Crise 2.0: Desigualdades emperram crescimento dos EUA

 

Como destravar a Economia? ( foto Wikipedia)

 

Depois de um certo tempo volto a falar dos EUA aqui na série sobre a Crise 2.0, com os números e 2011 e a perspectivas relativamente positivas, pensei que o país teria uma retomada, nem que fosse lenta, o caminhão de dinheiro do FED inundando o “mercado”, ampliando enormemente sua base monetária, sem medo de um crescimento inflacionário colaborava com esta visão. Mas, o recrudescimento da crise na Europa, começa a minar o pequeno deslocamento dos EUA.

 

Ainda no início de fevereiro perguntei se os EUA saíram da crise? ( Crise 2.0: EUA saíram da crise?) era uma provocação ao debate, retomei os conceitos de Marx sobre a Crise e mostrei os dados dos EUA desde 2005, ano que efetivamente começou a crise. Assim define o processo:

“Apenas em 2012, efetivamente o país começa a “rodar para frente”, aqui lembremos mais uma vez, o velho Marx, sobre a queima de Forças Produtivas, os preços nos EUA estão no mesmo patamar de 2005, uma situação clara deste movimento, é como se o país tivesse parado por 6 anos, o problema é que em 2005 o desemprego(Força Produtiva) era 4,9%, chegou a 9,1%(meados de 2011), mas com a retomada está em 8,6%(Janeiro de 2012).

Com os preços deflacionados, alto desemprego, a retomada se dará em novo patamar, confirma assim que a o momento da Crise de Superprodução se deu em 2005, quando preços e empregos estavam em alta, em pleno uso das forças produtivas. Porém o  sintomas reais da queda aconteceu apenas em 2008, passando por um período longo de recomposição. A taxa de lucro começa a ser recomposta apenas em 2011, com a perspectiva de crescimento em 2012″.

 

Hoje, a OCDE, publicou um relatório que aponta no mesmo sentido, e retomo a análise dos EUA, assim sinterizado no Estadão: “Segundo Organização, o país enfrenta estagnação de salários, altos níveis de pobreza e desigualdade de renda e um sistema educacional que dá poucos recursos para quem mais precisa de ajuda”. Duas significativas frases dão a essência da contradição do que é uma retomada de uma crise tão aguda. Mas há mais a ler, detalhando o quadro geral, leiamos:

A recuperação econômica dos EUA pode estar ganhando força, mas o país enfrenta estagnação de salários, altos níveis de pobreza e desigualdade de renda e um sistema educacional que dá poucos recursos para aqueles que mais precisam de ajuda, disse, em um novo relatório, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A pesquisa econômica 2012 da OCDE sobre os EUA mostrou que a economia do país tem tido alguns avanços e deve crescer de forma moderada este ano e no próximo. O relatório afirma, no entanto, que um aprofundamento da crise europeia ou a possibilidade dos formuladores de política americanos permitirem um imediato corte nos gastos do governo podem comprometer a previsão.

“Tomados juntos, os riscos de queda para a economia no curto prazo sugerem que os formuladores de política deveriam continuar a apoiar a recuperação e estarem preparados para agir se mais resultados negativos se materializarem”, afirmou a OCDE.

 

O País caminhou rumo a uma recuperação, mas não se completa pelos entraves internos, desigualdade salarial(Renda) e por baixa produtividade(Educação), além, claro, dos fatores externos, a Europa numa crise que piorou, acaba amarrando uma retomada com mais fôlego. O relatório se concentra nas questões internas, pois claramente ver que as questões da Europa não se resolverão no curto prazo, então aponta que “os legisladores americanos devem lutar para que mais seja feito para ajudar os desempregados, especialmente aquelas pessoas que estão fora do mercado de trabalho por um longo período. E embora um plano fiscal deva ser posto em prática para corrigir os déficits, ele deve ser adotado gradualmente”.

 

Diz mais ainda sobre o que acarreta esta desigualdade de renda“Partes do relatório desenham um quadro ruim para os EUA em comparação a outras 33 nações que compõem a OCDE. O documento observou que a desigualdade de renda nos EUA permanece bem acima da média da organização e que o nível de pobreza relativa é um dos mais altos no órgão. O relatório disse que os EUA tinham a quarta pior medida de desigualdade de renda, à frente apenas de Turquia, México e Chile no fim da última década. Entre as recomendações oferecidas pelo relatório: isenções fiscais que beneficiam principalmente os mais ricos devem ser eliminadas ao longo do tempo”. ( Trechos são da Dow Jones, via Estadão, 26/06/2012)

 

Em síntese a retomada não se dará num patamar adequado, o FED que já fez 3 emissões gigantes de moeda, para “baratear” o dólar no mundo, resolveu “quebrar” em etapas um nova QE(a quarta), travestiu como se fosse pacote de ajuda econômica, para evitar uma grita externa maior, mas Bernanke, Presidente do FED, foi taxativo, se não reagir, ele tem uma “bazuca” pronta para atirar, cerca de 2,9 trilhões de Dólares.

 

É este o caminho? acompanhemos…


 

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