Crise 2.0: Uma tese

 

 

I – Pós-Guerra: Estado de Bem Estar Social

 

O motor da guerra fria


No pós Guerra várias economias centrais (EUA, Japão, Europa Ocidental) impulsionaram seus estados nacionais com ampla distribuição de renda e atendimento das principais necessidades básicas dos trabalhadores como saúde, educação previdência, aumento da expectativa de vida. Todas estas garantias foram feitas por estados nacionais fortes, que participaram intensamente das atividades da economia, centralizando o planejamento e sendo o principal indutor desta, visão de Keynes era vencedora no mundo.

 

Muitos economistas consideram os anos 60 e parte dos 70, os anos dourados da economia mundial, larga expansão, crescimento e mundialização do comércio. Estes anos apagaram em parte a maior catástrofe da humanidade, a Segunda Guerra Mundial. Neste contexto os EUA tomam para si a referência de crédito e dinamizador do crescimento. Garantia crédito e ao mesmo tempo comprar o que se produzia, mesmo que significasse enormes déficits comerciais. Porém garantia para si as rédeas econômicas e combatia o “comunismo”.

 

Crise do petróleo – fim do padrão Ouro

 

A famosa Crise do petróleo,  de 19 74,  na verdade já se gestava desde 68, 69, os números de horas trabalhadas, produtividade e lucro, mostravam o ápice da superprodução. O momento da crise não foi em 1974, mas bem antes, o que se via, em 1974, já eram os efeitos da crise, que em regra é queima de forças produtivas, de capital, para que a taxa de lucro se recomponha.

 

Ainda antes de 1974, ou ápice da crise,  Nixon, então presidente dos Estados Unidos, suspendeu unilateralmente o sistema de Bretton Woods, cancelando a conversibilidade direta do dólar em ouro. Todo os sistema de planificação monetária e conversibilidade usado no pós-guerra, que impulsionou a integração da economias ocidentais veio abaixo, seu sistema de pagamentos baseado no ouro.

 

O repique daquela crise se deu em 1981/82, com o início do Governo Reagan e se expressou na questão das dívidas dos países então chamados de “terceiro mundo”. Este países  havia recebido grandes investimentos de Capital desde o fim dos anos 60/70 e a “conta” efetivamente foi cobrada pelo FMI e Clube de Paris no início dos anos 80. Aquele novo ciclo efetivamente se abre em 1983 com a maior revolução do Capital, que ajudou varrer o leste: A revolução da micro-eletrônica. O novo ciclo do Capital iniciado em meados dos anos 80, liderados mais uma vez pelos EUA, foi engrossado pela queda do Muro e o fim da Ex-URSS.

 

Em síntese: A dura crise do petróleo nos anos setenta combinado com as das dívidas externas no início dos anos 80 põem em xeque o estado de bem estar social (Welfare State) surgido do pós-guerra como contraponto ao leste europeu.

 

 

II- Neoliberalismo


A virada política começa com as vitórias de Reagan e Tatcher, estes impõe um duro ajuste econômico com privatizações e restrição do crédito “fácil” o que levou em 82/83 a grave crise das dívidas externas do terceiro mundo (Brasil, México e Argentina no default).

 

A ofensiva ideológica imposta neoliberal foi de tal monta, que não havia qualquer possibilidade de “tatear” um contexto de ação econômica ou política fora desta ordem. Combateram sangrentamente as rebeliões na América Latina, como em El Salvador e Nicarágua. Usaram de qualquer método político-militar para impedir e sufocar revoluções e governos de esquerda.

 

Enfrentaram a antiga URSS e os países do leste europeu de forma decidida, derrotando-os impiedosamente com a queda do Muro de Berlim e o esfacelamento da Rússia. Mesmo governos claramente identificados com políticas de esquerda sucumbiram ao marasmo deste Tsunami interminável.

 

Nunca uma ideologia capitalista perdurou tanto como esta Neoliberal, que teve seu inicio com a derrota dos mineiros ingleses no Governo Thatcher, amplificado por 8 anos Reagan, que culminou com a queda do muro de Berlim, 30 anos ao todo,sendo os últimos 19 anos(89 a 2008) sem qualquer combate global ideológico.

 

Particularmente a defensiva política pela qual passamos com a queda do muro de Berlim, desarmou a esquerda ideológica que foi reduzida a pequenos círculos sem efetivo contato e produção política que oferecesse qualquer combate sistemático e global ao neoliberalismo. Em todos os campos sociais e políticos. A situação ficou tão ruim que Francis Fukuyama chegou a prever o fim da “história”.

