Crise 2.0: Para onde vai a Espanha?

 

 

Povo diz NÃO ao Tesouraço - Foto de DOMINIQUE FAGET/AFP

 

Mesmo com todas as medidas de Austeridade do Governo da Direita espanhola, mais que identificado com o “Deus Mercado”, o Prêmio de Risco bate o recorde na Espanha ,ganha medalha de “ouro” nas olimpíadas, aqui na série sobre a  Crise 2.0. A situação do país, que já era gravíssima, transbordou ontem e ameaça virar uma crise de poder sem precedente, as medidas de mais cortes foram aprovadas à toque de caixa, votadas apenas pelo PP, sem um único voto dos demais partidos, o povo ganhou às ruas a protestar.

 

Ontem a noite publiquei dois artigos sobre a mobilização espontânea que se alastrou por toda Espanha, no primeiro post Crise 2.0: A Espanha Nua foi sobre o simbólico ato dos bombeiros nus, um retrato exato de como ficarão os menos protegidos neste aprofundamento dos cortes sociais. O segundo post, Crise 2.0: A Luta de Classes na Espanha, foi no calor(frio aqui em São Paulo), das gigantescas manifestações que explodiram, após a confirmação da votação e aprovação do “Tijeretazo”( Tesouraço), as várias frentes de protestos foram canalizando suas forças e se concentraram na Plaza del Sol, segundo El País mais de 100 mil pessoas, segundo lideranças, eram cerca de 800 mil.

 

Os números são impressionantes, 80 cidades mobilizadas, nenhuma trégua, as centrais sindicais e movimentos autônomos foram pegos de surpresa, pois articulavam greve geral e protestos amplos para início de agosto, mas tudo se deu de forma rápida e espontânea, exceto a velha repressão à la franquistas, seus herdeiros do PP aprenderam bem as lições do passado. Basta ver que no Parlamento, mesmo isolados, sem nenhum voto da oposição, o PP “passou o carro” e fez aprovar o mais famigerado programa de ajustes de toda história da Espanha, depois da democratização. Apenas na ditadura franquista, medidas assim foram tomadas, o que é um claro indicador para onde caminha o Governo Rajoy.

 

Não obstante, a resposta do Mercado foi a pior possível, no gráfico abaixo da bloomberg/El País, se percebe que o Prêmio de Risco da Espanha atingiu o mais alto posto, comparável aos da Grécia em plena falência, aliás, o desenrolar da queda espanhola é muito mais rápida e voraz do que a grega. Grécia foi ruindo por longos 8 meses, de queda em queda, no caso da Espanha, em apenas 71 dias a situação atingiu o fundo do poço. De 8 de março, data da quebra do Bankia, até ontem, 19 de julho, se deu a derrocada total. Vejamos os números:

 

 

Por mais que tente agrada aos mercados, Rajoy não obtem sucesso Gráfico: Bloomber/El País
Por mais que tente agrada aos mercados, Rajoy não obtem sucesso Gráfico: Bloomber/El País

 

 

 

 

 

O País não tem saída com mais cortes sociais( Saúde, Educação,Seguridade), demissões de funcionários, tudo que se faz contribui para que haja mais desconfiança, pois a Espanha virou um barril de pólvora, além de contaminar a Itália, com efeito devastador sobre toda UE. Ontem o Parlamento alemão aprovou a ajuda de 100 bilhões de resgate do BCE para os bancos espanhóis, mas a mensagem foi bem clara, somente os BANQUEIROS, serão beneficiados, não, não ache que é loucura minha, as notas aprovadas são inequívocas, assim como as medidas feitas a aprovar pelo Governo Rajoy, como parte do acordo.

 

A Espanha está a um pequeno passo de ser monitorada oficialmente pela Troika, hoje já é, mas não de forma clara, os acordos secretos que Rajoy fez, aos poucos vão se tornando público, a perda de autonomia do Banco Central é um claro indicativo de que a ajuda aos bancos não será feita de dentro da Espanha, mas de fora, com controle, o próximo passo é restringir a emissão de títulos, pois os yelds atingiram mais de 7% ao ano, tornando um fardo pesado demais. Ficou numa situação insustentável, se emitir paga mais, se não emitir não tem como resgatar os títulos vencidos. O fim da autonomia parece muito próximo.

 

As medidas aprovadas ontem, são bem próximas do que a Grécia aprovou em Outubro , mês que a Troika derrubou o governo eleito por um Premier biônico, PapaDEMos, será que farão o mesmo com o inepto Rajoy? O povo espanhol que está nas ruas, que não apoia o governos, nem ao PSOE, maior partido de oposição, também responsável direto pela crise, forjará uma alternativa para enfrentar um governo imposto pela Troika? A intervenção pode trazer de volta um movimento de ruptura das províncias autônomas?

 

Todo este caldo de cultura, rico demais, cheio de contradições, me parece que pode levar a uma revolta geral contra as autoridades locais e do Euro, mas não apenas na Espanha, mas também na Itália, diferentemente da Grécia que não teve este apoio, estes países são membros antigos da UE, têm mais vínculos com a ideia de Europa unida, agora ameaçada de dissolução.

 

Fechemos as cortinas…preparemos a cabeça para pensarmos mais e escrevamos o que vemos e o que ainda não enxergamos.

 

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