Crise 2.0: Espanha submissa

 

Do que riem? Foto EFE

 

O passeio de barco entre Merkel e Rajoy é mais uma destas tragédias políticas que constantemente analisamos aqui na série Crise 2.0, não é um mero acaso, mas a verdadeira face do sabujismo cara de pau de Rajoy, do governo de extrema-direita espanhol, que afundou mais ainda o país, em nome da política imposta por sua mestra inspiradora, a Senhora Merkel. Os dois ali, naquela brisa, em Chicago, celebrando o caos, talvez os 25% de desempregados espanhóis, ou queda do PIB prevista em 1,7%. Do que riem os tolos? ( Crise 2.0: Os Sátrapas )

 

Na última sexta o jornal El País, dava matéria que Rajoy iria ao Eua para reforçar que ele é importante, que é liderança, que representa a Espanha, tem força. Que iria usar a viagem como marketing de seu governo, demonstrando assim, que o país é bem representado. Ao se passear com Merkel o esforço foi recompensado, não sem antes humilhar-se mais ainda e rebaixar a Espanha a mero executor dos desejos e caprichos da chanceler. Segundo o jornal Estadão:  “Em um esforço para diferenciar a Espanha da Grécia, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, declarou ontem “não haver sentido” no debate sobre crescimento econômico ou austeridade fiscal e reiterou a aposta de Madri na execução do plano de severo ajuste nas contas públicas e de reformas estruturais”.

 

Mas não satisfeito o incauto, Rajoy, foi mais fundo, na matéria do Estadão: “Se quisermos crescer, temos de fazer os cortes nos gastos públicos e as reformas estruturais”, afirmou Rajoy, ao relatar sua conversa com Merkel à imprensa. “A aposta do governo da Espanha é de controle do déficit público porque, se ninguém o financiar, as coisas se tornarão impossíveis. Vamos continuar o esforço para que a administração espanhola gaste o que arrecadar e não até o infinito.”

 

Logo a seguir o jornal mostra o tamanho do buraco que está a Espanha, que o  dirigente se faz de bobo, como se nada tivesse a ver consigo: “Na semana passada, a Espanha reviu o cálculo do déficit fiscal de 2011 de 8,5% para 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB). É um porcentual três vezes maior do que o limite definido pela zona do euro a seus países-membros. O país tem ainda uma taxa de desemprego de 24,4%, a maior da região, e prevê uma contração de 1,7% no PIB este ano”.

 

Todo este esforço de marketing de Rajoy, não esconde o tamanho da crise espanhola que se aprofunda mais com suas medidas de ajuste, foi fácil cortar 28 bilhões de Euros do orçamento, ao assumir, mas nem com isto teve de volta as taxas mais módicas de juros para refinanciar a dívida pública e privada espanhola, simplesmente ninguém compra os títulos do governo ou, por exemplo, dos bancos espanhóis, com juros baixos. O governo foi mais fundo agora vai levar ao parlamento, amplamente dominado pela Direita, cortes de 10 bilhões de Euros de Saúde e Educação, votar;a sozinho o PP. Mesmo com este anúncio o “Deus mercado” não está satisfeito.

 

Por outro lado a bomba relógio da quebra da banca espanhola é esperada a qualquer momento,  a agência Moody’s  rebaixou a recomendação de 16 maiores bancos da Espanha na última semana, no meio da grave crise do Bankia. Este mesmo banco, recém estatizado ao custo de 12 bilhões de Euros, o cálculo inicial é que seria 10 bilhões( 4,5 bilhões já injetados em 2010), mas hoje, segundo El País, o Ministro da Economia Luis de Guindos, falou que o rombo do Bankia para ser coberto o governo terá que gastar novos 7,5 bilhões de Euros, perfazendo os 12 bilhões. Ou seja, aqueles 10 bilhões de Educação e Saúde, já não serão suficientes para salvar apenas este banco. Lembremos, 40 mil professores serão demitidos com a medida.

 

A situação bancária espanhola provocou mais um incidente na agenda “positiva”de Rajoy, segundo o Estadão: “Uma auditoria nessas instituições será realizada nos próximos dois meses por entidades privadas, com a assessoria do Banco Central Europeu (BCE). Rajoy, entretanto, refutou a recente declaração do presidente da França, François Hollande, que sugeriu o apoio financeiro de fundos europeus aos bancos espanhóis. “Não acredito que o senhor Hollande disse isso porque, logicamente, ele não sabe como está a situação d os bancos espanhóis”, afirmou Rajoy no sábado, ao chegar a Chicago”.

 

Percebe-se, assim, que a tal agenda de Rajoy é para justificar sua insana política de ajustes( Ajustes impuestos por Rajoy), que até agora, apenas tem piorado a situação do país, que cortar os gastos sociais e amplia os gastos para salvar banqueiros falidos, em linha com o que quer o capital internacional. O protetorado alemão, parece ser a solução que busca Rajoy, pouco se importando para a miséria que vive seus cidadãos.

 

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