Agências de Ri(s)cos ou A Máquina Mortífera

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Rating – exercício aleatório e bem pago, sem compromisso com a realidade.

Hoje foi manchete dos jornais, quase uma comemoração, de que a “famosa” standard & Poor’s AMEAÇA rebaixar a nota do Brasil, por sinais “ambíguos”  e perda de credibilidade. Vejam que interessante, a desmoralizada agência de classificação de riscos, ameaçando mais uma vez um país e contando com o aplauso de uma mídia cada vez mais burra e divorciada da realidade, apenas interessada em acossar o governo com oposição não a ele, mas ao país como um todo.

Cerca de um ano e meio escrevi um texto no  Crise 2.0  explicando o que são as tais agências e o papel nefasto delas, antes e agora na atual crise. Vamos ao artigo,pois está muito atual:

“Como não sei se todos estão familiarizados com o que são as famosas Agências de Ri(s)cos vou tentar explicar, grosso modo, como elas funcionam. Fundamentalmente elas são grupos especializados em ler e interpretar dados de economia de uma empresa, grupo econômico e por vezes de países, para que recomende aos seus clientes onde melhor aplicar seu dinheiro.

Em tese esta é a função que nos anos 70/80 era parte da estruturas dos grandes bancos. Nos anos 90/00 com a reestruturação do sistema financeiro estas Agência se tornaram grupos autônomos que vendem seus serviços não só aos bancos, como também empresas, fundos de pensões e governos.

Porém, na recente crise do subprimes, estas agências foram postas à nu, pois longe de efetivamente elas analisarem e ter cenários econômicos precisos sobre os investimentos, elas simplesmente entraram na ciranda financeira, fazendo recomendações de altíssimos ricos, pois suas notas passaram a ter muito peso para as empresas e instituições analisadas. Um exemplo clássico é que Lehman Brothers era AAA, a máxima nota, um mês antes de ruir completamente.

A falta de órgãos reguladores fortes e atuantes provocada pela onda neoliberal, em particular nos EUA, fez crescer mais o valor destas agências privadas, pouco importando os métodos de atuação e precisão científica de suas analises.

Países inteiros passaram a depender de grupos yuppies com seus ternos modernos, lembro de uma porta voz da S&P no Brasil, não tinha nem 30 anos, impondo “regras” de economia ao Brasil, mostrando o caminho para um governo de 190 milhões de pessoas, com uma arrogância de dar nojo.

A S&P condenou a Espanha a mais sofrimento(2011), rebaixou sua nota soberana e com um cínico comunicado, uma pérola digna de Mailson: Apesar dos sinais de resistência no desempenho econômico em 2011, vemos riscos destacados para as perspectivas de crescimento da Espanha devido à alta taxa de desemprego, duras condições financeiras, o nível ainda elevado da dívida do setor privado e a provável desaceleração econômica nos principais parceiros comerciais da Espanha

No ponto que mais há sacrifício do povo espanhol, já tão punido pela desastrada situação econômica, a S&P lhe impõe mais um problema, o que agravou sobremaneira a cambaleante economia do país. A frase de Delfim Neto, sobre as agências, é o que melhor as define: “As agências são todas 171″

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

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Nara Leão

sex jun 7 , 2013
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