As Curvas da Estrada de Santos

 

Uma natureza exuberante - Foto do Flicker : Fhotobnauta

Ano passado fiz um pequeno post sobre o maior cantor brasileiro,Roberto Carlos e eu, e minha implicância com ele, fruto muitas vezes da imaturidade, e também da fase ruim, que ele passou durante a segunda metade dos anos 80 e 90. Mas o resgate de suas maravilhosas músicas, seu carisma, charme, forma única de cantar e encantar, são superiores a qualquer momento desigual de sua longa carreira. Algumas de suas canções, em vários momentos de nossas vidas, ficam marcadas a nos lembrar para sempre. Estas marcas, em nosso imaginário é o que tornam eterno e perene na cultura popular.

 

Este começo é apenas para lembrar de como é grandiosa a música “As curvas da estrada de Santos”(1969), ainda garoto no interior do Ceará, ouvia e ficava imaginando como seria esta estrada. Apenas em 1979, o filho de um amigo do meu pai, veio para nossa cidade, visitar seus pais e trouxe seus filhos, um deles nasceu e morou em Santos, tinha minha idade, enquanto jogávamos bola, ele me contou como era bonito sair de São Paulo e ir até Santos, descer a serra. Poucos detalhes, mas aguçou minha curiosidade.

 

Muitos anos depois, já morando em São Paulo, no meu primeiro emprego, fomos convocados a ir a Santos, ajudar a finalizar um grande na antiga Telesp da Washington Luís. Parece que foi ontem, saímos cedo, era outubro de 1989, pegamos uma kombi, fomos pela Anchieta, tudo era novidade, pedi para ir no banco da frente, pois queria ver o caminho. Passamos ao lado daquelas fábricas das famosas greves do ABC, era quase um filme para mim, dia não muito frio, o tempo não estava fechado.

 

Pouco depois o início da descida, as fantásticas curvas, a música na minha cabeça, o carro avança lentamente, muitos caminhões, num determinado momento, a visão da baixada santista, linda, imensa, o contraste maluco de Serra, Cidade e Mar. A paisagem da serra, ali da Anchieta é mais bela ainda, é como se a estrada respeitasse a mata, as curvas coladas às pedras, quase talhadas à mão. Entendi, neste instante, o que Roberto Carlos cantava, nem era a estrada original da música, mas a natureza era a mesma.

 

Por coincidências da vida, em 1990, morei por quatro meses no Guarujá, então subia e descia muitas vezes, ia pela Imigrantes, uma estrada mais “fria”, menos emocional, quase reta, as rochas perfuradas em enormes túneis, não tem o mesmo charme e força da Anchieta, muito menos da antiga estrada, mas a visão de cima da serra de todo o litoral, continua a me deixar apaixonado. Muitas vezes voltando do Rio de Janeiro, a rota dos aviões tem a aproximação pela proa de Santos, é uma visão linda demais.

 

Neste fim de semana, desci ao Guarujá, contei no post (@migos que viram Amigos ), mais uma vez vi o litoral daqui de cima, mostrei as minhas filhas, de como tudo aquilo é lindo, como conheci, as minhas viagens por ali, moradia no Guarujá, os passeios em Santos, mais ainda, a música do Roberto mais alta nos meus ouvidos. A música tem minha idade, do mesmo ano que nasci, diz muito, né?

 

Várias maneiras de interpretar “As Curvas da Estrada de Santos”

 

Roberto Carlos em 1969, a original

 

Imagem de Amostra do You Tube

 

No Acústico (2000)

 

Imagem de Amostra do You Tube

 

Caetano Veloso

 

Imagem de Amostra do You Tube

 

Elis Regina – Espetacular a versão jazzista

 

Imagem de Amostra do You Tube

0 thoughts on “As Curvas da Estrada de Santos”

  1. A versão da Elis é de matar a pau. No século passado peguei a Rio-Santos e foi deslumbrante chegar à Angra dos Reis com o dia amanhecendo, nunca esqueci.
    Beijão, amigo

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: