A Morte de Júlio César (1806) de Vincenzo Camuccini

“Aos homens sobrevive o mal que fazem, mas o bem quase sempre com seus ossos fica enterrado. Seja assim com César” (Júlio César – W. Shakespeare)
Looping… e voltando!
Chegamos aos idos de março, e é como se uma assombração de Brutus se repetisse e novamente, ou seria minha existência que tem um eterno retorno, até que se apague, não para entrar na grande história, como de Caius Iulius Caesar, apenas um vivente comum, sem maiores atrativos, ou atributos especiais.
Então, vejamos que a monumental peça de Shakespeare, Júlio Cesar, que saber poderia ser também Vidas Comparadas, de Plutarco, que hoje pululam sobre minha cabeça, mais ou menos assim: A segunda, como existência e tempo, a outra, do bardo inglês como poesia, ambas, à sua maneira, trazem lições distintas sobre os idos de março, ou sobre o significado de nossas vidas comuns.
Ora, nos conta Plutarco que:
“César tendo nascido para realizar grandes coisas e tendo por natural, uma inclinação ambiciosa para as honras, a prosperidade de suas conquistas e feitos passados, não o excitavam a querer gozar em paz e na tranquilidade do fruto dos seus labores, mas ao contrário, animavam-no e o encorajavam a empreender novas guerras para o futuro; ele as andava imaginando e arquitetando e em sua mente formava as mais perigosas e audaciosas empresas, sempre com um desejo de novas glórias, como se a presente já lhe fosse inteiramente passada.”
Para além dos grandes nomes da história, como heróis, aqueles intermediários entre nós e os deuses, não importando onde ou sobre os seus feitos, eles acontecem como inspiração ou como limites de uma vida medíocre, daquela que nos assalta em vãos devaneios de que mesmo sabendo o que sabemos, nada nos fará maiores do que nossas moiras nos esculpiu, fomos fiados para nosso metron, não mais que ele, o destino.
É a consciência do que somos, ou para aquilo que fomos talhados que nos definem, às vezes pensando longe, quase sempre vivendo do possível e do que nos é próprio.
Os idos de março, por outra mão, também dizem que mesmo para os grandes, a vida física tem seu termo, por violência (como consequência) contra si, ainda que avisados, o presente não lhes basta, a certeza de um nome que será repetido milhares anos depois, e segue, para nós outros um pequeno lugar e nome, nada extraordinário, mas não ordinário, quando descobrimos que há grandes feitos, mas sem os pequenos nenhum outro existe.
E mesmo Júlio César zombou da sorte, ou do destino:
“Os Idos de Março chegaram”, e o adivinho respondeu-lhe baixinho: “Deveras, chegaram, César, mas ainda não passaram”