Crise 2.0: O Resgate Light da Espanha

 

Rajoy, nem rezando ajuda - Foto D.R.

Neste mês de junho completa um ano que iniciei a série Crise 2.0, começada quase por acaso, for tomando corpo, e hoje estamos com mais de 150 artigos publicados, para mim, uma enormidade, mas parece que os temas e sub-temas sobre a atual Crise do Capital, que denominamos de Crise 2.0, vão continuar como tema relevante no blog. O deslocamento do centro da Crise dos Eua para Europa foi o grande movimento do último ano, que acompanhamos longamente aqui.

 

Depois de se tornar centro da Crise, a própria Europa, também sente o deslocamento da Crise, de país a país, com uma força devastadora. Os primeiros a caírem foram: Irlanda e Portugal. A Grécia enfrenta uma prolongada agonia que dura quase 2 anos, mas que teve seu ápice no fim do ano passado, vem agonizando mês a mês, neste ano, terá um capitulo decisivo dia 17 de junho com a realização das novas eleições gerais. As primeiras eleições os partidários da Troika e seus planos foram derrotados, mas não houve como forma novo governo, nem a Esquerda, muito menos a extrema-direita, conseguiu uma maioria para formar um governo.

 

A Espanha sofre os efeitos da crise desde ano passado, mas a Grécia servia como biombo a esconder o tamanho do buraco que a Economia se meteu. Com a queda da Grécia, o foco passou a ser a Espanha e sua extrema fragilidade e risco imenso de explodir, levando toda a Europa junto. A Grécia tem um pequeno PIB que não chega a 2% da Zona do Euro, mas o PIB espanhol é 8 vezes maior que o grego, sendo a quarta economia da região. As proporções de uma queda teriam efeito mais perversos, dos que hoje, atinge o velho continente. Seria uma ampla tragédia, política e econômica.

 

Um resgate para Espanha, no mesmo estilo de Portugal, Irlanda e Grécia, também não resolve, pois a já baixa confiança do Euro, teria uma ruptura inevitável, pois os recursos e monitoramento/intervenção é de um porte muito maior, paralisaria de vez a Zona do Euro, os custos políticos  e sociais são impensáveis. Começa a se gestar uma saída “light”, como eles denominam, sem usar a palavra “Resgate”. Hoje estadão traz matéria de Jamil Chade, correspondente na Europa, que trata de forma apropriada o que se passa nos bastidores:

“A Espanha e a Comissão Europeia negociam um “resgate light”, que incluiria apenas uma ajuda a recapitalizar os bancos, sem a necessidade de Madri abrir mão de soberania econômica e nem passar pela humilhação de admitir a falência de sua capacidade de administrar suas contas. Ontem, Bruxelas sinalizou que está disposta a avaliar o projeto defendido pelos espanhóis e apoiado pela França. Mas a Alemanha insiste em rejeitar a opção, alegando que o fundo de estabilidade criado pela Europa só poderia ser concedido a governos, sob condições”.

Mas a fórmula apresentada pelo Governo espanhol encontra resistência da Alemanha, vejamos o que diz mais a reportagem:

“Para o governo de Mariano Rajoy, na Espanha, a ideia de uma ação direta da Europa e FMI aos bancos espanhóis poderia significar um alívio importante diante da pressão que está sofrendo dos mercados. Investidores duvidam da capacidade de Madri de injetar recursos suficientes para recapitalizar seus bancos, que ainda sofrem com a eclosão da bolha imobiliária.

[…]

“Berlim, que é quem mais contribui com o fundo, se nega a autorizar tal mudança e não hesitaria em usar de seu poder de veto. Para Steffen Seibert, porta-voz da chanceler Angela Merkel, Madri precisa primeiro saber quanto seria necessário para recapitalizar seus bancos. Além disso, apenas dar dinheiro, sem uma contrapartida dos governos, não seria algo que a Alemanha aprovaria. Ontem, Merkel jantou com o presidente da Comissão, José Manuel Durão Barroso. Eles discutiram este tema”. (Estadão, 05/06/2012)

 

Até uma teleconferência dos ministros da finanças do G7( ?) fará hoje, terá como tema a questão da Espanha, segundo a agência de notícia Dow Jones : as autoridades da UE terão de explicar aos outros membros do G-7 a situação da Espanha e o que eles estão fazendo para resolver a crise, no mesmo tipo de “prestação de contas” que fizeram no caso da Grécia.

 

Salvadores de banqueiros

 

Parece que a sina que os “tecnocratas”, impostos pela Troika, seja salvar os banqueiros falidos, aqueles que são os maiores responsáveis pelo tamanho e extensão da crise. Mas, agora, recebem dinheiro e mantém a doce vida como se nada tivessem a ver com os problemas de seus países. Semana passada a Grécia, usou 18 bilhões de Euros para salvar quatro bancos, a Espanha já gastou 13 bilhões com um único, Bankia, que precisa de mais 10 Bilhões.

 

Ontem  no artigo Crise 2.0: Espanha, como salvar os banqueiros, vimos que o Sr Botín, Presidente do Santander, pede apenas 40 bilhões de Euros para ajudar seus colegas de mais quatro bancos espanhóis, este pessoal não esconde sua cara de pau. Hoje somos informados que a falida Portugal também arrumou um jeitinho para ajudar seus banqueiros, com a bagatela de 6,65 bilhões de Euros, em breve mais 500 milhões para o Banif:

“O Banco Comercial Português (BCP) receberá a maior quantia (3,5 bilhões de euros), seguido pela estatal Caixa Geral de Depósitos (CGD), com 1,65 bilhão, e do Banco Português de Investimentos (BIS), com 1,5 bilhão.O Executivo conservador luso ressaltou que está “preparado” para apoiar outras entidades que necessitem, sempre que cumpram os requisitos estabelecidos. Outra entidade financeira que já anunciou que pedirá ajuda estatal será o Banco Internacional de Funchal (Banif), que poderia solicitar cerca de 500 milhões de euros, segundo a imprensa portuguesa”. ( EFE)

 

Falta Dinheiro para tudo, menos para os banqueiros, não importa o tamanho da crise.

 

0 thoughts on “Crise 2.0: O Resgate Light da Espanha”

  1. Perfeito, Arnobio! Podiam estar dando emprego, podiam estar investindo nas empresas pequenas e médias, mas não, estão sempre roubando e matando, isto é, sempre ajudando os bancos.

  2. Enquanto os espanhois e demais europeus votarem emcadidatos neoliberais vai ser assim. Rico mais rico, pobre mais pobre.

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