Crise 2.0: O Day after Espanhol

 

Quem paga o "salvamento"?

O post de ontem aqui na série sobre a  Crise 2.0, foi um resumo geral sobre o intenso e impiedoso mês para economia da Espanha, o artigo Crise 2.0: Espanha – Fim da Crise(?), Começo da Miséria! procurou levantar passo a passo o caminho até o pacote de 100 bilhões de Euros, a profunda derrota do Governo Espanhol, que na prática teve que pedir o resgate, mas queria ser “diferenciado” de Irlanda, Portugal e Grécia, mostrando que mesmo na lama, o espanhol mantém a empáfia.

 

Mas passadas as primeiras 24 horas da abertura do mercado, constatamos que os 100 bilhões teve efeito curtíssimo, o principal jornal espanhol, o El País, alimenta sua manchete principal da homepage a cada uma hora com os dados da economia do país, algo, no mínimo, estressante. Hoje tem um gráfico que demonstra que apenas nas primeiras 2 horas o prêmio de risco da dívida espanhola, baixou dos 500 pontos, frente a Alemanha, mas logo voltou ao patamar anterior. Os yelds de 10 que beliscava os 7% ao ano, teve discreto recuo, sem mantém acima de 6,5%. Pior, as manchetes são sempre as mesmas, a crise bancária continua.

O Prêmio de Risco Espanhol – Gráfico do El País

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A reação geral foi ruim, nem as bolsas se animaram, mas as críticas foram ácidas, Paul Krugman, admite que os bancos espanhóis precisavam ser salvos, mas dentro de um contexto que em primeiro lugar fosse vista a situação dos desempregados, não a dos bancos em primeiro lugar, seu artigo é paulada geral, vejamos alguns trechos do artigo “Nova ajuda a bancos” :

“Pois é, mais uma ajuda aos bancos, desta vez na Espanha. Quem poderia ter previsto tal coisa? Evidentemente a resposta é: qualquer pessoa. Na realidade, toda esta história começa a parecer uma rotina cômica. Mais uma vez, a economia derrapa, o desemprego vai às alturas, os bancos enfrentam dificuldades financeiras, os governos correm para ajudar, mas, não devemos deixar de observar: só os bancos recebem ajuda, não os desempregados”. […]

“não há nada de necessariamente errado nesse recente salvamento (embora muitas coisas dependam dos detalhes). Entretanto, o que impressiona é que, enquanto os líderes europeus organizavam essa operação de ajuda, eles indicavam que não tinham nenhuma intenção de mudar as estratégias que deixaram quase 25% dos trabalhadores espanhóis – e mais da metade dos seus jovens – sem uma ocupação“.

 

Mais ou menos segue a linha que tanto batemos aqui na série Crise 2.0, de que há dinheiro para salvar bancos, banqueiros, empresários, que na maioria das vezes usufruiu de amplos recursos, usou de forma pródiga, agora são prontamente ajudados, como se fosse normal, enquanto a população fica no desemprego e desespero para saber como sobreviverá, o recuo da economia, pune, SEMPRE, os trabalhadores, estes são convidados a apertar os cintos, viver de forma miserável, em nada se pune os banqueiros, empresários, que continuam na doce vida.

 

Como bem arremata Krugman: “Juntando tudo isso teremos o quadro de uma elite política europeia sempre disposta a pular para a ação para defender os bancos, mas nada disposta a admitir que suas políticas não estão atendendo às necessidades das pessoas às quais a economia deveria servir”.

 

Monitoramento Bancário

Ao contrário do que dizia o Governo Espanhol, haverá pesadas contrapartidas dos bancos e do governo, para receber a ajuda, a Troika vai agir e monitorar os sistema bancário espanhol: “Embora o momento, a quantidade e outros detalhes do resgate ao enfraquecido sistema bancário da Espanha não tenham ficado claros, autoridades europeias disseram que qualquer ajuda poderia vir com contrapartidas atreladas. “Mesmo dando o dinheiro, não dê ele de graça”, afirmou o vice presidente da Comissão Europeia, Joaquim Almunia, acrescentando que a diretoria da União Europeia poderia desempenhar um papel central na monitoração dos planos de reestruturação dos bancos. “Existem pessoas vindo para cá (para a Espanha) para garantir que o dinheiro será usado de maneira apropriada”,afirmou ele”. (Estadão, 12/06/2012)

 

O monitoramento será intenso, os bancos Alemães, Franceses e Ingleses, juntos têm mais de 300 bilhões de Euros nos títulos espanhóis, um quebra geral, em particular dos bancos, levaria à grandes perdas, daí a ajuda ser plenamente “justificável”, mais ainda o acompanhamento de como se usará este dinheiro “novo”.  Para variar as solução será criar um banco “podre” com os ativos tóxicos, que com certeza ficará para conta do povo espanhol, enquanto a parte boa, ficará com os banqueiros, uma “socialização” dos prejuízos e lucros.

“Permanece incerto se a estrutura proposta é suficiente para atingir uma separação efetiva dos riscos dos bancos”, afirma o BCE. Mas a autoridade monetária elogiou a criação de companhias de gestão de ativos, como exigido pela nova lei espanhola, para as quais as instituições de crédito vão transferir todos os ativos imobiliários cujas hipotecas foram executadas ou que foram recebidos como forma de pagamentos de empréstimos. Segundo o BCE, isso deve contribuir para aumentar a transparência nas carteiras de ativos imobiliários dos bancos e cria incentivos para a venda de ativos.

O BCE afirma, entretanto, que a nova legislação espanhola “não é muito específica” sobre a questão do financiamento dessas companhias que vão gerir os ativos, e se pode haver qualquer tipo de garantia governamental para essas empresas”. (agência Dow Jones, via Estadão, 12/06/2012).

 

Nada é por acaso, não existe almoço grátis, nem ajuda desinteressada. A questão que fica: Até quando o povo espanhol aguenta?

 

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