Nós e eles, celebrando a vida.

Nós e eles, celebrando a vida.

No sétimo dia, na escatologia católica-cristã, a alma chega ao céu, já purgada de seus pecados, não capitais. Chega aos campos elísios e vai conviver no Paraíso dos eleitos, até a ressurreição final. Aqui, no Brasil, um país continental, a missa do sétimo dia é uma instituição única, dada às longas distâncias, virou uma forma de celebrar a morte de um ente querido, para aqueles que estavam distantes.

Tenho vivido intensamente essa despedida, física, do meu amado pai, Pedro Rocha, um bravo, aqui, nesse blog, tantas vezes descrito e celebrado, em vida. Alguns que não o conheceram, segue uns posts:

  1. Ethos
  2. Pedro, Pedra, Rocha, Meu Pai
  3. A mítica fazenda dos Rochas
  4. Em nome do Pai
  5. Envelhecer igual ao meu Pai.

Talvez seja muito pouco sobre tão grande figura, um homem feliz, que viveu bem a vida, com enorme sabedoria, amor e dedicação aos filhos e sua esposa.

Seria trair sua memória qualquer sinal de tristeza entre nós, nesse momento, pois era impossível que ele não fizesse uma boa piada com uma morte, para tornar leve a dor e a saudade. Vamos guardar para sempre cada frase, cada chiste, gracinha que lhe tornou um personagem único. Os causos lindamente contados, com detalhes e amplos parênteses, de uma memória incrível, que nós insistíamos em ouvir essas histórias tantas vezes contadas e recontadas com sua graça própria.

Temos que celebrar hoje e para sempre, as tantas mensagens e a presença de tantos amigos na última despedida. Inesquecíveis palavras e fortaleza de minha mãe, do meu irmão Pedro Filho (imagem e semelhança do velho), dos sobrinhos, dos três padres – Renato, Emídio e Tio Assis – que lhe recomendaram e comemoraram seus belos feitos aqui, com a convicção de que lá em cima, ele será tão bem-vindo quanto como esteve entre nós.

Minhas lágrimas são sempre de alegria, de louvor, por uma sorte imensa da vida de ser filho de quem sou, de nos ter legado honra e caráter. A imagem que guardaremos é de festa, felicidade, humor fino e cortante, do amor extremo aos netos e bisneto, da paixão eterna pela “sua velha”, repetida a todos instantes.

Obrigado Pai, valeu meu velho!!!