 

Império Único, Senhor do Mundo e das Guerras

 

1)    Reagan e a vitória neoliberal

O ciclo neoliberal mais forte e ideológico americano deu-se durante o duro governo Reagan, que foi amplamente vitorioso na luta ideológico ao império soviético, como diz  Macbeth depois das revelações das bruxas “tudo que nos parecia sólido sumiu ao ventos como nossos anelos”.

Reagan conseguiu eleger seu vice, Bush Pai, respaldado pela vitória anti-comunista, sem inimigos claros no mundo. A base da economia americana no pós-guerra era a indústria bélica, bilhões de orçamento público era gasto para deter o inimigo vermelho, com seu fim ela em si perderia a razão lógica de existir. Se não havia contraponto no mundo para que manter algo surreal como ela?

Ledo engano, a pretexto de proteger suas posições no Golfo Pérsico, em 1991, Bush invadi o Iraque, seus leiais aliados de combate anti-iraniano. A mal sucedida invasão, do ponto de vista militar, pois não derrubou Sadam Hussein, reanimou a economia, não o suficiente para garantir um segundo mandato a Bush.

 

2)    Clinton e os anos dourados do neoliberalismo

 

Uma surpresa total para EUA foi a vitória de Clinton, ex-governador de Arkansas, estado pequeno e secundário nos EUA. Com uma trajetória de militância política em causas sociais, Clinton chega a Casa Branca e lidera por 8 longos anos um dos maiores crescimentos da economia americana, sem que houvesse um grande conflito externo. Favorecido pela liderança única americana no cenário mundial impôs uma política de expansão das empresas e influência americana baseada no dólar e no mercado financeiro.

Caminhava para garantir um terceiro mandato com Al Gore, seu vice, mas foi atingindo pelo escândalos sexuais, a di
reita americana pudica até uma tentativa de impedimento cogitou, safando-se por muito pouco. Esta perda de confiança fez com que não tivesse a coragem suficiente de enfrentar a fraude da família Bush na Flórida.

 

3)    Bush Filho a volta dos senhores da guerra

 

O episódio de vencer, sem ganhar, levou a uma mudança completa de atitude do Governo Americano, que experimentou uma defensiva externa, questionamento e foi atacado pela primeira vez em seu solo. Os episódios do 11 de Setembro de 2001 foi uma dura resposta tardia a presença americana no oriente médio.

Novo recrudescimento interno e externo deu uma nova guerra ao Iraque a família Bush, detentora de petróleo e amplamente financiada pelos lobbies da indústria bélica. O medo extremo imposto ao estilo de vida americano deu ao Bush Filho seu segundo mandato. Este porém foi um fiasco total, atolados numa guerra sem saída, a economia sem responder, foram 4 anos penosos, um novo “inimigo” crescendo silenciosamente(China) a financiar seu crescente déficit fiscal, culmina com um novo quase 11 de Setembro, 15/09, a quebra de todo o sistema financeiro americano.

 

4)    Obama o herdeiro do império

 

Obama surge do nada, ganha da favorita Hillary a indicação do Partido Democrata. Uma hipótese pouco cogitada leva um negro à presidência. Vitória de um outsider total. Sem um pé na máquina partidária, dominada pelos Clintons, Obama faz um acordo cruel, entrega a Secretária de Estado, ministério mais importante americano, a sua adversária Hillary.

Enfrentando uma crise sem precedentes, Obama mais ou menos dividiu seu Governo em dois, no front interno liderado por ele, tenta aprovar reformas na saúde e recompor a economia em frangalhos. No front externo entregue a Hillary e os falcões mais reacionários, como boa conhecedora da máquina de guerra, Hillary tem seu desempenho facilitada pelos crescentes conflitos advindo da ampla crise financeira mundial.

A dura visão do Departamento de Estado, dominado pela Direita dos democratas, escolhe seus “inimigos”, o principal deles o Irã, mesmo com o refluxo no Iraque a aventura no oriente médio ainda é prioritária, atende a demanda da indústria bélica, do setor petrolífero, do militares e dos falcões de Israel.

