Ela era brilhante,,,

Sim, há dias que não deveriam existir, mas eles existem (existiram) para dizer que não entidades superiores (boas?) que conspiram contra um, ou contra um coletivo, somos o que somos, suportaremos os fardos contra nós? Nenhuma dor que sinto é maior do que a de qualquer outra pessoal, seja ela a que for (dor, pessoa), apenas sentem, claro que as dores coletivas não se comparam e entrar para história, como as bombas atômicas, as guerras, os massacres, os genocídios, ou catástrofes naturais, terremotos, tsunamis.
Todos esses eventos machucam a humanidade, então o que sinto em particular, é apenas restrito e não tem repercussão na vida de ninguém, enquanto o mundo dançava o waka waka, com todo o prazer e comemoração (justa) coletiva, nós estávamos num hospital em São Paulo e vivemos a copa da África do Sul ali, numa terrível coincidência, não joguei e nem jogo praga ao mundo, sobre o destino funesto que nos abateu, especialmente sobre Letícia e sobre nós (Mara, Luana e Eu).
A questão é essa, para nós o dia não deveria existir, 11.06.2010, mas ele houve, assim como o 18.11.18, o dia em que ela partiu. O dia seguinte é o que cada um pode suportar, absorver e seguir (ou não), não há culpa ou arrependimento, apenas existiu, deveria? Não, não.
Sem raiva, sem mágoas, a vida foi eclipsada pela dor, não significando que ela parou (aos demais, normal que siga), apenas ela se tornou diferente, completamente diferente, penso que os dias, as semanas, os meses e os anos passaram e passarão, no máximo vamos nos desviando do tema, como no esconde-esconde, não há como esquecer, talvez tenhamos nos perdoado, e eventualmente haverão hiatos de felicidade, é justo, incompleta para mim, silenciar para curtir.
Hoje, ou no 18.11, é apenas um dia, para aquelas datas, elas existiram.
Sheets of empty canvas, untouched sheets of clayWere laid spread out before me, as her body once didAll five horizons revolved around her soul, as the Earth to the SunNow the air I tasted and breathed has taken a turn