Direitos Humanos x Direitos Negativos – Do Neoliberalismo ao Ultraliberalismo – Parte III

As lutas pelos direitos fundamentais na época do Ultraliberalismo

EUA: Império Único, Senhor do Mundo, da Economia, da Ideologia e das Guerras

 

Reagan e a vitória neoliberal

Os EUA se constituíram no pós-guerra como o maior império econômico da história, dos tempos modernos, a sua invejável máquina atômica que rivalizava com a URSS, teve a capacidade de desenvolvimento econômico, bem-estar e capacidade de comandar (pela força econômica, política e militar) todas as nações capitalistas.

Esse poder ainda tinha o contraponto ideológico do leste europeu, que, de certa forma, serviu para consolidar a influência dos EUA no mundo “livre” contra o fantasma do “comunismo”, a reconstrução da Europa do pós-guerra, a exportação de capitais para América Latina, para Japão, Coréia do Sul, tornou o império mais forte e poderoso.

O que faltava era a queda do leste, o isolamento político, já se dava nos anos 70 e a pressão sobre o leste foi ainda maior, no final dos anos 80, até a queda do muro de Berlim, e a queda de todos aliados da antiga URSS.

O ciclo neoliberal mais forte e ideológico americano deu-se durante o duro governo Reagan, que foi amplamente vitorioso na luta ideológico ao império soviético, como diz Macbeth depois das revelações das bruxas “tudo que nos parecia sólido sumiu ao vento como nossos anelos”.

Reagan conseguiu eleger seu vice, Bush Pai, respaldado pela vitória anticomunista, sem inimigos claros no mundo. A base da economia americana no pós-guerra era a indústria bélica, bilhões de orçamento público era gasto para deter o inimigo vermelho, com seu fim ela em si perderia a razão lógica de existir. Se não havia contraponto no mundo para que manter algo surreal como ela?

Ledo engano, a pretexto de proteger suas posições no Golfo Pérsico, em 1991, Bush invadi o Iraque, seus leiais aliados de combate contra o Irã. A malsucedida invasão, do ponto de vista militar, pois não derrubou Sadam Hussein, reanimou a economia, não o suficiente para garantir um segundo mandato a Bush.

Clinton e os anos dourados do neoliberalismo

Uma surpresa total para EUA foi a vitória de Clinton, ex-governador de Arkansas, estado pequeno e secundário nos EUA. Com uma trajetória de militância política em causas sociais, Clinton chega a Casa Branca e lidera por 8 longos anos um dos maiores crescimentos da economia americana, sem que houvesse um grande conflito externo.

Favorecido pela liderança única americana no cenário mundial impôs uma política de expansão das empresas e influência americana baseada no dólar e no mercado financeiro.

Caminhava para garantir um terceiro mandato com Al Gore, seu vice, mas foi atingindo pelos escândalos sexuais, a direita americana pudica até uma tentativa de impedimento cogitou, safando-se por muito pouco. Esta perda de confiança fez com que não tivesse a coragem suficiente de enfrentar a fraude da família Bush na Flórida.

Bush Jr a volta dos senhores da guerra

O episódio de vencer, sem ganhar, levou a uma mudança completa de atitude do Governo Americano, que experimentou uma defensiva externa, questionamento e foi atacado pela primeira vez em seu solo. Os episódios do 11 de Setembro de 2001 foi uma dura resposta tardia a presença americana no oriente médio.

Novo recrudescimento interno e externo deu uma nova guerra ao Iraque a família Bush, detentora de petróleo e amplamente financiada pelos lobbies da indústria bélica.

O medo extremo imposto ao estilo de vida americano deu ao Bush Filho seu segundo mandato. Este, porém foi um fiasco total, atolados numa guerra sem saída, a economia sem responder, foram 4 anos penosos, um novo “inimigo” crescendo silenciosamente (a China) a financiar seu crescente déficit fiscal, culmina com um novo quase 11 de Setembro, 15/09, a quebra de todo o sistema financeiro americano.

 

O Ultraliberalismo – A grande Crise 2005-2008 – E o Estado de Exceção como Regra

 

Neste meio tempo, uma guerra ao Iraque, pequenas guerras na África, ajudaram a azeitar a colossal indústria bélica americana. Nos anos 90 há a incorporação definitiva da China, com seu modo de produção peculiar, Capitalista de Estado, dirigida por uma burocracia estatal violenta.

A integração da China ao capitalismo central deu fôlego vital ao Capital, pois fez entrar amplas massas no processo produtivo global, mas fundamentalmente ainda, ajudou a definir novos padrões produtivos e incrementar a taxa de lucro do Capital.

As milhares de empresas que aportaram na China, capital fundamentalmente dos EUA, em primeiro lugar, transformam o panorama global do processo de acumulação/circulação capitalista. O apogeu deste movimento se dar nos anos 2000.

Em paralelo a este movimento, a indústria bélica americana, um dos carros chefes do Capital, consegue duas lucrativas guerras: Iraque e Afeganistão, que ajuda a consumir, apenas nestas guerras, mais 1,5 trilhões de dólares. Além de um orçamento anual crescente que apenas de 2001 à 2010 chegou aos 6 trilhões de dólares. Esta esfuziante marca é acompanhada do aprimoramento das Telecomunicações, Internet e fundamental o controle político e ideológico mundial.

