Pedro e Fátima, meus amores e minhas referências

Pedro e Fátima, meus amores e minhas referências

Outro dia fiz um desabafo no Facebook, em que dizia mais ou menos assim: que vida infeliz a de quem passa o dia inteiro procurando coisas para se irritar, em particular buscando coisas ruins sobre o Brasil, como se houvesse uma razão de falar para si mesmo, em tom triunfal – Nada, absolutamente NADA presta neste país. Bem não entendo a razão de tanto ódio, isto lá é vida, cidadania.

Enfim, dá um desânimo e às vezes lembro-me do Kennedy e sua frase célebre, no seu discurso de posse: “Não pergunte o que seu país pode fazer por você – pergunte o que você pode fazer por seu país”. Será que um dia alguém dirá a mesma coisa em relação ao Brasil? Sei que faço a minha parte, defendo o meu país, sei de todas as mazelas, mas jamais ficarei no chorume, isto não resolve NADA. As redes sociais trouxeram estes exageros, esta dor à flor da pele de forma ampla e irrestrita.

Depois pensei se este é o destino comum envelhecer mal, com mau humor e ter uma visão pessimista sobre a vida, as pessoas, o país, o mundo. Porém, vem a imagem do neu Pai, um vencedor, um exemplo de que se pode envelhecer bem, com humor e ironia, sempre afiado demais. Ontem fez outra pequena cirurgia, mais um foco de câncer de pele, mesmo nervoso, naturalmente, ficamos brincando que mais uma plástica e ele empatará com a Hebe Camargo, ele riu, pois cabe que está tirando de letra.

Meu velho, vale repetir o que escrevi a dois anos quando completou sete décadas: “Chegar aos 70 anos com honradez, cercado de amor dos filhos, netos e bisneto, dos muitos e sinceros amigos, irmãos, primos, deve ser maravilhoso. Tenho orgulho imenso de tudo que meu Pai fez por nós, seu exemplo de vida, sem jamais envergar, ou buscar “facilidades” na vida, tão comuns no mundo dominado pelo dinheiro e ganância. Saiba que o exemplo de seu Pai, agora seu, é transmitido por nós aos nossos filhos e deles aos seus. Somos Rochas, não apenas no nome, mas na fé inabalável, na vida e no amor”. 

As dores e doenças (diabetes que o fez perder um olho), ao contrário de torná-lo ranzinza, insensível, teve efeito contrário, o fez melhor, mais doce e amável. É fato que os netos e bisneto são os maiores responsáveis pela sua mudança, as o amor incondicional de nós, os filhos, ajudou demais. Nosso pai é uma referência para nossas vidas, a sua honradez, seu exemplo de trabalho e dedicação. Mas ele virou a atração principal entre nossos amigos, por suas histórias e estórias, que conta repetidamente, sempre cheia de humor e graça. Uma memória fantástica, muitos se reúnem em torno dele, lá na fazenda, para ouvir atentamente os “causos” com os toques de malícia e de encantamento.

Meu pai é a prova de que envelhecer não faz mal, espero a mesma sorte dele. Obrigado meu velho querido, espero sempre sua benção, por toda minha vida.

Diogo Nogueira – Espelho / Além do Espelho

Imagem de Amostra do You Tube