Crise 2.0: A "Sangria" da Espanha

 

Lagarde(FMI) e Soraya Santamaría(vice presidente da Espanha) Nas mão do FMI ( Foto EFE)

Estas últimas semanas ficamos de olhos aberto aqui na série Crise 2.0, a três grandes eventos que mudam a cara da Europa: A Eleição de Hollande, as contradições que abre, mesmo que sutis com a Alemanha, quebrando a hegemonia do Merkozy, tão prejudicial ao conjunto do Euro. O Segundo evento é a insolúvel e trágica situação da Grécia, crise econômica, política e de Poder, um vácuo, uma situação clássica revolucionária. E o terceiro evento mais perigoso para UE e ao mundo a falência espanhola.

 

Ontem resumi os últimos artigos sobre a Espanha e vi que o mês de maio de 2012 foi o mais trágico em mais de 20 anos para o país, é um conjunto de notícias que vão de ruim à pior. O artigo Crise 2.0: Espanha – Resgate ou Queda, se completa hoje com a análise dos desastrosos números trazidos pelo El País, principal jornal da Espanha. A situação de fuga de capitais nunca foi tão intensa. São números alarmantes conforme tabela abaixo:

 

Fonte : El País 31/05/2012

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em apenas 9 meses de Julho/2011 à Março de 2012, em números líquidos consolidados( Entrada x Saída), saiu do país 194 bilhões de Euros, mais de 13% do PIB da Espanha, ou em termos comparativos, uma Grécia inteira. O PIB espanhol de cerca de 1,5 Bilhões de Euros, está estagnado desde 2010, com leve queda em 2011, caminha para um mergulho maior em 2012, que se não for revertida a tendência será substancial. A saída em março de 66,2 Bilhões de Euros significa que os investimentos secaram, ninguém confia no país, nem nos seus títulos e garantias.

 

Leiamos o El País “O prêmio de risco sobre a dívida pública é o principal indicador de desconfiança na Espanha. Mas existem outros, tão ou mais crítica para uma economia aberta, que derramou algumas leituras muito negativas.De acordo com dados divulgados apenas pelo Banco de Espanha , a saída de capital financeira da economia espanhola no recorde de março. Entre o que os investidores internacionais retiraram e que os investidores espanhóis colocados do lado de fora deixaram 66, 2 Bilhões, quase o dobro que em dezembro passado, mês que marcou o teto ainda. Mais de um terço do que o déficit é devido ao dinheiro espanhol que foi para depósitos e empréstimos estrangeiros, um movimento que se acelerou drasticamente e que corresponde, a grande maioria dos bancos espanhóis com operações”.

 

O Jornal diz mais sobre os meses de Abril e Maio, ainda não consolidados, ou simplesmente escondidos pelo BC Espanhol: E o que aconteceu com o mercado de ações espanhol em abril e maio, onde as vendas têm sido comportado como um deslizamento de terra para fazer compras, suporta a idéia de que a tendência atual continuar. Outras estatísticas, mais recentes, estão na mesma direção: em abril, a dívida pública detida por investidores internacionais mal atingiu 37%. Também naquele mês, o banco perdeu quase 2% dos depósitos de empresas e famílias, a queda foi a segunda maior do euro.

 

Como explicar um movimento tão intenso de queda, mesmo depois do BCE ter feito injeção de capital de mais de 1 trilhão de Euros em dezembro e Fevereiro? Segundo El País : A explicação desse movimento tão intenso está quase inteiramente nas decisões do mercado interbancário. Os bancos espanhóis colocado 19,704 milhões em depósitos e acordos de recompra de cobertura com bancos estrangeiros. É, de novo, sem precedentes, que responde à necessidade de colocar liquidez (após duas injeções multimilionárias Banco Central Europeu). E também, um sinal de desconfiança no mercado interbancário espanhol, que também é vista na retirada gradual de entidades estrangeiras. O governo espanhol também colocou uma quantidade significativa de dinheiro em tais investimentos no exterior, quase 5.000 milhões. Não para as empresas e famílias, onde as saídas financeiras situou-se em amplitudes (1.477.000 em março) menos relevante na série estatística.

 

Ou seja, os próprio bancos espanhóis e seus sócios externos retiram dinheiro do país, aproveitando as taxas baixíssimas do BCE que vendeu títulos de 3 anos, com remuneração de 1% ao ano. As instituições compraram estes títulos, deixando o país um rombo imenso. O Banco de Espanha vende títulos quase que no varejo com prazo curtíssimos de 3 e 6 meses, o que pressiona as taxas dos de mais longo prazo, que bateram à casa de 7%, ou seja, de insolvência.

 

As manchetes do El País de hoje é tomada de pessimismo, uma ampla cobertura do que chamam : A Crise da Dívida. Em destaque de que a taxa de prêmio de risco bateu seu recorde histórico, que mesmo com toda ofensiva diplomática, ela só aumentou, o risco de caos ou resgate é iminente, as palavras de Rajoy já não se escrevem, a Troika se prepara na surdina para assumir o controle da crise, isto significará mais arrocho, aprofundar o já famigerado plano do governo da Direita, do Sr Rajoy.

 

Rajoy ligou para Merkel no desespero para buscar apoio, sua vice-presidente Soraya Santamaría esteve com T
imonthy Geithner, Secretário do Tesouro dos Eua  e com  Chistine Lagarde, FMI. Mesmo com estes dados o “deus mercado” agiu ao seu estilo, devorando economias, vidas e sonhos. O ponto crítico foi o resgate do Bankia, o terceiro ou quarto maior banco da Espanha, desde o dia 9/5 , aquilo que parecia simples se tornou um monstro. O resgate foi mal calculado e conta saiu de 4,8 bilhões( primeiro decreto presidencial) para 19 bilhões. Mas tem um agravante, o Governo Espanhol só tem em caixa para resgate 9 bilhões, a diferença de 10 bilhões, não apareceu.

 

A crise de desconfiança faz com que o Governo seja criticado tanto internamente pela oposição, pela sociedade que já sofre com desemprego e, em alguns lugares a miséria, numa reportagem do El País muitos temem que a Espanha retroceda aos 50, pode ser exagero, mas a política e o caos econômico, apontam para algo trágico. Combinado a isto o país está literalmente parado, sem planos, sem grandes obras, o plano de austeridade I e II, ruíram, o medo é que o III não tenha intermediários, seja aplicado pela Troika, numa intervenção à la Grécia.

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