Letícia hoje faria 29 anos...

Letícia Rocha (em nossas memórias, em nossos corações e todo o nosso amor)
Ninguém, absolutamente ninguém, deveria passar pelo que passamos — pais e irmã —, perder a nossa Letícia. Hoje ela faria 29 anos, e desde aquele dia, 18.11.18, quando ela tinha 21 anos, me pergunto como ela seria dia a dia, semana a semana, mês a mês, ano a ano. O vazio de respostas me mata, machuca e torna a minha vida uma mera sobrevivência.
Seria hoje uma festa?
Sei lá, poderia estar casada, com um filho, teria concluído Odontologia na USP (estava indo para o quarto ano), teria feito mestrado, doutorado? Ela amava aquele lugar com todas as suas forças. Entrou na faculdade quando enfrentava o segundo tratamento de leucemia. Toda quarta-feira, pela manhã, passava pela quimioterapia e, de lá, saía direto para as aulas. Que força incomum ela tinha, que destemor, que vontade de viver, mesmo nas piores condições.
Tantas coisas vivemos em 21 anos. Seu nascimento, às 16:16 daquele sábado frio, 20.09.97, na Maternidade São Luiz: ela saindo de dentro da mãe, ávida para mamar. Uma pequena que teve todo o amor possível e tudo o que podíamos dar. Depois, com a irmã, que no começo ela pensava ser uma boneca, tentando tirá-la do berço para balançar, para o nosso desespero. Sempre cuidadosa, carinhosa, companheirinha e ligada em tudo o que acontecia, desde cedo.
Enfrentou todas as dores de dois tratamentos cavalares contra a leucemia (de junho de 2010 a dezembro de 2012 e, depois, de janeiro de 2015 a julho de 2017). Sofria em silêncio, passava noites em claro por causa dos remédios que causavam dores, insônia e alucinações, mas não nos acordava. Era estoica e firme.
Por que se foi? Para que ficamos aqui?
Apenas saudades e dor, que nenhum tempo curará!
As lembranças de nossas viagens (Fortaleza, EUA, Chile, São José dos Campos e ouvindo as mesmas músicas Going to California) outras que não fizemos, filmes (desde desenhos, Harry Potter, Senhor dos Anéis, Vingadores), músicas (Imagine Dragons), séries (I-carly, Hanna Montanna, no hospital), livros e livros, as nossas idas para USP ensinando a dirigir.
POR QUE?