Crise 2.0: Cenário Global – Que Mundo Este?

 

 

A tarefa de entender e debater a Economia Mundial é fundamental para qualquer cidadão militante, que quer transformar o mundo e melhor intervir na sua realidade local. Aqui, na série sobre a Crise 2.0, fazemos um grande esforço para dá mais informações e subsídios para uma compreensão global da Crise, principalmente, as ações que contribuem decisivamente para que ela se estabeleça e se aprofunde. São quase 300 artigos, que de vez em quando tentamos sintetizar em ideias gerais e perspectivas do que estar por vir.

Ainda antes da virada do ano traçamos os cenários da economia política ( Crise 2.0: Cenário da Economia Mundial de 2013 e 2014 ) para os próximos dois anos, 2013 e 2014, diante dos quadros apresentados pelos principais organismos que analisam a economia global ( FMI, OCDE, Banco Mundial, Cepal). Assim como fizemos em 2012 (ver artigo Crise 2.0: O Fim da Crise?), diante destes mesmos dados traçamos nossas análises. O cenário quase otimista do início de 2012 não se confirmou, exceto os EUA com crescimento um pouco maior, a Europa desabou de vez, inclusive a Alemanha e França.

O ajuste de análise agora é buscar entender o que aconteceu, quais as falhas sistêmicas que levou o mundo a continuar a se mover na areia movediça da grande crise? Recuemos um pouco para melhor entendimento dos por quês.  Divido as crises em grande ciclos, que são entremeados em crise gerais ou paradigmáticas, assim teríamos três grandes crises sistêmicas globais: a de 1873-1891, a de 1929-1939 e a atual. Estas crises são de superprodução, que abalam e impõem novos paradigmas para a Economia, nestes longos ciclos, que separam as grandes crises, temos os ciclos menores de crises imensas, que funcionam como ajustes pontuais num grande ciclo. Como por exemplo a crise do petróleo(1968 à 1974), a crise das dívidas externas (1980  à 1987), e as breves crises dos Tigres(1994), Russa(1997).

O grande ajuste da economia na crise 1873-1891 foi a ter se oligopolizado, iniciando assim a época de um novo imperialismo que redundará na primeira grande guerra e a revolução russa.Do ponto de vista produtivo, a saída do capital foi mundialização da indústria e comércio, a introdução de novas técnicas produtivas, o que permitiu a recomposição das taxas de lucros, mas num mercado em disputa sangrenta, sem uma regulação clara, os Estado nacionais deram a dinâmica para a futura ruptura armada.

Com a grande crise de 1929-1939, houve o esgotamento completo do modelo de acumulação anterior, alguns países devastados pela primeira guerra tiveram dificuldades em se recompor, enquanto os vencedores pouco puderam desfrutar do espólio de guerra. A crise começa com o Crash da bolsa de valores de Nova York, já o centro do capitalismo mundial, se espalha por todas as regiões, uma queima de forças produtivas imensa, um longo período de desemprego massivo e falência. A saída agora foi o fortalecimento do Estado, a regulação e mais uma vez uma grande guerra, que ajudou a redefinir os novos donos do mundo.

O próprio Plano Marshall, feito pelos EUA para reconstrução da Europa, é um claro sinal de quem controlará o mundo, assim como determinará o novo modelo de acumulação, crescimento e lucro. A bipolaridade se dá de um lado o Estado centralizado com distribuição controlado de riquezas, via burocracia de estado, do outro lado o Estado, também centralizado, distribui de forma privada os ganhos coletivos, seu controle é feito por grandes corporações privadas, a própria indústria armamentista é uma expressão deste modelo.

Com a inflexão do padrão ouro, fim de Bretton Woods, o modelo começa a se ajustar, as crises de 68-74 e de 80-87, são a forma de ruptura ao modelo de Estado Centralizado, a bipolaridade vai se romper no fim dos anos 80. A Perestroika dos EUA/Europa(em parte) é bem sucedida, enquanto a do leste levou a sua completa ruptura. O germe do novo modelo, o Semi-Estado se dará de forma violenta, algo que se espelhará na América Latina, ambos com processos violentos de privatização e perda de direitos sociais substanciais. A ciranda financeira global, vitoriosa nos anos 70, se impõe ao mundo, todo o capital é submetido a ela.

O ajuste dentro do longo ciclo, iniciado em 1939, pois considero a Guerra parte do acerto global, só findará em 2005, no centro do Capital, mais uma vez nos EUA, todos os índices de emprego, preços e crescimento combinados com a especulação desenfreada dos bancos, se rompe. Por volta de julho/agosto daquele ano, começa um amplo processo de pulverização dos ganhos. Por dois anos os bancos se entupiram de créditos podres, os títulos tóxicos, sem nenhum controle da SEC ou FED, o que os leva a imensas quebras durante o ano de 2008, culminando com o Lehman Brothers um dos maiores bancos do mundo.

A Europa que acabara de se unificar, vivia período de crescimento e de grande otimismo, mas fruto do modelo de créditos sem limites, os bancos alemães e franceses entupiram a periferia de capital, numa ciranda mágica de opulência sem fim, países como Espanha, Portugal e Grécia foram artificialmente “enriquecidos”, o leste já não existia para assustá-los, o modelo não era distributivo, sim de empréstimo sem lastro na economia real. A Alemanha é o carro chefe do modelo, com sua grande produtividade e produção tecnológica, além dos maiores bancos a financiar o seu comércio externo, fez com que a Europa inteira se tornasse dependente completa de seus produtos e serviços.

Em menos de 10 anos o superavit comercial alemão ultrapassou 1 trilhão de Euros, porém com a queda dos EUA, dois anos depois(2007) os mesmos sintomas da superprodução abalou a Zona do Euro. Com um agravante ainda maior do que nos EUA, não há centralidade política ou fiscal, apenas um amplo acordo de moeda única e “livre comércio” que deve ser lido da Alemanha para os demais.

Aqui se concentra as razões da crise, os nós atados, que permaneceram, como disse Merkel por mais 5 anos, o que totalizará 10 anos de Crise na Europa. Os EUA, só teve PIB “positivo” em 2012, de 2006 até 2011 o PIB foi menor que o de 2005, descontada a inflação. Daqui vou dividir a segunda parte deste artigo, quais as perspectivas reais do Capital.

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