 

III – Queda do Neoliberalismo – A grande Crise


 

 

A Preparação para o Estouro

 

Neste meio tempo, uma guerra ao Iraque, pequenas guerras na África, ajudaram a azeitar a colossal indústria bélica americana. Nos anos 90 há a incorporação definitiva da China, com seu modo de produção peculiar, Capitalista de Estado, dirigida por uma burocracia estatal violenta. A chegada e a integração da China ao capitalismo central deu fôlego vital ao Capital, pois fez  entrar amplas massas no processo produtivo global, mas fundamentalmente ainda, ajudou a definir novos padrões produtivos e incrementar a taxa de lucro do Capital.

 

As milhares de empresas que aportaram na China, capital fundamentalmente dos EUA, em primeiro lugar, transformam o panorama global do processo de acumulação/circulação capitalista. O apogeu deste movimento se dar nos anos 2000. Em paralelo a este movimento, a indústria bélica americana, um dos carros chefe do Capital, consegue duas lucrativas guerras: Iraque e Afeganistão, que ajuda a consumir, apenas nestas guerraa, mais 1,5 trilhões de dólares. Além de um orçamento anual crescente que apenas de 2001 à 2010 chegou aos 6 trilhões de dólares. Esta esfuziante marca é acompanhada do aprimoramento das Telecomunicações, Internet e fundamental o controle político e ideológico mundial.

 

A “Nuvem” que atingiu em títulos algo como 8 vezes o total do PIB mundial algo em torno de 430 trilhões de Dólares contra 46 trilhões de PIB, teve papel fundamental na imposição de uma nova realidade de relações econômicas mundiais. A rapidez com o Capital vai de país a país, impondo seus desejos de lucros transforma o estado/nação em mero intermediário do Capital global.

 

Mas atentem bem que quando irrompe a Crise em 2008, esta “Nuvem” controlada fundamentalmente por grandes bancos, como Goldman Sachs, HSBC, Mitsubishi, BNP Paribas, UBS e outros, passou por grandes fusões e quebras impressionantes como Lehman Brothers, a seguradora AIG e muitos outros que trabalhavam com taxas de alavancagem de até 40 vezes sobre seu patrimônio líquido.

 

A questão da crise

 

Retomando o conceito de Marx sobre Crise :  “não existe crise permanente, sim as periódicas em permanência”, o que é muito confundido por uma certa gama de analistas de esquerda. Muitos mergulham no estudo da crise, inclusive quando ela já aconteceu, nem percebem que um novo ciclo se abriu, eles ainda estão discutindo os “efeitos da crise””.


Mas voltemos a outra questão conceitual, também em Marx, um parêntese: determinadas “esquerdas” decretam fim de Marx, mas não sabem como analisar a Crise, aí voltam à Marx. A definição dele é perfeita:

“a crise constitui sempre o ponto de partida de grandes investimentos novos e forma assim, do ponto de vista de toda a sociedade, com maior ou menos amplitude, nova base material para o novo ciclo de rotações” (Marx – O Capital – Vol III).

O Que José Antônio Martins arremata com perfeição:

“No ponto mais alto da fase expansiva, e imediatamente depois da crise, quando a economia capitalista entra na fase de crescimento lento, parte do capital adicional começa a ser expulso da produção porque a taxa média de lucro não compensa seu investimento, o desemprego aumenta na mesma proporção em que a inversão cai. É o momento em que os capitalistas iniciam nova e mais pesada ofensiva sobre as condições de vida e de trabalho dos assalariados”.


O Governo Obama, do ponto de vista econômico, não existiu, durante 3 dos seus 4 primeiros anos de mandato o país esteve em recessão, os dados do departamento de comércio são elucidativos, o PIB americano a preços de 2005 (em trilhões de dólares) descontada a inflação do período:

 

2007

13,2

2008

13,2

2009

12,7

2010

13,1

2011

13,3

 

Com os preços deflacionados, alto desemprego, a retomada se dará em novo patamar, confirma assim que a o momento da Crise de Superprodução se deu em 2005, quando preços e empregos estavam em alta, em pleno uso das forças produtivas. Porém o  sintomas reais da queda aconteceu apenas em 2008, passando por um período longo de recomposição. A taxa de lucro começa a ser recomposta apenas em 2011, com a perspectiva de crescimento em 2012.

 

Este é o mundo real, da economia real, em que as pessoas reais vivem, para além dele, e com reflexos caóticos neste, os mercados continuam na escalada dos ganhos ilusórios, que apenas na Crise ele se expõe cristalinamente. As ações do FED durante a “queda” foi um claro demonstrativo a quem pertence o Estado Americano, algo como 5 Trilhões foi gasto para cobrir os ganhos irreais, pagos pelos trabalhadores e povo americano e de todo o mundo. Agora o imenso estoque de moeda em poder do FED é usado para financiar plenamente o novo crescimento, ou uma “justa” taxa de lucro dos grandes capitalistas.

