Cúpula da UE Ou, Onde Os Verdugos Se Encontram

 

Rajoy e Merkel: Extrema-Direita Constrangida. Foto: EPA

 

Adquiri certa experiência, ao escrever sobre Economia Política Mundial, em particular a série Crise 2.0, , nestes últimos dois anos.  Esta semana tem mais uma cúpula da UE, desde este espaço “cobri” as recentes reuniões, cujo tema central é a crise e o pior, a ausência de saída. Os líderes se reúnem, debatem os “papers” dos burocratas do comissariado e decidem que em nova reunião decidirão qualquer coisa. Entretanto, no meio, quase despercebido, algumas resoluções são tomadas, por coincidência, as piores.

 Foi assim na malfadada resolução de “responsabilidade fiscal” ou da tal “União Bancária”, ou mais ainda, a selvagem política de Austeridade Fiscal, que é a síntese de tudo que se decidiu nas últimas 6 reuniões de chefes de estados. A incontestável liderança alemã, se consolidou na crise, Merkel impôs o conceito alemão de austeridade como uma fórmula mágica, tinha como mascote e porta-voz Sarkhozy, de tão triste memória. Com o aprofundamento da crise, a derrota do Presidente francês, desde maio passado as cúpulas vivem de impasses. A tática de Merkel é impor seu cronograma  aos mais desesperados.

Ontem se reuniu com o corrupto e decadente presidente espanhol, Mariano Rajoy, poucas vezes um dirigente foi a expressão fiel de um país. Este típico representante da extrema-direita religiosa, se elegeu apenas negando o governo do PSOE, não apresentou NENHUM projeto de governo ou plano contra a crise que já atingia de forma mortal a Espanha. Recebeu o maior cheque em branco dado a um partido no mundo, uma ampla maioria no parlamento, que dá liberdade de governa como quiser, sem precisar negociar absolutamente nada, impedindo a oposição de convocar autoridades ou de exercer minimamente suas funções. Exemplo disto foi o caso Bankia, dirigido pelo ideólogo neofacista, Rodrigo Rato, ex-número 1 do FMI e ex-Vice Presidente da Espanha(gestão Aznar), o escândalo de 23,5 bilhões de Euros não foi suficiente para que ele fosse convocado ao congresso, seu partido, PP, o mesmo de Rajoy, o protege.

Rajoy, sem qualquer plano de governo, convocou os especialista alemães de Merkel para elaborar um projeto, uma semana depois de ter vencido as eleições de forma esmagadora, o que se seguiu, nestes 14 meses de governo é o aprofundamento do caos. O desemprego saltou de 22% para 26,1%, faltam apenas 20 mil desempregados para bater os 5 milhões. Com a crise bancária estourada pelo Bankia, as hipotecas pressionaram ainda mais a decadente classe média espanhola, provocando um surto de suicídios no fim do ano passado. Mas, não satisfeito, Guindos, ex-número 2 do FMI, homem de confiança dos banqueiros, vai tocando as Finanças do país de forma desastrosa, aumentou os impostos e faz duro ajuste dos serviços sociais, com demissão em massa na saúde e educação pelos cortes no orçamento, mas, simultaneamente, deu bilhões aos bancos falidos.

Agora, um grande escândalo interno no PP, o partido que sustentou o franquismo, da tradicional extrema-direita religiosa da Espanha, ameaça de vez o cargo de Rajoy. Ontem, na pré-cúpula, em que se reuniu com sua Chefe, Merkel, na Alemanha, ele simplesmente não teve como fugir do assédio da mídia mundial, para que explicasse o caso do ex-tesoureiro do partido e as propinas recebidas pelos dirigentes, tanto de seu governo, como no de Aznar. A podridão consumiu o que ainda restava do governo. Dificilmente conseguirá se sustentar por mais tempo, mas, tratando-se de Espanha e da folgada maioria da Direita no parlamento, não se garante a queda imediata.

Neste cenário, Merkel, pode manobrar bem Espanha e Itália que também está sem governo. A próxima cúpula a pressão será sobre os orçamentos dos países, algo mais insano ainda, pois a crise não teve um único avanço de melhora, mesmo sob duro regime de Austeridade. A contraposição ao estilo alemão, via Holland, parece cada vez mais complicada, a França enfrenta seus próprios desastres, o que não poupa o atual Presidente, de longo desgastes, mesmo com menos de um ano no governo. Merkel, que enfrentará as eleições de setembro, por um terceiro mandato, surfa em ondas menores, mas ainda dá as cartas e as distribuí como quer.

Os verdugos do povo se encontram, mais uma vez seus cidadão correm o risco de receber mais contas e sacrifícios, até quando?

One thought on “Cúpula da UE Ou, Onde Os Verdugos Se Encontram”

  1. Tudo como dantes no quartel de brantes… até a Merkel que ndava mal das pernas ganha brilhareco extra por cont dos escândalos espanhois… e a cúpula transcorre tranquilinha porque ninguém tá a fim de greve no momento…

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