De Telecomunicações ao Direito – As Mudanças da Vida e os Medos!


Viver é lutar, aqui com o camarada Francisco de Assis na manifestação Vozes do Silêncio.

Há exatamente cinco anos encerrei uma longa fase da minha vida, foi meu último dia de “carteira assinada” e de telecomunicações, o dia em que assumi definitivamente a advocacia. Uma história de vida e de uma nova vida.

A vida é feita de fases, ciclos, de mudanças e rupturas. Quase todas as partidas são complexas e cheias de medos, o que será o dia seguinte, mesmo quando as situações vividas possam ser desgastadas, o Novo é sempre um perigo, provoca um temor de que não deveria ter saído, mantido.

Algumas mudanças na minha vida foram por decisões que não dependeram de mim, mas me afetaram profundamente. A primeira delas foi em julho de 1981, quando nos mudamos de Bela Cruz para morar em Fortaleza, tudo aquilo foi muito repentino e estranho, era final da férias, tinha estava na sexta série, e no mês seguinte, uma nova escola, tudo muito diferente.

Exatamente 8 anos depois, em julho de 1989, fui embora de Fortaleza, vindo para São Paulo, a mais radical mudança da minha vida. Os oito anos que vivi em Fortaleza foram extremamente intensos, em dois anos e meio, já convivia no ambiente da Escola Técnica Federal do Ceará, movimento estudantil, militância política, de um garoto de uma pequena cidade ao líder juvenil da grande cidade, um salto enorme.

Quando cheguei em São Paulo, uns trocados no bolso, o diploma de Técnico em Telecomunicações, muitos sonhos de revolução, a “sorte” me sorriu em me empregar na primeira semana, uma empresa japonesa do grupo NEC, uma das grandes empresas de Telecomunicações no Brasil e no mundo, bom salário, moradia e muitas viagens, aprendizado e urgência deles em nos formar.

Foram 10 anos no grupo, passei por duas empresas do grupo, até morar no Japão, depois ao voltar, trabalhar na empresa principal, já como especialista no promissor mercado de Telefonia Celular, as grandes mudanças de telefonia fixa para móvel, longas jornadas de trabalho, para sincronizar as equipes no Japão e no Brasil.

Nos dois anos seguintes uma pequena passagem pela Vivo e depois o maior salto na carreira, trabalhar na Ericsson, a empresa sueca, a maior companhia de infraestrutura de telecomunicações do mundo. Vim do grande concorrente deles no Brasil, a adaptação foi rápida, ótimas condições de trabalho, reconhecimento intelectual e financeiro, uma jornada espetacular.

No início de 2002, fui convidado para mudar completamente no mundo de telecomunicações, trabalhar numa operadora, a Vésper, depois vendida para Embratel, que foi adquirida pelo grupo mexicano América Movil, muitas mudanças, mas que fui sobrevivendo, em paralelo, 2003-2007, cursava Direito, logo em janeiro de 2008, exame da OAB e me tornei advogado, mas continuei trabalhando com telecomunicações.

Por circunstâncias alheias a minha vontade, a doença da minha filha, não permitiu que em 2010 mudasse de ramo, de Engenharia para Direito. Deu-se pela gravidade da doença (Leucemia), o plano de saúde e a segurança de trabalho, salário, estabilidade (relativa), o primeiro ciclo da doença, depois a recidiva em 2015.

Entretanto, em 3 de abril de 2017, uma segunda-feira, depois do almoço fui chamado à sala de reunião e lá me demitiram, depois de 15 anos de trabalho, mesmo com minha filha ainda sob tratamento de Leucemia. A negociação foi tensa porque não tinha como perder o plano de saúde, durante o tratamento complexo. Ela terminou essa fase em julho de 2017, infelizmente voltou a adoecer me novembro de 2018, não resistindo, faleceu em 18.11.18.

Daquela sala de reunião saí meio zonzo, uma mistura de alívio, pois não queria mais trabalhar na área, mas, ao mesmo tempo, as incertezas de uma grande mudança, assumir a advocacia, 9 anos depois de ter recebido a carteira da OAB, mas começar do ZERO, num momento de queda geral do Brasil.

Hoje, cinco anos depois, ainda estou absorvendo tantas mudanças.

Assumi definitivamente a responsabilidade de advogar, dia seguinte, estava inscrito na prefeitura de São Paulo, na OAB pedi um token, pronto para o que viesse. Procurei meus amigos de faculdade e me dispus a fazer audiências, aprender, conhecer o dia a dia, sem nem me preocupar com ganhos, mas para me familiarizar com o novo mundo.

Um ano depois fui ao seminário de fundação da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), logo depois estava na disputa da OAB, vencemos e já me vi participando da vida OAB, na Comissão de Direitos Humanos, três anos de tantas lutas, fui conselheiro estadual da OAB-SP por 5 meses, fui candidato ao conselho nas últimas eleições e agora no Sindicato dos Advogados de São Paulo (SASP),  tudo muito novo e rápido.

São cinco anos, no meio deles, tragédias pessoais e conquistas, a maior dela, continuar vivo, e viver é lutar pela dignidade humana.

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