16 de janeiro de 2026

4 thoughts on “889: Xamãs, Gurus e a Novidade Nova

  1. No início dos 80’s trabalhei um tempo em Moçambique. Transcorridos apenas 5 anos da saída dos portugueses, estava-se procurando conformar um novo país, que comportasse as dezenas de etnias que ali viviam com suas línguas, suas características culturais, sociais e econômicas. Para isso, uma das iniciativas que mais me chamavam a atenção eram as “Ofensivas”, isto é, focar determinados temas para discussões na sociedade, com vista à formulação de diretrizes e, eventualmente, de leis. Pude acompanhar algumas discussões de uma dessas Ofensivas, relacionada ao resgate de elementos culturais destes povos, que haviam sido sufocados – e mesmo proibidos – pelos colonialistas, e que enunciava: “Viva os valores positivos das culturas tradicionais / Abaixo os valores negativos das culturas tradicionais”. Mesmo com todo o eventual dirigismo destas discussões – afinal, o que é “negativo” ou “positivo” em cultura? – reconhecia-se que nem tudo, somente por se tratar de signos ligados a determinadas tradições, deveria ser estimulado na nova sociedade em construção. E algumas das discussões que presenciei eram totalmente emocionantes, de arrepiar os pelos dos braços.
    Creio que é um pouco disso que está faltando nas discussões que vem sendo travadas no Brasil hoje, especialmente nas áreas de cultura e de comunicação. O que é realmente Novo? O que é irremediavelmente Velho? O que do Novo é mesmo bom – e para quem? O que do Velho deve ser preservado – e por que?
    Este artigo do Arnóbio nos dá uma base histórica e cultural importante para prosseguir.

    1. Lufeba,

      Tão rico depoimento, aquela proposta de que você, Jorge e a Marinilda gravem um documentário sobre as experiências extraordinárias de vocês continua de pé. Aliás, em boa parte lançaria luz neste momento tão “gasoso” e incerto. Esta aparente velocidade e resposta para ontem pode conter uma armadilha cruel, nem sempre boa para os trabalhadores( de cultura ou comunicação em particular).

      Arnobio

  2. Lufeba,
    Pergunta difícil a sua. O negócio tá de pirar quem realmente pensa, ontem recebi a chamada de um curso, a ser dado pelo Ronaldo Bressane : “Pós-jornalismo: um laboratório de experiências em não-ficção.Laboratório de não-ficção para produção de textos jornalísticos com forte pegada literária, com discussão e pesquisa de novas maneiras de praticar jornalismo” . Fiquei me perguntando: o que é um texto jornalístico com pegada(sic) literária? Se é não-ficção, onde entra a literatura??? O custo do tal curso é 4 parecelas de R$350,00. E há quem pague!!

    1. Maria Salete,

      É a pós-pós-qualquer coisa, ou ficamos velhos demais ou burros demais, não tem como entender tal caminho sem discutir com calma, pois, desconfio, que a pressa e a imposição faz parte da lógica de quem não quer esclarecer o que tem por trás do tal “Novo”.

      Arnobio

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