 

Por dados empíricos cheguei a conclusão que o ápice do antigo ciclo de produção/circulação e realização do capital se deu entre 2005/2006, o ponto de ebulição, ou de Superprodução de Capital. Ontem apresentei os números do Departamento de Comércio dos EUA no post Crise 2.0: EUA saíram da crise?. Este dados  são um claro indício do que venho escrevendo. Hoje li mais uns dados da Standard & Pools sobre o preço de imóveis nos EUA, publicados pelo Radar Econômico do Estadão:

“As moradias nas 20 regiões metropolitanas analisadas pela S&P estão 33% mais baratas do que no pico histórico, de julho de 2006, sendo o momento atual o pior da série com ajuste sazonal.

Na pesquisa sem esse tipo de ajuste, o indicador também aparece em nível comparável ao dos seus momentos mais críticos. O índice da S&P mostra que, desde 2009, o setor teve breves momentos de recuperação, mas sempre seguidos por perdas que levaramm de volta a um patamar em torno de 140 pontos”



Essa pontuação serve para comparar os preços em diferentes momentos. No pico histórico, por exemplo, o índice sem ajuste sazonal marcava 206 pontos. Se hoje está em 140, significa que houve uma queda de 33% nos preços nesse ínterim.

Os piores momentos da crise, pela série não ajustada, ocorreram em abril de 2009 (139 pontos), em abril do ano passado (138) e em novembro último (140, dado mais recente). Nesse meio tempo, houve alguns lampejos de recuperação, chegando a atingir 149 pontos em julho de 2010, mas tais momentos foram sempre frustrados por perdas posteriores”.

 

 

A queda do muro de Wall Street – Setembro de 2008

 

É importante olhar estes dados e ligá-los aos fenômenos dos sub-primes ou da ciranda das hipotecas, quase toda baseada nestes inflados preços de imóveis. O “mercado” percebe como ninguém o movimento do capital, sabe que o capital não se reproduz por si, mas fundamentalmente no Valor, ele especula em cima da taxa de lucro, dos ganhos futuros. Quando as hipotecas começam a se tornaram impagáveis, precisamente em 2005/2006, foi o ano de maior emissão de sub-prime, os bancos de especulação pura, simplesmente foram para o “vinagre”.

 

Precisamente em 2005 foi o ano de menor desemprego em décadas nos EUA, com 4,7%, os salários estavam num patamar elevado, os empréstimos com juros baixos e fáceis, tudo conspirava a favor. Se olharmos no gráfico, entenderemos que em julho de 2005 tudo trava, os preços começam se estabilizar, não há mais crescimento. É coerente com o restante da economia dos EUA.

 

A queda se inicia em abril de 2006 e desaba de vez em março de 2008, nos meses que começa a longa sequência de falência dos bancos dos EUA que culmina com a quebra do Lehman Brothers em Setembro de 2008. No post Crise 2.0: Cronologia do Crime , demonstro esta sequência de quebras dos bancos e ajuda do FED, comparem com os gráfico dos imóveis.

 

Aqui não se trata de apenas especulação, mas de queima brutal de capital( Forças Produtivas), um ajuste estratosférico, cujos valores revelam o tamanho real da crise, sua dimensão dramática na economia real. A verdadeira desidratação da economia, coincidindo com os números da economia real que recentemente levantei. O mercado imobiliário americano recuou 33% desde 2005/06(ano real que se estabelece a crise).

 

Ao jogarmos estes números ao longo do tempo (4 anos) teremos uma diminuição da Economia nas Bolsas de 25% do Pib mundial. Estes números ajudam também a entender porque os preços ao consumidor, nos EUA, estão iguais a 2006, como se estivessem congelados por 5 anos.

 

A lógica de produzir fortunas a qualquer custo, em particular às alavancagens bancárias, foram criando ondas especulativas em a “riqueza virtual” superava em até 10 vezes a riqueza real. A necessidade crescente de guerras e conflitos para revigorar a produção de capital a emissão de moedas e o endividamento do USA, combinado com a inversão de fluxo de capital dos países periféricos para o centro criou o caldo de cultura para a futura crise.

