Crise 2.0: Censura na Grécia

 

O jornalista Kostas Vaxevanis chega a tribunal em Atenas. / ORESTIS PANAGIOTOU (EFE)

 

 

Iniciando mais um mês, neste que o blog completa 3 anos, voltamos à questão da Crise, depois de uma pequena pausa, em que focamos nossas forças nas eleições municipais brasileiras. Agora, aqui, na série sobre a Crise 2.0,  trataremos dos principais fatos da semana e de cara temos o escandaloso cado de prisão e julgamento quase sumário do Editor-chefe da pequena publicação quinzenal Hot Doc,  o jornalista Kostas Vaxevanis, ousou publicar a lista com 2059 nomes dos supostos maiores sonegadores fiscais da Grécia.

A tal lista, conhecida como Lista  de Lagarde, foi elaborada por um ex-funcionário do banco HSBC, que contém os nomes de conhecidas personalidades gregas, incluindo armadores, atores, médicos, advogados, altos funcionários do Ministério da Economia e pelo menos três políticos, dois da Nova Democracia, partido conservador que estar no poder. a tal lista, segundo o El País a “chamada lista Lagarde entregue pelo então ministra das Finanças francesa, Christine Lagarde, o seu homólogo grego, no Outono de 2010, e se perdeu , desde então. Baseia-se em dados de 130 mil contas que vazaram pelo o ex-trabalhador do HSBC Hervé Falciani, presos na Espanha 01 de julho passado e também revelou informações sobre os cidadãos de Espanha e Itália”.

De posse da lista o então Ministro da Economia da Grécia, Evánguelos Venizelos, sumiu com a lista, só reaparecendo agora, com o esforço de buscar os devedores, num acordo com a Suíça para repatriar recursos, sem pagar impostos, o tamanho do rombo fiscal grego chega aos 17 bilhões de Euros, valor menor do que os 20 bilhões contidos na lista. Avaliação é de que os bilionários gregos, tenham mais de 100 bilhões de Euros fora do país, cerca de 60% na Suíça e o restante em paraísos fiscais. O agravamento da crise no últimos anos, também se deve pela imensa sonegação fiscal e /ou evasão de divisas.

Entretanto, divulgar estes crimes é uma atividade perigosa demais, a publicação da lista foi feita na semana passada, no sábado já havia ordem de prisão, na segunda  o jornalista se apresentou a um tribunal. Logo a seguir já foi detido, hoje começa seu julgamento. Um caso incrível de uma estranha “eficiência” punitiva, o que levou  Vaxevanis  a dizer que  “a justiça na Grécia nos últimos anos é muito seletiva e politicamente motivada”. O caso expôs a extrema repressão e censura violenta do governo grego, seu total comprometimento com as medidas da Troika, que não aceita qualquer oposição ou “risco social”.

A compreensão do caso só será total, segundo minha tese, sobre o Novo Estado, que denominamos deEstado Gotham City, que expus de forma sistematizada nos posts abaixo:

Crise 2.0: O Novo Estado

Crise 2.0: Novo Estado e o Capital

Crise 2.0: Novo Estado e os Indignados

Crise 2.0: Novo Estado e os BRICS

A restrição de liberdades com o aumento do efetivo de repressão, é o dado mais visível deste novo estado, Espanha numa crise violenta aumentou em 30% seus gastos em “segurança” ou seja no aparelho repressivo estatal, com ampliação do uso de sofisticadas câmeras com identificação de líderes e prisões seletivas. Semana passada, um amigo que trabalha com segurança de grandes eventos, como Copa do Mundo, Olimpíadas, me revelou que a Grécia é o maior comprador de armas da Europa, isto com esta imensa crise.

O caso do jornalista Kostas Vaxevanis, não é isolado,  o que noticia o El País que é “como se censura na Grécia, de repente adquiriu o estatuto de uma mancha de óleo, na segunda-feira o diretor de notícias da televisão pública (ERT, na sigla em grego) decidiu cancelar “até nova ordem” a cadeia programa da manhã NET, Proini Enimerosi (Manhã da Informação), referindo-se a um alegado incidente de tortura policial  aos militantes antifascistas, ocorrido em setembro passado e noticiada no  pelo jornal The Guardian . A referência ao ministro da Ordem Pública, Nikos Dendias, que anunciou um processo contra o jornal britânico, a suposta tortura e custou a demissão dos dois apresentadores de programas, jornalistas e Katsimi Marilena Arvanitis Kostas”.

 

Só sobrou ao Novo Estado, o Estado Gotham City, a repressão, principalmente nas regiões mais decadentes, como é o caso da Grécia. A resistência tem sido heroica, na semana que vem mais uma greve geral, no meio de várias greves parciais de categorias, como os advogados que estão em greve tem mais de mês. Ao mesmo tempo, o Governo, se acertou com a Troika, mais um plano para aprofundar a austeridade, não se sabendo mais o que cortar. Cabe destacar a importante e decisiva atuação do Syriza, que além do apoio às greves e a oposição aos planos, defende com todas suas forças a sociedade grega que se esfacela.

 

É o CAOS!

 

0 thoughts on “Crise 2.0: Censura na Grécia”

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: