Crise 2.0: Por que "salvar" a Grécia?

 

 

 

 

Oh! Celícolas Musas, inspirai-me;

Sois deusas e na mente abrangeis tudo:

Roçou-nos único o rumor da fama”

(Ilíada – Homero)


Por mais que publiquemos sobre a Crise 2.0 em geral e a Grécia em particular, sempre somos confrontados com uma pergunta fatal: Por que se quer “salvar” a Grécia? É uma questão pertinente, afinal os dados da economia grega, são de pouca monta, não justificando tanto estresse e crises envolvendo países com economias maiores e bem mais complexas. Olhando mais diretamente os números gregos, publicados hoje no Estadão:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

São números modestos, uma dívida imensa, um país sem muitos atrativos financeiros. Mas é preciso entender a dinâmica real dos bastidores, senão parece que seria mais simples, como bem apontou Paul Krugman em setembro passado “BCE deveria se concentrar em salvar Espanha e Itália”. Então vamos enfrentar a questão de forma direta, usando o que se diz nos bastidores da crise grega, as últimas matérias revelam muito, do que realmente estar por trás da questão. Leiamos:

1) A superfície – Amarrar o Estado Grego à Dívida

“Liderado pela Alemanha, um grupo insistiu em não dar mais dinheiro aos gregos, já que as antigas promessas jamais foram cumpridas. “Cabe ao governo grego adotar ações concretas, por meio de legislação e outras ações, para convencer seus parceiros de que o plano pode funcionar”, disse Olli Rehn, comissário de Economia da UE”. (Estadão, 10/02/2012)

2) O meio – Os títulos com garantias do BCE

“Em Paris, os bancos também negociavam um acordo com os gregos, aceitando um calote de 70% e tirando dos ombros dos gregos mais de € 100 bilhões em dívidas. Um sinal de esperança foi a indicação de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, de que estava disposto a abrir mão dos lucros sobre € 40 bilhões em papéis gregos. Isso significaria uma redução de € 15 bilhões na dívida grega”. (Estadão, 10/02/2012)

3) A verdade – a Intervenção e a defesa dos “mercados” e bancos

“Mas os sinais de desconfiança são profundos. Alemanha e França tentaram convencer os demais governos de que a Grécia não tocaria no valor liberado. O fundo ficaria depositado numa conta controlada pela UE e será gasto apenas com justificativas.

Essa é uma forma encontrada por Berlim para abandonar a ideia de intervenção direta na administração grega, mas mantendo o controle total sobre os gastos. O dinheiro depositado nessa conta especial servirá de colchão para uma eventual quebra na Grécia. Se, mesmo depois do pacote, o país falir, o dinheiro seria usado para compensar os credores, evitando que o calote grego não se transforme numa espécie de Lehman Brothers europeu, levando consigo bancos e outros países”.(Estadão, 10/02/2012)

Celso Ming explicita mais ainda o imbróglio, para os que ainda têm dúvidas:

“É recorrente a capacidade dos gregos de assinar tratados e não cumpri-los. Será espantoso se desta vez for tudo diferente.

Nesse caso, o acordo poderá não passar de novo expediente destinado a fingir concordância para pôr a mão na dinheirama e, assim, ganhar tempo e adiar soluções definitivas. Aparentemente, os gregos contam com a baixa disposição dos dirigentes do euro de expulsá-los da união monetária – o que derrubaria, em dominó, uma fileira de bancos e poderia deflagrar mais uma onda de contágio.”

 

Endurecer mais ainda

 

A questão é que não existe almoço de graça, nem lanche, se deixarem por menos a Grécia pode levar a uma onda de calotes, em particular Espanha e Itália, que são substancialmente maiores e estão num estado mórbido tão grande quanto o grego. Qualquer afrouxamento à dívida grega, o tratamento deverá ser o mesmo em relação aos outros países, daí a série de imposições e condições ao povo grego. Hoje se publicou mais um detalhamento do plano, o que aliás, Merkel disse “temos que manter o cronograma”. Ontem pus alguns, mas Celso Ming dar mais detalhes:

“Do que já se sabe, haverá redução de 20% no salário mínimo, de 751 euros antes dos impostos; corte de 20% nas aposentadorias acima de mil euros; demissão de 15 mil servidores públicos submetidos ao regime temporário de trabalho; cortes salariais em estatais; privatização de empresas públicas; fim de empregos vitalícios e transmitidos por herança (caminhoneiros, taxistas, notários, tabeliães, etc.)”.

O Pacote de maldades é duro demais, como ontem escrevemos (Crise 2.0: A Rendição Grega), se destina, fundamentalmente, a punir os “pecadores” gregos, não os PapaDEMos da vida que poucos anos atrás liderou emissão de títulos gregos via seus ex-patrões do Goldman Sachs, que era lesivo ao país. Estes continuam ganhando, mesmo que o país se desmonte. Mas os trabalhadores e o povo será duramente castigado, pagará com sangue as contas dos burgueses locais, de seus governos corruptos.

O próprio FMI a terceira perna da Troika disse que o pacote grego não será suficiente, pois as condições internas se deterioram desde outubro de 2011.”Um grupo de negociadores na União Europeia chegou a dizer que o valor de € 130 bilhões acordado em 2011 já não seria suficiente para resgatar a Grécia”. Assim ficamos na certeza de que não se resolve, apenas se encena uma nova tragédia grega

 

Seria cômico, se não fosse trágico!!!(W S)

0 thoughts on “Crise 2.0: Por que "salvar" a Grécia?”

  1. Ahhhh, são 15 mil servidores, e não 150 mil? A Grobosta News deu ontem 150 mil! Bem, ainda é mil pra caramba.

    Bem, então o que se entende é “salvemos” a dívida grega — não a Grécia, que esta como nação foi pro espaço — para salvar os bancos. E tome tragédia.

  2. Arnóbio, não entendo de política econômica internacional, mas acho que vc quis dizer, resumindo em palavras, numa frase que li há muitos anos atrás, numa revista de grande circulação nacional, que; “mude alguma coisa, para não mudar coisa alguma”, ou seja, mascare que está mudando algo, para que, na realidade, tudo continue da mesma forma, perpetuando a situação infinitamente. Acredito que a Alemanha, bem como toda a comunidade européia, deseja que esta situação de dependência econômica se perpetue,pois isto é muito lucrativo.

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