Crise 2.0: A Rendição Grega

 

( o Cavalo de “Troika” – ou apenas PapaDEMos)

 

As pressões são enormes, imensas sobre a Grécia, e muitas vezes escrevi sobre este tema aqui na série Crise 2.0; os últimos artigos tratam da falência total do país e da completa ingerência alemã sobre ele.

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Mas a Troika (Comissão Europeia, BCE e FMI) não quer apenas que os gregos aceitem suas duras condições, querem muito mais, exigem a completa e humilhante Rendição, uma imposição de força inacreditável cujo caráter punitivo seja exemplar para qualquer outro país da UE.

Os termos do acordo aviltante vão salpicando aos poucos, e a cada nova exigência, mais humilhação:

1) Corte de 21% dos funcionários públicos até 2015 (150 mil no total);

2) Redução das aposentadorias com valor maior que 1.200 euros em 20%;

3) Redução das demais aposentadorias em 15%;

 

Mas isto não basta, é preciso, exigência alemã, que TODOS os partidos assinem o acordo, não se aceita que apenas o governo assine, mas também o parlamento, para que “não haja questionamentos futuros”. Nestes termos, que foram apresentados ainda sob o governo Papandreou, este, num último gesto de soberania, pediu um plebiscito. Em três dias foi defenestrado do cargo, encerrando o debate.

A imposição de PapaDEMos não foi aleatória: ex-presidente do BC grego, ex-funcionário do Goldman Sachs, veio como homem de confiança do mercado, personificado em Merkel, para resolver qualquer divergência. Sob o manto de governo tecnocrata, o parlamento o referenda, mas, mesmo ele, passa por um momento de estresse absoluto. As últimas horas têm sido dramáticas.

Georges Karatzaféris, líder do Laos, partido de extrema-direita, abandonou uma reunião que durava sete horas e declarou à imprensa:

“Clarifiquei as minhas intenções logo no início da reunião: não posso, uma hora depois, comprometer-me com um plano que vai empenhar o país por 40 ou 50 anos sem ter as garantias (legais) de que estas medidas vão fazer o país sair do impasse”.

A negociação assume ares de terra arrasada, chantagens absurdas e ameaças abertas. A Der Spiegel fez pesquisa em que 80% dos alemães querem que não se empreste mais um euro do BC alemão à Grécia. Do lado grego começou-se uma campanha pública para que a Alemanha pague indenizações pela ocupação nazista, que chegaria a 54 bilhões de euros.

O porta-voz do governo de PapaDEMos anunciou um acordo na madrugada e publicou nota em que, apelando à “responsabilidade” de todos os negociadores, diz:

“Parto para Bruxelas com a esperança de que o Eurogrupo tome uma decisão positiva no que se refere ao novo plano de ajuda”.

“Disso depende a permanência do país na zona euro e a identidade europeia [da Grécia]. É tempo de todos assumirem as suas responsabilidades. Não há lugar para outras considerações”, afirmou o governante, salientando que “todos os assuntos menos um” foram acordados.

(Diário Económico, 9/2/2012)

Uma ampla greve geral foi convocada para amanhã, a quinta em 6 meses. Em outros artigos já mencionei a pauperização grega, o abandono do país por parte dos jovens e dos trabalhadores mais qualificados. Uma pesquisa deu conta de que 11% dos médicos gregos tinham saído da Grécia apenas em 2011.

Mesmo diante de tudo isto o Capital, o Deus Mercado, exige: Rendição incondicional e se possível chicoteamento em praça pública. Até quando?

 

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