Crise 2.0: Espanha em Luta

 

 

A luta pela Educação na Espanha - Repressão - Foto: Paul White/AP

Esta semana, aqui na série Crise 2.0, estamos na marcação colada no passeio pelo mundo de Rajoy, o Presidente da Espanha, cargo relativo a Primeiro Ministro. Longe de casa, Rajoy, busca ser reconhecido como o homem que aceitou os planos de austeridade da Alemanha, via Troika ( Comissariado Europeu, BCE e FMI), e que teve êxito, mas sabemos bem como dissemos no últimos post a desgraça que o país foi submetido, sem lograr qualquer sucesso. Mas a imagem, como lembrou o El País da última sexta, parece ser fundamental ao dirigente, pouco importando como esteja seu povo.

 

Depois do passeio de barco com Angela Merkel, em Chicago, que lhe rendeu fotos e manchetes, teve a compaixão de Monti, o primeiro ministro “biônico” da Itália, que lhe estendeu o convite para que Rajoy possa participar do seminário dos dirigentes do Europa, em fins junho, sobre a questão do Euro, as saídas para crise. Pois, nem para isto, a Espanha havia sido convidada. Também recebeu um convite para tomar assento na reunião do G8(sic), como representante europeu da Otan, pois a Espanha não figura nem entre as 10 maiores economias(é a 12ª), com a a tual crise deve cair para baixo das 15 maiores.

 

 

Política: Hollande garante que fará tudo para que a Grécia continue no Euro
Rajoy e Hollande - Foto EuroNews

 

 

De volta à Europa, depois de muito puxa-saquismo à Alemanha, voltou por Paris para se entrevistar com Hollande, o mesmo que defendeu o EuroBônus, que ajudaria a aliviar as economias da Zona do Euro, mas o tosco Rajoy, recusou a apoiar. Mas a questão com Hollande, além de ser uma necessidade de aparecer ao lado de um dirigente importante, que faz contrapeso à Alemanha, tem o objetivo de tentar uma costura alternativa via França para que o BCE libere os cofres e ajude a falida banca espanhola. A Alemanha e a Troika estão irredutíveis a qualquer liberação de dinheiro novo, para amenizar as perdas dos bancos da Espanha, também agravada pela ampla inadimplência, em particular do setor imobiliário.

 

Segundo o site EuroNews , sobre encontro dos dois, uma prévia da reunião extraordinária da CE, que se realizará hoje e amanhã : ” O presidente francês vai defender na cimeira dois grandes temas: “a criação de um pacto de crescimento, para além do que já existe a nível orçamental e a injeção de liquidez no sistema bancário, de forma a que seja sólido e esteja mais protegido das especulações dos mercados.”

Para Mariano Rajoy a questão do financiamento é o problema mais urgente. O espanhol diz que “o país tem necessidade de dinheiro, de liquidez, de durabilidade. Há muitos países que estão a fazer muitos esforços para controlar o défice público, com reformas estruturais mas que não serão sustentáveis se continuarem a pagar juros tão altos, comparativamente a outros países”.

 

Para estes dias mais presença de Rajoy no seu esforço de se fazer importante, quando na verdade, deveria seu governo lutar para efetivamente voltar a ser forte. No momento que viaja uma violenta greve nacional corta a Espanha de norte e sul, sendo duramente reprimida, segundo agência Dow Jones: “Dezenas de milhares de professores e estudantes em greve, além de partidários deles, manifestaram-se pela Espanha hoje para protestar contra os profundos cortes governamentais nos gastos com educação”.

 

Os números a coesão do movimento em defesa da educação impressionam: “Entre os manifestantes estavam grupos de estudantes, jovens pais com seus filhos e professores vestindo camisetas verdes, que se tornaram um símbolo do movimento deles contra os cortes orçamentários. Sindicatos disseram que 100 mil pessoas participaram dos protestos em Madri. A polícia não forneceu estimativa.Em Barcelona, a segunda maior cidade da Espanha, a polícia afirmou que 25 mil pessoas saíram às ruas. Os sindicatos alegaram que o número chegava a 150 mil. Os protestos também ocorreram em Alicante, Pamplona, Sevilha, Valência e Zaragoza”.

 

Um país em crise profunda, as lutas nas ruas, com mais de 80% de escolas e universidades paradas, mas o principal dirigente, sai ao mundo para se deixar fotografar ao lado de Merkel, Obama e Hollande, realmente é uma questão de prioridade, que efetivamente não é com a Espanha.

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