Crise 2.0: A desarmada espanhola

 

 

 

 

 

Às vezes tento dar um tempo nesta série sobre a Crise 2. 0, mas não consigo as coisas acontecem de forma rápida e os assuntos precisam de um comentário, que possa ajudar a compor um quadro mais geral do que venho escrevendo. Hoje, pela manhã, escrevi sobre a Itália se seus Sápatras ( Crise 2.0: Os Sátrapas ) uma situação de embrulhar o estômago como conseguiram destruir completamente a “alma” italiana. Mas aí quando busco um pouco mais me surge a Espanha.

Mesmo tendo escrito muitos artigos sobre a Espanha ( Crise 2.0: Uma realeza decadenteCrise 2.0: Adivinhem quem veio para o jantar), nesta série, ma ela consegue sempre ir mais fundo no entreguismo e servilismo ao novo  Imperium Alemão e seu sócio menor, França. A posse de Mariano Rajoy não foi esperada com nenhuma expectativa interna, o péssimo governo do PSOE e o tamanho da crise não animava nem os mais otimistas.

 

Eleito numa campanha despolitizada, sem empolgar ninguém, com a maior abstenção da história, a retumbante vitória do PP, foi apenas construída em apontar o desastre da Economia, o desemprego galopante, nada de propostas ou compromissos, apenas negação. Eventualmente Rajoy prometeu não aumentar impostos, trabalhar para sair da crise. Porém de cara Rajoy nomeou Luis Guindos, Ex-Executivo do Lehman Brothers e FMI, para a pasta da Economia, era uma forma de agradar os sócios europeus.

Luis Guindos não se fez de rogado, apresentou um pacote de corte do orçamento de 15 Bilhões de Euros, reduzir o Déficit Público para 6%, corte de funcionários e logo a seguir o primeiro sinal de que campanha sem projeto claro, deixa às mãos livres, aumento de impostos, não é uma novidade a Itália com seu “tecnocrata” aumentou 50 impostos. Mas o ultraliberal Rajoy surpreendeu até suas hostes. O El País disse que a medida “foi tomada depois que Berlim passou dar as cartas na elaboração do plano”.(via Estadão, 03/01/2012)

Mas hoje veio a medida mais reveladora. Depois de mascarar os números o Governo Rajoy apresentou uma conta mais que dolorosa, ao invés de 15 bilhões, serão 40 bilhões de Euros. Segundo o governo o déficit era calculado em pouco acima de 6%, entretanto, este estava acima de 8%, com receio que bata até 9% exigindo mais cortes e sacrifícios.

Como diz no artigo do Estadão reproduzindo as palavras do ministro da Economia, “Todos precisam participar do esforço. Estamos em uma situação muito difícil e sem dúvida na pior em muitas décadas.” Por fim “Ele também confirmou que o primeiro trimestre de 2012 verá mais uma contração do PIB espanhol, depois de uma redução no fim de 2011. Na prática, isso significa que a Espanha já está em recessão. Entre os fabricantes de veículos, essa previsão já é uma certeza. As vendas de carros em 2011 caíram 17,7%, atingindo o nível mais baixo em 18 anos”.( Estadão 03/01/2012).

Apenas para lembrar, no Brasil houve recorde de venda de carros, com aumento de 2,9 %, mesmo assim, os abutres locais, dizem que foi “abaixo do esperado“, nem quero imaginar se o Brasil tivesse assim como Espanha ou Itália.



0 thoughts on “Crise 2.0: A desarmada espanhola”

  1. Participar do esforço de destruir o país? Mas todos já foram para o sacrifício, + de 50 % de jovens desempregados, sacrificar mais o quê? Enquanto isso, a Alemanha prospera. E eu acho que Sarkozy vai perder a reeleição. E a Alemanha vai vender pra quem com Itália e Espanha em recessão? Não quero nem imaginar o dia em que o povo miserável desses países acordar do sono!

  2. Não é confete, Arnobio. Se eu tivesse grana, editaria o livro “Crise Dois Ponto Zero”. Você está fazendo O “diário de bordo” marxista dessa crise com maestria. Abração!

  3. Arnobio
    os cortes também vão direto na área de saúde.
    São demitidos diariamente medicos emergencistas,
    a ultima fronteira da saude publica que esta literalmente despencando, todo o programa de combate a AIDS foi decepado.
    Mas a sociedade espanhola parece mais mobilizada que a italiana,
    a situação na ITALIA parece se deslocar para os atentados,
    ultimo recurso desesperado
    diante da falta de dialogo e da ditadura da banca.

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