 

A redistribuição da produção, privilegiando China e Índia, com a visão de barateamento ao extremo dos custos, leva conseqüentemente à desindustrialização dos grandes centros, começa um ciclo de sobrevivência das famílias através de empréstimos bancários cada vez mais “generosos”, uma bolha de consumo nunca vista na história ameaça todo o sistema. Grandes corporações americanas passam a ter mais “lucros” com atividades interbancárias de empréstimos do que com o produto vendido, caso exemplar da GM, Ford.

 

Os bancos como bombeadores do sistema com seus imensos créditos sem lastro vão à bancarrota de forma inacreditável, no espaço de 45 dias as maiores instituições bancárias do mundo falem sincronizadamente.

 



IV – As perspectivas Globais

 

 

A grande crise que estourou no mundo em Setembro de 2008 ainda repercute gravemente na Economia, na Política e claro na vida do cidadão comum. A maior conseqüência sem dúvida foi que o canto do cisne soou alto para a visão Neoliberal de mundo.

 

Estas mudanças, assim como em 1929, tornam o mundo diferente do que conhecíamos de forma rápida e inesperada, atentemos que o Capital jamais “para”, a Crise
de Superprodução, como bem define Marx ( Crise 2.0: Marx e a Crise ), é um início de um novo ciclo, mas quando a crise se prolonga, como as do Século XIX ou a de 29, se abre a perspectiva de uma revolução social, ou uma nova adequação do Capital.

 

Ora, se assim pensamos, afastada a possibilidade de uma revolução, sempre ressaltando que é minha visão, como será este novo desenho? A subida do Brasil neste ranking, mas não só a dele, a China acaba de ocupar o Segundo posto, ultrapassando o Japão, a Rússia e a Índia, acredito que em dois anos ultrapassem a Itália, começa uma mudança mais profunda na economia mundial.

 

O Capital precisa, neste novo ciclo, explorar de forma mais intensa estas novas economias, na sua luta de vida e morte pela recomposição da taxa de lucro, não existe Capital sem lucro. A face “desumana” que os países periférico tão bem conhecem é apresentada de forma letal na velha Europa, a inconclusa União dos estados, pagará seu preço. Aqueles que países que aderiram ao Euro, sem a mesma dinâmica Alemã, sentem o peso da desigualdade, se tornam presa fácil neste momento.

Populações inteiras, como as da Espanha, Grécia, Portugal e Irlanda são submetidas a enorme desemprego e privações, para se ter ideia da tragédia o Natal Grego foi de compras 25%  menores que em 2010. As emigrações aumentam nestes países de forma dramática, segundo a EuroNews a situação vai se complicando:

“Segundo o instituto alemão de estatística, na primeira metade do ano, o número de imigrantes oriundos da Grécia aumentou 84% e de Espanha 49.

Para além da Alemanha, as novas rotas da emigração europeia dirigem-se para o hemisfério sul e a nova vaga de emigrantes é altamente qualificada.

Da Irlanda partiram este ano 50 mil pessoas. Já na Grécia fala-se de 11% da população e da fuga de mais de 9% dos médicos”.

Estes números demonstram que Alemanha, por conseguinte a velha Europa, tem pouca margem de manobra, o ataque que o Capital fará aos padrões de vida europeu será inescapável, sempre do meu ponto de vista, para este novo ciclo do Capital, estas novas economia darão a dinâmica, pois partem de padrão salarial diferente, consequentemente poderão ser favorecidos neste crescimento.

Basta vermos os números da renda per capita destes países comparadas às economias centrais. A saída será, em parte, para estes países, garantia de incorporar novas massas ao consumo, os salários menores e benefícios também são atrativos, além de possibilidade de realizar obras de infraestrutura em larga escala. Exceto Brasil, China, Rússia e mesmo Índia vivem sob um complexo sistema político pouco democrático, o que facilita imposição estatal a estes projetos.

Por outro esta realidade pressionará simultaneamente às velhas economias que se adequem aos novos tempos, não é a toa que os “tecnocratas” do Goldaman Sachs já atuam diretamente na Espanha(ministro da Economia), Itália e Grécia( primeiros-ministro) e na presidência do BCE. Os planos são os mesmo, corte de previdência, benefícios e corte nos gastos sociais.

 

Zona Euro: A Alemanha

 

A crise mundial atingiu em cheio o coração das economias centrais, numa proporção ainda não medida totalmente, o fantasma de que a crise não passou e ameaça mais fica evidente com a quebra seqüencial de Grécia, provavelmente Espanha, Portugal e Irlanda. A Zona do Euro enfraquecida, Exceto a Alemanha a grande beneficiária do caos do Euro.

