A Queda do Futebol Brasileiro e os Treinadores Estrangeiros.


A invasão de treinadores estrangeiros podem salvar o futebol brasileiro?

O futebol brasileiro entrou em crise violenta no século XXI, não apenas porque a última conquista de Copa do Mundo se deu em 2002, há 20 anos, com aquela que seria a última grande seleção brasileira, com pelo menos 3 craques excepcionais (Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo) e mais pelo menos 5 excelentes jogadores (Marcos, Cafu, Roberto Carlos, Kaká e Gilberto Silva).

O futebol europeu foi se distanciando de forma acelerada, com a Premier League com os times fabulosos (Manchester United, Liverpool e Arsenal), depois com as seleções (com dinheiro sabe-se lá de onde): Chelsea e Manchester City. Claro que os galácticos Real Madrid e o Barcelona de Messi, Iniesta e Xavi, fora deles, ainda tem a máquina de títulos do rico Bayern de Munique. Paris Saint Germain, por enquanto muito dinheiro e nenhuma identidade.

A UE favoreceu o trânsito interno de jogadores, o que facilitou os clubes e mesmo seleções como França e Espanha, além da poderosa Alemanha, formarem craques em seus solos, ou jogando em ligas vizinhas, rapidamente reunindo as seleções, com eliminatórias fortes e Eurocopa virou uma mini-Copa, fortalecendo as seleções e uma preparação maior para os grandes clássicos mundiais.

O futebol brasileiro, argentino e uruguaio (até o paraguaio), começaram a sentir o peso da concorrência quando praticamente 100% de suas seleções passaram a ser formadas por jogadores expatriados, sem identificações locais, quase nem jogam o tipo de futebol que caracterizavas essas poderosas escolas.

A distância se aprofundou de forma inacreditável. Os mundiais da FIFA, nos últimos 10 anos, apenas um campeão veio da América, o Corinthians de 2012, antes, São Paulo e Internacional, tinham vencido. Nos últimos anos, a diferença de times impressiona, houve uma disputa digna entre Flamengo x Liverpool e Palmeiras x Chelsea, mas não com chance real.

O fundo do poço do campeonato brasileiro se deu quando o time limitado e dedicado do Corinthians venceu em 2017. Depois dali, houve uma concentração de investimento quase individual no Palmeiras e no Atléticos Mineiro e a força econômica do Flamengo, com a dívida bilionária que sumiu, numa engenharia financeira pouco explicada. Agora as SAFs (Sociedade Anônima de Futebol) viraram como salvação de times decadentes?

A grande mudança dos 3 times, além dos grandes elencos (para a realidade do futebol brasileiro), passou pela contratação de técnicos estrangeiros, dois portugueses (Jorge Jesus e Abel Ferreira) e Atlético Mineiro, primeiro com o Chileno Sampaoli, depois com grandes contratações, Cuca e agora, o argentino Antonio Mohamed.

O Fortaleza contratou um técnico argentino, Pablo Vojvoda, que mesmo com um elenco limitado, subiu de patamar, chegando em 4º lugar no Campeonato, justamente atrás dos 3 grandes, Atlético, Flamengo e Palmeiras (que foi campeão da Libertadores). Flamengo, depois de Jorge Jesus, tentou com Rogério Ceni e Renato Gaúcho, voltou a contratar um treinador português, Paulo Sousa.

Aparentemente não é um modismo, o excelente Abel Ferreira, que não tinha grandes trabalhos na Europa, se tornou um vencedor no Brasil, com times bem montados, com bons elencos, mas é perceptível que ele trabalha bem o time, tira o melhor de jogadores e tem um time acertado, vencendo duas libertadores seguidas, o que é muita coisa.

O Corinthians acabou de trazer um técnico português, Victor Pereira, ainda no início do trabalho, mas  segue a tendência dos outros times. O São Paulo teve o argentino Hernan Crespo, no ano passado, depois de quase 10 anos, voltou a ganhar um título, o Paulista, mas não teve paciência, o trocando no brasileiro, mas é visível a diferença de trabalho.

A crise técnica do Brasil, além de uma falta generalizada de craques, aqui e mesmo lá fora, apenas Neymar (em má fase) parece ser o diferente. Um excelente goleiro, e apenas jogadores comuns, com um decadente Daniel Alves ainda convocado. O descuido dos clubes com sua bases, a invasão dos clubes europeus levando os jogadores ainda nas categorias de base, pois têm dinheiro e estrutura.

Faltam grandes treinadores, os últimos Telê, Luxemburgo, Felipão e Tite, no nível menor, Cuca, Renato Gaúcho, Mano Menezes e Leão, apenas Cuca parece ter alguma novidade nos seus times. Os novos treinadores são “queimados” por falta de projetos de longo prazo e suas ambições pessoais, Ceni, Diniz, Roger Machado, Carille.

É importante saber que Abel Ferreira esteja cotado para assumir a seleção brasileira, com justiça, poderia ser logo nessa copa. Os números do Brasil nas eliminatórias não podem esconder o péssimo futebol, raramente uma grande partida, pode ser que cresça, melhore, até vença a copa, mas não é o que vemos, não empolga nem mesmo o mais Pacheco.

A CBF e as federações estaduais, refletem os desmandos, a falência do futebol brasileiro, os clubes não se movimentam para criar sua independência, formar uma liga com as duas séries, A e B, bem vendidas, calendário europeu, cláusula para manter equilíbrio e desenvolvimento dos jovens atletas, para que permaneçam mais tempo, que os clubes não troquem de treinadores, entre outras situações.

É isso ou passar vexames, como levar de 7 x 1 para Alemanha, ou perder para seleções medianas como Holanda e Bélgica, ou a decadente França, em 2006.

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