Crise 2.0: Espanha, como salvar os banqueiros

 

Emilio Botín saúda o Rei,com trajes "apropriados" - FOTO:VOZPÓPULI

 

Realmente nunca sabemos até quando vai a loucura dos banqueiros, aqui a série Crise 2.0, analisamos todo tipo de devaneios e deboches, mas as do Presidente do Santander, Emílio Botín, um nome que em si, já encerra uma corruptela de Butim, espólio de furto, pilhagem, já dá uma ideia do se espera. O cidadão diz, tranquilamente, que a UE deveria emprestar 40 bilhões aos falidos bancos espanhóis. Nada mais nada menos que isto, assim salvaria os seus colegas dos bancos Bankia, Catalunya Caixa, Novacaixa Galicia e Banco de Valencia.

 

Já fizemos, nos últimos dias várias análises sobre a crise bancária na Espanha e repetimos bem de onde vem, para que não haja dúvidas:  “Ou seja, os próprio bancos espanhóis e seus sócios externos retiram dinheiro do país, aproveitando as taxas baixíssimas do BCE que vendeu títulos de 3 anos, com remuneração de 1% ao ano. As instituições compraram estes títulos, deixando o país um rombo imenso. O Banco de Espanha vende títulos quase que no varejo com prazo curtíssimos de 3 e 6 meses, o que pressiona as taxas dos de mais longo prazo, que bateram à casa de 7%, ou seja, de insolvência”. (palavras minha no artigo Crise 2.0: A “Sangria” da Espanha).

 

Os bancos espanhóis, segundo El País foram os que correram a pegar o dinheiro do BCE, mas agora pedem apenas 40 bilhões, algo como 10% de todo orçamento do Governo da Espanha, 3,7 % do PIB. Num momento que o deficit fiscal foi de 8,9 % em 2011, e o governo corta de todos os lugares para reduzi-lo aos 6%, e até 2013 chegar aos 3%, exigência da UE para que se fique na Zona do Euro, o Sr Botín, quer um “botim”  de 40 Bilhões de Euros, será que isto é sério? A estimativa geral dos analistas, os mais otimistas, a ajuda aos bancos deveria ser de pelo menos 60 bilhões, os mais francos falam em 200 bilhões de Euros. O que me parece, é que este pedido é apenas parte, tática, para maiores pedidos futuros.

 

Basta relembramos o exemplo do Bankia, como escrevemos aqui: “O ponto crítico foi o resgate do Bankia, o terceiro ou quarto maior banco da Espanha, desde o dia 9/5 , aquilo que parecia simples se tornou um monstro. O resgate foi mal calculado e conta saiu de 4,8 bilhões( primeiro decreto presidencial) para 19 bilhões. Mas tem um agravante, o Governo Espanhol só tem em caixa para resgate 9 bilhões, a diferença de 10 bilhões, não apareceu”.( Crise 2.0: A “Sangria” da Espanha). Ou seja, começa com 4,8 bilhões e em 3 semanas chegou-se aos 19 bilhões. Agora o Sr Botín, pede 40 bilhões, quanto será o valor real que pede?

 

Segundo El País o Sr Botín fez esta declarações em Brasília, ele faz parte da comitiva do Rei Juan Carlos, aquele mesmo o “Caçador de Elefantes”, que veio bajular o Brasil, depois de nos desprezar por tanto tempo, agindo aqui como os seus antepassados colonizadores. Agora, vem com pires na mão, e o Senhor Botín com a proposta indecente de ajuda ao colegas banqueiros. Mas a desfaçatez não encontra limite, ele disse ainda sobre o salvamento do Bankia: “vai ser um negócio lucrativo para o Governo”. Ora, se assim é, porque os outros bancos não o salvaram?

 

Adiante, o El País, diz, todo contente, que a UE abriu a possibilidade de ajudar diretamente os bancos espanhóis sem precisar passar pelo governo, o que não seria a mesma situação de Irlanda, Portugal e Grécia. Com esta exceção, o fundo europeu salvaria as instituições, mas o Governo espanhol, não precisaria de participar, é o sonho “colorido” de Rajoy, mas tem um pequeno problema, estes bancos teriam que se tornar públicos, uma mudança que necessita alterar o marco regulatório tanto da UE quanto da Espanha. Parece que não se tem saída fácil mesmo.

 

Como afirma o jornal: A mudança do  discurso Olli Rehn (Vice-Presidente da Comissão Europeia e Comissário para os Assuntos Económicos e Monetários)foi por ter pesado as terríveis conseqüências que poderia ter toda a Europa que o Governo da quarta economia da zona euro foi forçado a pedir um resgate internacional”.

 

Pano Rápido

 

Vejamos o que será a visita de Rei Dom Juan à América Latina, seus encontros com os presidentes do Brasil, Chile e México, não por acaso, onde os banco e/ou empresas espanholas estão bem, em contraste com a matriz em crise. O medo espanhol é que a solução da Argentina de nacionalizar a YPF encoraje os demais países a fazer o mesmo, pois as empresas espanholas, só retiram dinheiro daqui, rumo à matriz, sem aplicar cumprir suas obrigações locais. O próprio Santader, do Sr Botín é alvo de especulação de venda, tanto aqui, quanto lá. As privatizações neoliberais dos anos 90 começam a cobrar seu caro preço.

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