 

A injeção enorme de recursos (Capital) tem que ser realizado, sendo a Alemanha, na Europa, o local apropriado para este movimento. A lógica é perversa, quanto mais outros afundam, mais a Alemanha se fortalece, dai a resistência dela em não ceder um milimetro ao desespero dos outros. Como diz Celso Ming:

“A desvalorização do euro, por sua vez, está beneficiando as exportações da Alemanha. Embora suas vendas para dentro da área do euro estejam caindo, para o resto do mundo estão crescendo. Também no período de 12 meses até novembro, as exportações aumentaram 8,3%, ultrapassando o patamar de 1 trilhão de euros”.

E diz um pouco mais:

“Se as enormes assimetrias estão na origem da crise atual e se elas estão se aprofundando, a perspectiva é de que, sem ajustes decisivos, o colapso tenda a se agravar. Ainda nesta quarta-feira, o comissário para Assuntos Econômicos e Monetários da União Europeia, Olli Rehn, advertiu na Rede BBC de Londres que o momento “pode ser apenas o fim do começo da crise do euro”.


 

O Brasil

 

O mundo mudou rapidamente nestes três anos, era inimaginável que um país absolutamente secundário no tabuleiro internacional como o Brasil, agora tenha um papel de protagonista, virou uma espécie de terceira via, diante de EUA, com sua visível débâcle e a China de amplo crescimento, sustentáculo da produção de base mundial.

 

Esta busca por um pólo democrático longe dos impérios pode e deve ser aproveitado pelo Brasil, até o momento tem sido muito bem ocupado este espaço, aparecendo na questão do Irã e sendo referência nas relações com seus parceiros mais pobres tanto na América Latina como na África.

 

Basta lembrar que o Brasil sempre se situou entre as 8 maiores economias mundias, mas durante os anos 90, com a dolarização da Economia e a política de desindustrialização do Governo FHC combinada com a venda das estatais o país foi paulatinamente sendo empurrado para baixo no ranking das maiores economias, chegando a cair para 15º lugar. A importância, por conseguinte era nula, participação no comércio mundial, de uma economia mais que globalizada era irrisória.

 

Durante o Governo Lula houve uma busca de novos parceiros comerciais, amplamente criticada pela mídia nativa, o presidente era tratado como “terceiro-mundista” entre outros impropérios, mas, obstinadamente se construiu uma nova agenda diplomática, privilegiando acordos com China, Rússia, Índia, América Latina e África. As empresas brasileiras tiveram em Lula seu maior embaixador, rompendo e conhecendo novas fronteiras.

 

Os EUA

 

Apenas em 2012, efetivamente o país começa a “rodar para frente”, aqui lembremos mais uma vez, o velho Marx, sobre a queima de Forças Produtivas, os preços nos EUA estão no mesmo patamar de 2005, uma situação clara deste movimento, é como se o país tivesse parado por 6 anos, o problema é que em 2005 o desemprego(Força Produtiva) era 4,9%, chegou a 9,1%(meados de 2011), mas com a retomada está em 8,6%(Janeiro de 2012) e 8,3%( Fevereiro).

 

A Expectativa de que o PIB cresça em 2012 em nú
mero mais consistente do que em 2011, mesmo num ano de eleições duríssimas, em que Obama parece finalmente pode respirar  com a perspectivas mais positivas da Economia, com um FED que tem em estoque 2,9 Trilhões de Dólares pronto para uma guerra cambial, que fortalece mais ainda os EUA, é sem dúvida um outro cenário, nada parecido com os “gloriosos anos 80/90”, mas bem melhor que os últimos 6 anos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



0 thoughts on “Crise 2.0: Uma tese”

  1. Hoje o Nassif volta a falar da guerra cambial (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-brasil-acorda-para-a-guerra-cambial#more). Em entrevista ao Nassif no dia 11 (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/dilma-exclusivo-vamos-defender-a-industria-brasileira), a Dilma falou das medidas para enfrentar um tsunami ue se aproxima, recessão com excesso de liquidez, que a presidenta chama de bolha monetária. Rapaz, temos que analisar isso também, né?, há uma pedra no caminho do nosso país. O que vc acha?

  2. Muito bom, para nós leitores, renovamos/aprofundamos conhecimento. Para você,que vive dias tensos, intranquilos,serve para relaxar, mudar, mesmo que por pouco tempo, o foco.

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