A “Nuvem” que atingiu em títulos algo como quase 10 vezes o total do PIB mundial algo em torno de 430 trilhões de Dólares contra 46 trilhões de PIB, teve papel fundamental na imposição de uma nova realidade de relações econômicas mundiais. A rapidez com o Capital vai de país a país, impondo seus desejos de lucros transforma o estado/nação em mero intermediário do Capital global.

Mas atentem bem que quando irrompe a Crise em 2008, esta “Nuvem” controlada fundamentalmente por grandes bancos, como Goldman Sachs, HSBC, Mitsubishi, BNP Paribas, UBS e outros, passou por grandes fusões e quebras impressionantes como Lehman Brothers, a seguradora AIG e muitos outros que trabalhavam com taxas de alavancagem de até 40 vezes sobre seu patrimônio líquido.

Os trabalhadores e as classes médias urbanas são chamados para pagarem a conta dessa política, quase pornográfica e excludente.

Obama, o herdeiro do império – O Pai do Ultraliberalismo

Obama era um senador respeitado e era tido como “zebra” nas prévias dos Democratas, entretanto ganha da favorita Hillary a indicação do Partido Democrata. Uma hipótese pouco cogitada leva um negro à presidência. Vitória de um outsider total.

Sem um pé na máquina partidária, dominada pelos Clintons, Obama faz um acordo cruel, entrega a Secretária de Estado, ministério mais importante americano, a sua adversária Hillary.

Enfrentando uma crise sem precedentes, Obama mais ou menos dividiu seu Governo em dois, no front interno liderado por ele, tenta aprovar reformas na saúde e recompor a economia em frangalhos. No front externo entregue a Hillary e os falcões mais reacionários, como boa conhecedora da máquina de guerra, Hillary tem seu desempenho facilitada pelos crescentes conflitos advindo da ampla crise financeira mundial.

A dura visão do Departamento de Estado, dominado pela Direita dos democratas, escolhe seus “inimigos”, o principal deles o Irã, mesmo com o refluxo no Iraque a aventura no oriente médio ainda é prioritária, atende a demanda da indústria bélica, do setor petrolífero, dos militares e dos falcões de Israel.

O que verificamos, desde pelo menos 2012 com nossos estudos sobre a Crise 2.0, que está no nosso livro  Crise Dois Ponto Zero – A Taxa de Lucro Reloaded., é que esse novo Estado ele vem corroendo as bases da sociedade burguesa, especialmente as coisas que mais a distinguia: A  Democracia e da Política. O que nasce são regimes autoritários, com simulacros de Democracia e quase ausência de Política.

Um dado importante nessa análise é que as “Primaveras Digitais” vieram a ser peça fundamental para essa nova ordem sem Democracia e Política. Elas chancelaram todas as visões do Kapital que na necessidade de recompor sua Taxa de Lucro, rompeu com o que sobrou do Estado de Bem-Estar Social, cortando Direitos Sociais, Aposentadorias, Saúde e Educação, em nome de uma Austeridade para quem?

Para fazer a transfusão de recursos dos tesouros públicos para os bancos privados, de forma direta ou através de privatizações, entrega das funções do Estado para entes privados, de forma ampla, atingindo judiciário, segurança, mais ainda na burocracia, especialmente as famigeradas Agências, que minaram as funções do Estado e entregam e agem em nome do Kapital, sem meias palavras.

TRUMP – A Máquina Ideológica de Mentiras do Ultraliberalismo

Portanto, a ordem legal, é a de restrições, o Direito é do inimigo, aplicado diretamente contra quem se opuser aos novos senhores do Estado, quer seja Obama ou Trump, pode ser Putin ou um burocrata chinês, passando até na ralé do Golpe local, o golpista-menor, Temer.

O mundo assistiu ao Brexit, agora a Direita vs Extrema-Direita, na França, ou a pressão pela saída da Itália da UE.

São movimentos combinados de uma ampla ruptura, não um Estado de Exceção, apontam para uma nova ordem, cruel, restritiva e de profunda violência, com uma possibilidade permanente de guerras regionais, civis e de embates violentos nas grandes cidades, pela miséria e fome.

A Política do Medo, Segurança nos países ricos, Corrupção nos países pobres, será o elemento principal de convencimento para que se abra mão das mínimas garantias legais e democráticas.

Aqueles super ricos, 1% da população, se armaram de todos os instrumentos legais, de dominação, de convencimento ideológico, com uso massivo da Internet, o que tolamente achávamos que ampliaria a participação, os algoritmos se tornaram a arma letal para saber quem somos, o que fazemos, o que pensamos, assim, o controle é mais forte, violento e amplificado.

Eles sabem o que fizemos no verão passado.

admin

Nascido em Bela Cruz (Ceará- Brasil), moro em São Paulo (São Paulo - Brasil), Técnico em Telecomunicações e Advogado. Autor do Livro - Crise 2.0: A Taxa de Lucro Reloaded.

Deixe uma resposta

Next Post

Direitos Humanos x Direitos Negativos – Produção de Valor e Uberização, A Luta de Classes – Parte IV

dom dez 12 , 2021
Share this on WhatsAppA Escravidão foi o modo de produção primeiro de exploração privada entre homens e mulheres, substituiu as relações primevas, comuns e sem traço de divisão e hierarquia social e de gênero, ainda não havia Estado, instituições complexas, que, inclusive, ajudariam a naturalizar a escravidão, religiões, códigos de […]

Arquivos

%d blogueiros gostam disto: