Crise 2.0: Espanha – Só há remédio(Euros) para Bancos

 

Rato ao Centro, aos banqueiros tudo Foto CARLES FRANCESC - El País

Alguns fatos nesta fase atual da crise são realmente chocantes, tenho procurado abstrair-me de uma análise passional, aqui na série sobre a Crise 2.0, mas é quase impossível ficar impassível diante das contradições  assim tão flagrantes como agora a pouco me deparei na capa da página online do El País, o maior periódico espanhol, uma manchete sobre a auditoria no Bankia, que confirma o rombo e sua “nacionalização”, e logo abaixo uma manchete sobre o “Medicamentazo”, o corte nos subsídios a 450 remédios.

 

A manchete que  estampando que o Bankia tem um rombo de 13.6 bilhões de Euros,  que já recebeu, 4,5 bilhões em 2010, agora se candidata a receber mais 19 bilhões de Euros, o atual presidente diz abertamente que o conselho todo deveria sair, para facilitar sua nacionalização. Uma reunião tensa em que o antigo Presidente, ex-chefe do FMI, e uma das maiores figuras da extrema-direita espanhola, Senhor Rodrigo Rato, saí chamuscado, por sua gestão temerária, não obstante, o Governo do PP, o partido de Rato, vai salvar-lhe a pele, evitando inclusive sua ida ao parlamento. O representante do Estado, novo presidente do Bankia, deu ultimato: Ou se demite ou será demitido?

 

A tensa reunião começou com o ultimato e a renuncia coletiva, novos controladores nomeados, mas a crise continua, pois o Governo Espanhol tem menos da metade do necessário para irrigar o banco, tentando salvar alguma coisa, sua falência total seria um desastre, pois controla um carteira imensa de clientes, além do desemprego em massa que provocaria. Mas como salvar um banco sem punir exemplarmente seus ex-controladores? A gestão que enganou a população e as instituições, tendo ainda indenizados vários executivos que saíram do banco. Um desastre, comandado por Rodrigo Rato.

 

 

Desmonte Social

 

Ana Grosso Mato, cortando na Saúde, pra dar aos bancos - Foto CLAUDIO ALVAREZ - El País

 

Mas a segunda manchete é mais revoltante o governo vai cortar os subsídios de 456 medicamentos, um prejuízo a mais para, a já tão punida, população mais pobre do país. A economia anual será de 440 milhões de Euros “como parte de um esquema para alcançar uma economia do setor de saúde de 7 bilhões de euros. A ministra da Saúde, Ana Mato, apresentará o plano para cortar os subsídios para 456 medicamentos para os governos regionais, que são responsáveis pelos setores de saúde e educação. Os pacientes que precisarem dos medicamentos terão de pagar com dinheiro próprio.(Agencia Dow Jones)

 

Conforme diz o El País, a medida entrará em vigor imediatamente, sendo domingo o dia final para os subsídios, e mais que a medida desagradou as províncias não controladas pela Direita espanhola  “As poucas comunidades que não estão nas mãos do PP, Catalunha, País Basco, Andaluzia e Astúrias, criticaram a falta de informação e a pressa com que o Governo apresentou a proposta de excluir centenas de medicamentos comumente usados ​​no financiamento público . Alguns, como o diretor catalão, Boi Ruiz, disse que soube da informação por parte dos meios de comunicação na noite anterior.Assim, o medicamentazo se tornou uma centro da reunião inter-regional de Saúde, que reuniu os líderes regionais e Mato, embora os pontos em questão eram muitos. (El País)

 

A questão é não há dinheiro para os remédios, para saúde, educação, o pouco que sobra vai para os banqueiros, mas tem gente que ainda acha o PP não seria um retrocesso diante do governo de Zapatero,  que foi muito ruim, mas o que se constata é uma piora significativa, a maioria consolidada do PP impõe um método de “passar o rodo”, nas palavras do El País, em qualquer oposição, vão implementando um desmonte acelerado do Estado, não sobrará nada.

 

Até quando? Cumprirão tudo o que a Troika mandar? Rajoy o verdadeiro terror do povo espanhol. Os planos de Austeridades matam a economia e o povo, não há remédio.

0 thoughts on “Crise 2.0: Espanha – Só há remédio(Euros) para Bancos”

  1. Bem, entre os tais remédios provavelmente estarão os anti-hipertensivos. A morte em massa de hipertensos viria a calhar para Rajoy. (Não foi piadinha, tô falando sério.)

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