Crise 2.0: Grécia – a 70% de desconto

 

 

 

Temos tratado, nesta série sobre a Crise 2.0, sobre a questão da Grécia em vários posts:

  1. Crise 2. 0: Presente Grego;
  2. Crise 2.0:Heroico Povo Grego;
  3. Crise 2.0: Os Sátrapas;
  4. Crise 2.0: A Nova Tragédia Grega

 

Hoje, parece que finalmente uma “solução” para questão da dívida pública será encontrada, óbvio com uma cara de pau extrema se anuncia que os bancos credores darão 70% de desconto do valor de face. O correto seria dizer, vamos ainda ter de retorno 30% daquilo que virou uma mina de exploração. Além disto, é sempre bom lembrar que estes mesmo banqueiros receberam sem “Proer” junto ao BCE em várias parcelas, desde 2008 mais de 1 trilhão de Euros foram repassados ao bancos.

O abundante capital dos anos gloriosos do início do Euro, emprestados a juros altos, desde sempre, aos gregos, portugueses e espanhóis, agora é cobrado de forma vil. Pouco, ou nada, importa se o país está falido, sem a menor condição de se manter de pé.

Vejamos a pérola que disse presidente do Deutsche Bank, Josef Ackermann, à emissora de televisão alemã N-TV:“Colocamos sobre a mesa uma oferta muito atraente”, disse Ackermann, que também preside o lobby bancário IIF, sobre uma proposta em discussão em Atenas.

O IIF está coordenando uma oferta por parte dos credores do setor privado, conhecida como Iniciativa do Setor Privado (PSI, na sigla em inglês).

“São perdas de quase 70% que estamos preparados para assumir”, disse Ackermann em entrevista à emissora nesta sexta-feira. “Todos precisam fazer uma contribuição”. ( Dow Jones /Estadão 27/01)

A falta de respeito ao povo grego é imensa, um país ajoelhado, de pires na mão, a foto acima demonstra o caos que vive hoje a população grega. Para completar ainda vem o Sátrapa Papademos, o Primeiro-ministro biônico, imposto pela Alemanha/Goldman Sachs, exigir mais do povo. Obediente ao que manda Frau Merkel:

“(As negociações) estão em um bom caminho. Nessa base, o segundo programa para a Grécia será formulado, no qual a Grécia também tem de especificar novamente suas obrigações adicionais.”
Pergunto-me: Quais novas obrigações serão impostas à Grécia? Vassalagem, subserviência total não basta?
Parece que Pascal Lamy tem uma resposta, aqui numa entrevista ao excelente portal EuroNews, de ontem 26/01:
“Pessoalmente, penso que se a Grécia tivesse de saír da zona euro, os problemas não seriam mais fáceis de resolver. Não acho que despedaçar a zona euro seja uma boa solução. Pelo contrário, acredito que fortalecer a disciplina a nível comunitário é o caminho certo”.
Ou seja, apertar mais ainda os “malvados” gregos perdulários, jamais os farristas banqueiros com seus juros escorchantes e sedutores empréstimos. Os sonhos de ser “europeu” levou a Grécia ao pesadelo da miséria.


0 thoughts on “Crise 2.0: Grécia – a 70% de desconto”

  1. Prezado Arnóbio
    Em tempos de FHC estivemos MUITO piores que a Grécia, só que o BCE deles foi o nosso PROER. Salvar bancos e investimentos PRIVADOS é critério básico do neoliberalismo.
    O PÚBLICO que se dane! Se esse PÚBLICO for privatizado,aí sim pode ser “salvo”…com dinheiro PÚBLICO.
    ‘Tou até com vontade de pedir a PRIVATIZAÇÃO das praias. Aí quem sabe teremos algumas delas despoluídas com o dinheiro PÚBLICO devidamente privatizado… Teremos alguns problemas com os preços dos ingressos (nas praias, claro!), mas aí subsidiamos com dinheiro PÚBLICO…
    Abraço
    Castor

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