A Intimidade da Escrita.


Os monges copistas salvaram a cultura ocidental das trevas medievais, faremos o mesmo com o obscurantismo das redes sociais?

O método, ou o não método, de escrever, é escrever. È deixar com que todas as palavras se juntem e digam algo que faça algum sentido, claro, guarde uma lógica, em que possa fazer com que quem leia, pense: Pode não ser nada, mas é um texto. De certa forma que me faz lembrar as redações de quando era criança, ou adolescente, em que recebia boas notas, e recados: “Mesmo não sendo o que foi pedido, a estrutura está correta e a criatividade vale mais que o tema“.

Meu sofrimento com pedidos para que escreva sobre coisas determinadas, pauta, temas, pessoas, é grande, uma dor terrível, obrigação não é comigo. Até posso ter escrito aqui neste blog quase 2.000 artigos, sei lá quantos em outros espaços, como DCM, Brasil 247, GGN, ABJD, Migalhas, etc. Mas a obrigação me mata, nunca me fez bem, é a rebeldia.

A responsabilidade, ou irresponsabilidade, sobre o que é publicado neste blog é completamente minha, não tenho compromisso com resultados financeiros, acadêmicos e nem é “prova de redação”, mas é como se fosse. Muitas vezes o vazio de ideias, inspiração, é transformado em desafio para surgir um texto, sem tema, ainda que meus velhos mestres não estejam mais por aqui para mandarem o bilhete, agora é brincar com as palavras.

A técnica de redigir foi evoluindo, e uma pequena lição do querido amigo, mestre, Walter Falceta Jr, foi fundamental para uma mudança na forma (não sei se de conteúdo). Grande redator, Walter, um dia me disse: Gosto do que você escreve, apenas olhe o tamanho dos parágrafos, ele têm que se adequar ao que cabe na tela de um celular, segundo, texto muito longos é certeza de que não será lido, ademais que não consegue dizer em 30 linhas, não dirá em 50,100, por fim, você concorre com bilhões de textos na internet, não se preocupe com quantos lerão, mas com os que lerão”.

Entendi a dica, como isso foi lá por 2016, as telas do celular hoje são um pouco maiores, mas não suficiente para que os parágrafos sejam maiores do que 5 linhas corridas medidas no notebook, cheguei ao parâmetro. Mais difícil é a concisão, a capacidade de síntese, para evitar textos longos e prolixos, por fim, antes dele me dizer, tinha uns 3 anos que ligara o “foda-se”, lerá quem quiser, isso não será o “driver” para continuar ou parar de escrever, apenas farei enquanto tiver prazer.

Enfim, esse espaço, por mais rude que seja, ele segue uma lógica, uma vontade e tem um propósito simples, nenhuma sofisticação, é para poucas pessoas, eventualmente, surgem mais leitores, o que não faz diferença para mim. Por vários momentos pensava que seria uma forma de me comunicar com as minhas filhas, bem, nem sei se elas curtem, anyway, é isso.

Afora e noves fora, outra série de subjetividades, dores e prazeres, tantas coisas vistas, lidas e ouvidas, talvez ainda haja lenha para queimar, depende da vida e das músicas.

Imaginem com uma playlist dessas?

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