Crise 2.0: Espanha – Resgate ou Queda

 

Crise é dos Bancos, que eles paguem por ela - Foto AP

A situação da Espanha se aproxima rapidamente do caos, nestas últimas semanas aqui na série Crise 2.0, venho acompanhando esta degradação, que agora parece se tornar caótica, este mês de maio foi desastroso, para que não me acompanha e, mesmo que já me ler, aqui estão os últimos post sobre a crise espanhola, percebam que a vem num crescendo, quase uma avalanche de notícias ruis:

  1. Crise 2.0: Espanha submissa
  2. Crise 2.0: Espanha – A Nau da Insensatez
  3. Crise 2.0: Espanha em Luta
  4. Crise 2.0: Estresse na Espanha

 

A Espanha é a quarta Economia da Zona do Euro, uma queda, ou mesmo uma operação resgate, praticamente joga por terra o atual fundo de estabilização da Europa, os valores espanhóis, farão pensar que a Grécia era apenas uma quitanda falindo, e a Espanha uma rede de supermercado. As implicações seriam muito maiores do que foi a quebra de todo sistema bancário dos EUA em 2008, com consequências terríveis para o próprio país, que já vive em situação gravíssima, com altos índices de desemprego e rápido empobrecimento da população.

 

O articulista Thomas Landon Jr,  do New York Times, escreveu um artigo muito sombrio acerca da Espanha, que aponta exatamente nos termos que escrevi acima, queda ou resgate é caos na Europa, há poucas margens de manobras, vejamos alguns trechos do que ele escreveu:

“a Espanha ofusca rapidamente a Grécia como o foco da crise da dívida na zona do euro. O salvamento europeu da Espanha, a quarta maior economia da zona do euro após Alemanha, França e Itália, está se tornando uma possibilidade mais visível. A cada dia que passa, cresce a turbulência com a nacionalização pelo governo do gigante espanhol em empréstimos hipotecários Bankia, a fuga de dinheiro para fronteiras mais seguras e um agravamento da recessão.

Um resgate, se houver, sobrecarregará os recursos do novo fundo de salvamento de 700 bilhões da Europa que deve ficar disponível neste verão europeu. E deixará pouca margem para salvamentos adicionais. Ontem, a Comissão Europeia pressionou a Espanha para tomar medidas para acalmar o mercado, e Lael Brainard, um subsecretário do Departamento do Tesouro americano, chegou a Madri para conversar com autoridades espanholas como parte de um tour pela região”.

 

Ele vai apontando o agravamento da economia espanhola neste último mês: “Desde que a nacionalização do Bankia, em 9 de maio, deu sinais da gravidade do estado do setor bancário espanhol, e chamou uma nova atenção para a limitada capacidade do governo de amparar os bancos e impedir a fuga de capitais do país, o primeiro-ministro Mariano Rojoy tem insistido em que a Espanha não precisará de um salvamento ao estilo grego. Nenhum chefe de Estado saudaria semelhante intervenção, porque, como Atenas, Dublin e Lisboa descobriram, esses resgates vêm tipicamente acompanhados de exigências de cortes orçamentários mais profundos e um redobrado rigor fiscal”.

 

Aqui o centro do problema é apontado: “Economistas estimam que se a Espanha for obrigada a sair dos mercados de bônus pelos elevados custos de captação e tiver de depender de recursos da Europa e do Fundo Monetário Internacional para sobreviver, o custo poderia alcançar 500 bilhões por vários anos”. Por fim, ainda nos diz que os empréstimos do BCE a juros baixos em Dezembro e Fevereiro, teve efeito devastador na Espanha, devido ao comportamento dos banqueiros espanhóis:  “Os bancos espanhóis têm sido, de longe, os participantes mais agressivos no programa de empréstimos baratos, tendo tomado mais de 300 bilhões do BCE. E boa parte desse dinheiro foi gasta em bônus do governo espanhol”.

 

Em síntese pegaram dinheiro barato do BCE e estão especulando no próprio país, com juros altíssimo, cada vez oferecendo prazos mais curtos de resgate de títulos. Há títulos de 3 meses, 6 meses, quando o normal seria de 1 ano, 18 meses, 3, 5 e 10 anos. A ciranda de curtíssimo prazo amplia a instabilidade, houve ainda uma corrida desenfreada para sacar Euros nos bancos em crise, tudo pressionando ao mesmo tempo. Até o discurso da Austeridade radical que o Governo da Extrema-Direita espanhola fazia, começa a mudar, não há saída para mais apertos.

 

É fundamental ler Celso Ming, que também vem dando especial atenção à questão Espanha, e o velho liberal jogou a toalha, pede a estatização dos bancos, como única saída, ou o país explode, ele começa assim a coluna de hoje: “a Espanha afunda na areia movediça. Esta quarta-feira foi mais um dia de agonia, de perda de depósitos nos bancos e de queda do valor dos títulos soberanos”. Depois de chorar as pitangas sobre o que Rajoy, “vacilante”, não, analisa o que agora pretende:

“Não se pode obrigar o já sangrado Tesouro da Espanha a fazer maciças transfusões de capital. Esticaria a corda do déficit público para além do suportável. Rajoy sugeriu que a recapitalização dos bancos fosse feita por meio de emissão de títulos públicos, proposta que teria duas consequências. Primeira, puxaria o endividamento para níveis perigosos. Segunda, como os bancos não precisam de mais títulos (de mais ativos), mas de mais dinheiro vivo, o despejo desses bônus no mercado implicaria sua desvalorização e novo esticamento dos juros. Se o Banco Central Europeu (BCE) recomprasse esses títulos, estaria financiando despesas do Tesouro da Espanha – algo inadmissível. Esse precedente obrigaria o BCE a recomprar títulos públicos a cada operação de resgate de banco”.


Percebendo que nada disso se faz sem mudar o caráter da UE, Ming vai direto ao ponto, propondo a socialização das perdas dos banqueiros, pelo Estado, que tantas vezes é desprezado, que interessante:  “Outra opção que parece contar com o apoio da Comissão Europeia seria levar um fundo europeu a subscrever a elevação de capital dos bancos, o que esbarra no veto da Alemanha. Mas pode ser a saída inevitável, com efeitos importantes. Grandes bancos espanhóis seriam controlados pelo bloco. Seriam bancos públicos, mas com controle partilhado pelos sócios do euro e, obviamente, com supervisão também da área do euro. Mas não seria este um novo passo decisivo rumo à integração, desta vez financeira?”

 

Quando tudo parece acabar para os trabalhadores, sempre dar para pendurar nas suas costas mais sacrifícios para pagar as farras d
e um punhado de banqueiros, eis para que serve o Estado, na visão “liberal”.

0 thoughts on “Crise 2.0: Espanha – Resgate ou Queda”

  1. Apenas dois comentários marginais:
    Minha filha está em viagem de turismo na Europa e me relata que há muitos protestos contra os governos, o que talvez possa significar mudanças em breve.
    Na Espanha, os protestos contra os cortes na Educação tem mobilizados os professores, os alunos e pessoas comuns com manifestações gigantescas.
    Na Itália está também acontecendo mobilizações com uma mega sendo prevista para junho.
    Alega também que os preços praticados nas áreas turísticas estão nas alturas, o que lhe pareceu ser um contra-senso diante da crise.
    Abraços.

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