 0, amplamente tratado por nós em vários artigos desta série, veio a público mais uma vez, agora por ter sido obrigado abrir às contas da realeza espanhola.

Além da grave crise que abate a Espanha, com milhões de desempregados, economia paralisada, baixa expectativa de saídas de curto prazo, a casa real foi atingida em cheio com os escândalos protagonizados por Inaki Urdangarin, marido da princesa Izabel, a caçula do Rei. Urdangarin era presidente do Instituto Noos, sem fins lucrativos, mas que manipulava fundos públicos e privados e foi acusado formalmente em 6 de fevereiro deste ano pelo Juiz José Castro, instrutor do caso. Urdangarin e seu sócio Diego Torres prestaram depoimento e tiveram seus siligos quebrados.

Iñaki Urdangarin, duque de Palma, está sendo acusado de corrupção pelo juiz José Castro. Foto: EFE

Unaki Udangarin

 

Esta crise na casa real não podia vir em pior momento, o Rei autoritário da ordem de silêncio, teve que abrir o bico e revelou toda dimensão da boa vida que a família goza, independente da situação de miséria que o país passa:

  1. Juan Carlos recebe 292 mil Euros anuais de salário, livres de qualquer imposto;
  2. O Rei tem 507 funcionários à sua disposição, sendo 80 apenas na casa real;
  3. Os seis membros da família contam com71(SETENTA e UM) motoristas;
  4. A despesa direta da família Real é de 8,4 Milhões de Euros, excluídos 140 milhões pagos pelo estado para manutenção da casa Real, 57 milhões de Euros para veículos, 6 milhões com salários de funcionários;
  5. Todas as despesas de viagens do Rei e família são pagos pela chancelaria. A Família Real é isenta de paga tarifas públicas: Água, Luz ou gás.

Deve ter sido humilhante ao Rei se expor ao vexame de vir prestar contas à gentalha, mas olhando outras monarquias europeias até que os gastos são modestos, apenas, o bon vivant, príncipe Charles recebe salário mensal de 1,5 milhões de Euros, é uma vida impressionante que não coaduna com a realidade do mundo.

0 thoughts on “Crise 2.0: Uma realeza decadente”

  1. Sempre que nos deparamos que essa diferença entre vassalos e susseranos, entramos em choque. É estranho porque no íntimo sabemos que nunca se trata de uma relação igualitária e que o monarca, líder, ou seja lá o que for não abrirá mão de suas regalias em detrimento do uma melhor condição de vida do povo. Mas mesmo assim nos espantamos e pior, aceitamos isso.
    Em uma época de crise, que sofre é o povo. O mesmo povo que forma esses Estados Soberanos pagando impostos e sendo vistos como uma mera mais-valia.
    O mundo é cruel.

  2. A questão da monarquia espanhola é muito complexa
    e distinta da inglesa.
    As raízes dessa “restauração” totalmente extemporanea
    estao na ditadura da Espanha franquista e numa tentativa espúria da direita espanhola de manter as diretrizes e impedir a volta da República, quando Franco já dava sinais de caminhar-se para a morte.
    Há inclusive indicios por aprte de algumas análises da interferencia dos EEU no processo de imposição desta “democracia ad hoc”, como no livro CIA en España” de Alfredo Grimaldos: http://teatrevesadespertar.wordpress.com/2011/12/27/la-falsidemocracia-espanola-se-diseno-en-la-sede-central-de-la-cia/

    Em tempo, a infanta que se casou com Urdangarin, a duquesa de Palma de Mallorca, é Cristina Federica de Bourbon.

  3. Sua reportagem e opiniões não evidenciam uma crise da monarquia espanhola. A economia espanhola está em crise e não sua cultura e política. O Rei representa uma face conservadora do país que ainda está mudando. Recentes espisódios envolvendo relações internacionais, economia e política, revelam que a Espanha continua sendo fortemente conservadora.
    Não gosto do Rei, mas ele é rei deles e está la porque a população quer, gosta e/ou é indiferente.

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