Crise 2.0: A Espanha Entregue

 

Mais Punição ao povo da Espanha - Foto: Javier Soriano/AFP

Retomando minhas atividades de pesquisa sobre a atual crise, depois de uma semana de “férias”, apenas pensando no Corinthians e no aniversário dos meus pais. Agora volto à série sobre a de Crise 2.0, lembrando dos termos do último artigo sobre o clima de pessimismo global, expressados nos relatórios do IIF e do FMI, aqui comentados no post : Crise 2.0: Pessimismo Global. Desde a última semana, temos alguns temas quentes, como o freio da economia alemã e começo do recebimento da ajuda aos bancos espanhóis.

 

Parecia que seria simples os bancos espanhóis receberem os bilhões da UE, que seria apenas mera formalidade, entretanto, no momento que se anunciou a liberação de 30 bilhões de Euros, uma parcela inicial da ajuda, que passará dos 100 bilhões, chegou junto à ela, um caderno de obrigações e compromissos, assinados pelo governo da Espanha, que começaram vir à publico, nada menos que 32 compromissos, que deverão ser encampados pelo Estado, em troca das parcelas, que serão entregues em 18 meses.

 

O jornal “El País” teve acesso aos documento e publicou os principais pontos, aqui listados pela Dow Jones( via Estadão): “Entre as recomendações macroeconômicas, o documento impõe que as exigências da Comissão Europeia sejam acatadas, como o cumprimento das metas de déficit e reformas estruturais. Na prática, essas reformas já estão vigentes. O ‘El País’ afirma que o anúncio do aumento do IVA (Imposto Sobre Valor Agregado utilizado pela União Europeia e que incide sobre a despesa ou o consumo) pelo governo de Mariano Rajoy – incluído nas últimas recomendações da Comissão Europeia – é, na verdade, uma das exigências dos credores europeus”.

 

Aparentemente, como se dizia antes, o Estado não seria o fiador, mas as obrigações dão ideia oposta, o que nos parece é que os valores não constarão nas contas do Estado, mas a fiança será dele, pois o centro das exigências são reformas no Estado, controle de gastos, meta fiscal e aumento de impostos, mas ainda “Os credores europeus insistem a colocar em prática uma transferência de poderes de sanção e aprovação de licenças bancárias do Ministério de Economia da Espanha para o Banco da Espanha.Além disso, a Comissão Europeia, o BCE, a Autoridade Bancária Europeia e o Fundo Monetário Internacional estarão atentos aos plano de regaste bancário e poderão ter acesso, com condições estritas de confidencialidade, a todos os dados do sistema bancário espanhol que julgarem necessários.

 

A banca espanhola perde completamente a autonomia, o que na prática levará a um sistema quase estatizados mas sob supervisão da Troika, como deixa claro a matéria “Assim, tais instituições poderão inspecionar e examinar o cumprimento das condições, trabalho antes reservado somente ao banco central de cada país. Tal condição dá uma ideia clara do nível de intervenção no sistema financeiro que o resgate permite.

 

A submissão do Governo espanhol é exemplar, no dia seguinte ao anúncio do empréstimo e das condições draconianas “O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, anunciou novas medidas de austeridade no valor total de 65 bilhões de euros. As mudanças serão válidas até o fim de 2014 e têm o objetivo de melhorar as contas fiscais do país. A principal alteração é o aumento do imposto sobre valor agregado (IVA) de 18% para 21% sobre o valor das vendas. Para o IVA reduzido, cobrado sobre alguns produtos, o aumento será de 8% para 10%”.

 

O Pacote fiscal que compromete o orçamento de mais 2 anos vindouros, traz uma dura realidade aos trabalhadores e aos  desempregados “haverá uma redução nos benefícios para desempregados e um corte de cerca de 7% nos salários para funcionários estatais. O governo também pretende reformar governos locais para reduzir gastos.”Estamos tentando nos manter em um caminho que não é fácil, curto ou confortável, mas não podemos evitar isso. É o único caminho que leva para a recuperação”, disse Rajoy em discurso no Parlamento”.

 

A Espanha caminha para perder completamente a sua pouca autonomia, entregue aos ditames da Troika, caminhando a passos largos para situação análoga a que se submeteram Irlanda, Portugal e Grécia, senão vejamos: “Rajoy anunciou ainda novos impostos indiretos sobre energia, planos de privatizar portos, aeroportos e ferrovias e a reversão das isenções fiscais que seu partido tinha restaurado em dezembro. Entretanto, ele não mexeu na aposentadoria – mantendo uma promessa de eleição – e disse que o fardo tributário passa de impostos diretos sobre empregos e receita para taxação sobre o consumo.

 

As migalhas de “bondade” ficaram por conta das aposentadorias, uma “reserva” que se piorar, como na Grécia, serão devidamente mexidas. Mesmo com os pacotes deste 2012, as metas não foram cumpridas, então “os ministros de Finanças da zona do euro, o Eurogrupo, concordaram em afrouxar as metas de déficit orçamentário da Espanha para 6,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, em vez de 5,3%, de 8,9% no ano passado. A meta para 2013 passou para 4,5% e a de 2014 passou para 2,8%”.

 

Nem assim o Governo é confiável, até os analistas está céticos dos resultados  “O anúncio feito pelo governo espanhol nessa quarta-feira levanta dúvidas sobre com que rapidez a economia espanhola conseguirá sair da recessão, já que o país está cortando parte da renda dos trabalhadores, o que desacelera o consumo e, por fim, a atividade econômica. O governo de Rajoy já implementou medidas de austeridade no valor de mais de 45 bilhões de euros, mas a fraqueza da economia e a diminuição das receitas fiscais têm ameaçado tirar as metas de déficit do alcance”.

 

A situação apenas piora, mais compromissos e perda de autonomia acelera, sem nenhuma perspectiva de resolvam os problemas de quem realmente paga a conta: Os Trabalhadores e o Povo espanhol.

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