Novos Números, Mais Crise, Qual a Saída?

 

Merkel e Hollande: Dedos apontam para lugar nenhum, sem saída – Francois Mori/AP Photo

 

O orçamento para 2013 da UE será o menor em 56 anos, e o plano de orçamento global de 2014-2020 será menor que o anterior 2007-2013, um claro sinal de retrocesso da economia do velho continente. Aquilo que se mantinha meio no escuro, agora se faz às claras, um dos méritos da nossa série  Crise 2.0, era justamente isto, desmitificar o declínio das grandes economias, das grandes mudanças, que hoje se processa, não mais aparência, fundamentalmente na essência dos fenômenos.

Neste aspecto, a Crise cíclica de longo termo, ou crise paradigmática vai cumprindo seu papel, qual seja; alterar a ordem “natural” das coisas. Da Crise de 1873-1891 surgiu o monopólio, o imperialismo, o caráter amplo da introdução de uma indústria pesada, os novos atores ameaçavam o império inglês, matriz do Capital. Da segunda longa Crise, a de  1929-1939,o império que vai emergir, é o global, a guerra tempera os novos tempo, os EUA passaram a dar o norte da economia mundial.  As crises cíclicas, os ciclos de Kondrantief, dão conta do fenômenos das crises que intermedeiam os ciclos do Capital, mas é nas grandes crises paradigmáticas que o Capital se reconstrói, ou não.

Estamos em plena Crise paradigmática que se iniciou nos EUA em meados de 2005,  e não UE em meados de 2007, como demonstramos várias vezes aqui nesta série, com números consistente do pico geral de preços e salários, da extrema abundância de Capital, que ao contrário do que se pensa, a crise se dá no topo do ciclo longo do capital, não na baixa. Tantos os EUA, quanto a UE, no início de cada ano, tentam dizer que o pior já passou, mas aí a realidade vão desminti-los. Foi assim neste ano, em que parecia que os EUA tinham voltado, porém a imensa queda do Quarto trimestre de 2012, jogou “água no chope” de Obama. Para piorar, a ameaça fiscal não se resolveu, foi apenas adiada por 2 meses, que se vence agora.

 Semana passada, a UE fez mais uma cúpula, que analisamos em vários artigos  (Cúpula da UE Ou, Onde Os Verdugos Se Encontram , A Podridão na Espanha e Cúpula da UE: Orçamento Esotérico ) porém, apenas hoje, podemos ver o real alcance do que ali passou, os números do quarto trimestre da UE foram desastrosos, todos caíram muito além do esperado, inclusive os da Alemanha e França, as maiores economias. No jornal Valor Econômico temos assim descrito que “o Produto Interno Bruto da Alemanha encolheu 0,6% no quarto trimestre do ano passado em comparação com o terceiro, depois de avançar nos três primeiros trimestres do ano, informou nesta quinta-feira o departamento de estatísticas do país, Destatis. O resultado do quarto trimestre, que é preliminar, ficou abaixo da previsão de analistas, de queda de 0,5%. De acordo com o Destatis, a queda das exportações líquidas foi a principal responsável pelo declínio do PIB alemão no quarto trimestre, mas o investimento em máquinas e equipamentos também veio “significativamente menor” que o registrado no terceiro. O gasto do governo e o consumo das famílias “subiram levemente” na comparação com o terceiro trimestre, enquanto o investimento em construção recuou um pouco, disse o órgão”. (Valor Econômico, 14/02/2013) 

Na mesma linha, o Valor, trata da França, que o seu “Produto Interno Bruto da França encolheu 0,3% no quarto trimestre do ano passado na comparação com o terceiro, de acordo com dados preliminares divulgados nesta quinta-feira pelo instituto de estatísticas do país, o Insee. Na comparação com igual período do ano anterior, o PIB também recuou 0,3%. O investimento recuou 1% no quarto trimestre ante o terceiro, mais que a queda de 0,5% apresentada no terceiro ante o segundo. As exportações caíram 0,6% na comparação trimestral, a primeira contração nessa base em 2012, segundo o Insee. Em todo o ano passado, a economia francesa ficou estagnada, depois de ter expandido 1,7% em 2011″. (Valor Econômico, 14/02/2013) 

Para não ficar atrás a Itália também caiu mais do que o esperado (assim como a Espanha), o Valor, descreve de forma desoladora a crítica economia italiana, pois seu “Produto Interno Bruto (PIB) da Itália contraiu mais que o esperado no quarto trimestre de 2012 e recuou 0,9% na comparação com os três meses anteriores, informou hoje o Instituto Nacional de Estatísticas do país (Istat). A economia da terceira maior economia da zona do euro contrai há seis trimestres consecutivos. Os dados preliminares, ajustados sazonalmente, vieram piores do que estimado por economistas, que esperavam queda de 0,6%. Na comparação com o quarto trimestre de 2011, o PIB da Itália caiu 2,7%. A expectativa era de baixa de 2,3%. Houve retração na atividade industrial, rural e de serviços. A queda trimestral foi a mais acentuada desde o início de 2009.No terceiro trimestre, o PIB italiano caiu 0,2% ante o segundo. No ano de 2012, a economia do país contraiu 2,2% em termos reais, diz o Istat”.  (Valor Econômico, 14/02/2013) 


O El País vai na mesma linha revelando que o “PIB da Alemanha, que até agora tinha sido capaz de manter um ligeiro crescimento, apesar da entrada em recessão da zona do euro, contraiu-se 0,6%, de acordo com dados do gabinete de estatística alemão, seu pior registo desde 2009, no auge da crise financeira. A crise na zona do euro e das fracas condições globais foram as principais causas do declínio da economia alemã, que cresceu em 2012, no entanto, 0,7%. A queda de 0,3% do PIB francês também pior que o esperado e, para o ano todo, o crescimento é nulo”. Ademais o centro do problema é que a queda se deu justamente naquilo que a Alemanha é mais forte, suas exportações. Elas tiveram “No último trimestre de 2012, as exportações de bens diminuiu significativamente mais do que as importações”, disse em um comunicado o Escritório de estatística alemão (Destatis). (El País, 14/02/2013).

Agora se entende o porque do orçamento em queda da UE, a realidade dura das economias periféricas, começa a contaminar as grandes economias, o “modus operandi” alemão vai se esgotando, impor suas exportações e ao mesmo tempo exigir austeridade, parece que não tem mais vaga, como política no momento atual. A retomada do prumo se perdeu de vista, 2013 e 2014 estão no ambiente de crise, o que caminha para 10 anos de queda. A Economia dos EUA cresceu 2,2 %, em 2012, mas apenas ano passado o PIB foi maior do que o de 2005, é um patamar muito baixo, que impõe um desemprego acima dos 8%, com renda em queda.

Qual o novo modelo surgirá desta Crise Paradigmática?esta é a nossa questão, com poucas respostas. Alguns textos aponto para um novo Estado, novos atores, mas é preciso estudar e escrever mais. Voltemos ao tema mais vezes, o porvir, nos tortura sempre, não é apenas uma categoria filosófica, mas de vida.

One thought on “Novos Números, Mais Crise, Qual a Saída?”

  1. De uma coisa temos certeza: o modelo que surgirá não é o nosso. O rodolfob divulgou uma matéria sobre a Grécia de assustar. Retuitei, mas esqueci de favoritar… :(

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