Crise 2.0: Privatizadores, agora privatizados

 

 

 

“não sei do meu amor
que misterioso fado
ai que segredos tem…

– só tenho medo
do grande Mar,
cuidado! “

(Madredeus – Cuidado)


A Crise 2.0  tem derrubado alguns mitos, em particular para nós brasileiros, nos anos 90, o Brasil sob o receituário do FMI teve que privatizar uma gama enorme de empresas. Portugal e Espanha foram os ferozes compradores, associados ou em disputa entre si. Era dinheiro que não se sabia de onde, que empresas menores que as locais, chegavam aqui e compravam gigantes, afora este mistério, eles voltaram como novos conquistadores. E agora como estão?

 

Portugal : D. Sebastião não voltou…

 

Uma semana extremamente impiedosa com Portugal, este talvez seja o ano para esquecer e mais uma vez D. Sebastião não aportou nas praias, vindo do além mar. O Fado volta ao centro da alma do país, pois só resta o choro e o desespero, mais uma vez o continente vira as costas para Portugal.

De um só feito Portugal perdeu o “grau de investimentos” caindo suas notas de classificação de riscos para “Crédito Podre”, mesmo com ela sendo monitorada pela “troika” (BCE, UE e FMI), não foi suficiente para descer um pouco mais ao inferno. Mas as piores notícias vieram no fim de semana: PIB cairá 3% em 2012 e o plano de austeridade de reduzir o déficit público para 5,9% não será cumprido.

Os trabalhadores resistem fortemente, fizeram uma greve geral com grande adesão, o que irritou o governo de direita que acusa os sindicatos de sabotarem o plano de emergência para sair da crise. A situação se agrava, não se vislumbra mais aquela empáfia dos privatizadores da América Latina e África dos fins dos anos de 1990, aquele dinheiro farto, secou, só sobrou a lamúria e os embates internos.

A “troika” impõe a Portugal que ela tome do veneno que distribuiu, por exemplo, no Brasil, com as privatizações. As empresa estatais ou com “golden share” do governo português tem que ser privatizadas imediatamente, adivinhem quem serão os possíveis compradores? Há um pedido especial da “Troika” que o Brasil seja o coordenador destas compras, pois a UE não tem interesse e caixa para fazê-lo e há receio do dinheiro chinês.

 

Espanha: Touro corre solto em Madrid..

 

Do outro lado da Ibéria, Espanha viveu uma semana agitada, as eleições que prometiam abrir alguma expectativa positiva vão paulatinamente se tornando um peso, o vitorioso não conseguiu produzir uma única matéria positiva desde que se elegeu, além de estar sob pressão para que diga claramente o que fará.

A Espanha tem um agravante maior que Portugal, seu tamanho, principalmente de sua enorme dívida, em 2012 ela precisará de 110 bilhões de Euros apenas para rolar sua dívida, mas estas se tornando vencidas antecipadamente são o risco, soma 700 bilhões. Onde encontrará dinheiro para cobrir o menor ou o maior rombo?

A bolsa de valores de Madrid caiu 7% na semana e 22% no ano, indicio muito claro que a “confiança” dos “mercados”, esta entidade esotérica, não quer saber de eleições ou de governos que não têm planos que lhe agrade. Para fechar a situação Rajoy foi “convocado” a prestar conta à Merkhozy, na próxima semana, e TEM que levar um plano, senão voltará de mãos abanando, mesmo no frio europeu.

A receita imposta será a básica de sempre: Privatizações, redução das aposentadorias, ajuste fiscal, corte de gastos públicos. Para um país que vive uma crise violenta, em particular com desemprego em massa, parece ilógico que um receituário destes funcione, sem uma desagregação interna.

 

0 thoughts on “Crise 2.0: Privatizadores, agora privatizados”

  1. Que coisa, 110 bilhões — BILHÕES — apenas pra rolar a dívida!!! Os meses passam e nada muda. Pobre povo espanhol, pobre povo português…

    Curiosa pra saber que fim terão aqueles 5 mil, 10 mil ou 15 mil (os dados são incertos) empregos super bem pagos que espanhóis, portugueses e franceses ganharam no Brasil, deixando ao léu outros tantos engenheiros brasileiros…

  2. “Num momento em que o desemprego sobe em todo o mundo, a mensagem que eu tenho para os portugueses é que não deixem os desempregados sozinhos, que tudo façam para desenvolver os mecanismos sociais que permitam acompanhar essas pessoas e que permitam ao estado desenvolver atividades necessárias para que as pessoas possam recuperar seus empregos”,

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