
Brava gente brasileira
Longe vá, temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil
(Hino da Independência)
As icônicas imagens de Lula nas manifestações, especialmente na Paulista, geraram a Virada Histórica, improvável, tida como impossível: o ciclo virtuoso das Ruas (iniciadas na UFF – Universidade Federal Fluminense) para as Redes Sociais (o “Exército do Lula”, de Janones) e das Redes para as Ruas.
O desejo de participar desse momento único, o impulso de uma imagem nas Redes Sociais capturada nas Ruas e a incrível sensação de se ver fazendo história — sendo parte da história real e viva — é o que explica aquela energia insana. O êxtase (o sair de si), como o experimentado pelas sacerdotisas de Eleusis, pelas religiões de matriz africana, ou em templos religiosos com cantos e entusiasmos; como num show de rock, num Carnaval, no Teatro.
Lula incorporou um pop star sendo adorado. As pessoas queriam vê-lo, tocá-lo, receber um aceno, um olhar, um beijo, em cenas poucas vezes vistas no Brasil. Lula se agigantou. Ele é um ser humano real cuja lenda, de repente, volta a ser uma lenda ainda maior. Ele captou a mensagem de forma rápida e urgente: a de que, num curto espaço de tempo, se reconectou às Ruas e descobriu as Redes Sociais de forma real.
Aquelas cenas das greves do ABC, que derrubaram a ditadura, voltaram no seu ato final.
E foi vitorioso.
A mudança veio das ruas e das redes sociais; a “ficha caiu”. O salto alto da extrema-direita, anunciando ministros e medidas, desrespeitando os eleitores, teve um preço alto. Houve movimentos espontâneos de ruas pelos jovens, o “exército do Lula” nas redes e um sentimento de que o país não cairia nas mãos dos EUA, evitando o fim dos direitos sociais e políticos.
A arrogância do candidato Flávio Bolsonaro, aliados e da sua turma do mercado e do centrão, sentando na cadeira sem estarem eleitos, contribuiu para uma reflexão melhor sobre o futuro. Naquele momento, eles mostraram suas armas letais contra o povo, os trabalhadores e trabalhadoras, os aposentados e a democracia, combinando tudo isso com a tentativa de censura, a truculência e a postura nos debates.
Enquanto Lula e a Esquerda, todos os que defendem a DEMOCRACIA, voltaram de vez às Ruas e ocuparam as Redes, a outra candidatura passou a ser vista como o “Sistema”, a crueza de uma realidade já vivida. Lula e Alckmin representaram uma opção segura para o país para se manter nos eixos e uma confiança de uma aliança improvável, mas que funcionou bem e precisava ser mantida, em outro patamar.
Então, a chave foi virada, sem dúvida, especialmente nos últimos dias de campanha, foi a atuação do “General” Janones (um dos maiores nomes dessa história), ele passou a exprimir o sentimento de vitória, mexendo com todos e todas de forma alegre, com bom humor e ideias que envolviam o desejo coletivo vitória de forma mais íntima, uma mensagem repetida: Lula é grande, o de que o Brasil não seria colônia dos EUA e não se curvaria a um defensor de miliciano, playboy vazio, tolo e arrogante.
O romantismo da vitória e a energia positiva pulsam no Brasil — uma corrente de mudança e uma rara sintonia entre o personagem principal e todas e todos. O esforço dos idosos para irem votar jamais será esquecido; foi uma declaração de amor ao país poucas vezes vista. Uma espécie de Revolução em que a juventude acorda e defende a brava gente brasileira, algo que reverberou para os mais velhos e ganhou corações e mentes por todo o Brasil.
VIVA LULA, VIVA o BRASIL!