Crise 2.0: Os Sátrapas

 

 

(Sátrapa em audiência)

 

A atual Crise, por mim denominada de Crise 2. 0, conseguiu ressuscitar na Europa um tipo de governo que remonta o antigo império persa combinado com o império romano. Os modelos antigos de administração voltaram à moda, o centro imperial e suas colônias, a questão trágica é que estão no antigo centro econômico mundial.

O primeiro império que assombrou o ocidente com a ameaça de invasão foi o persa, os gregos os enfrentaram várias vezes defendendo a Europa, pois a forma peculiar de organização grega de cidade/estado com uma organização frágil de aliança e guerra civil, apenas se reunia para evitar invasões bárbaras, que palavra errada para definir estrangeiros, em particular os persas com sua desenvolvida cultura.

Rumando para o oriente, os persas conquistaram vários territórios e em cada centro de poder eles estabeleciam governos locais, as Satrapias, cujo chefes eram denominados como Sátrapas, aquele que fazia às vezes da autoridade central impondo o poder e a organização aos povos conquistados. Era uma eficiente forma de administração, que mesmo depois de Alexandre Magno, da Macedônia, ter conquistado o poder dos Persas, manteve intactos a estrutura de poder e governos locais.

Posteriormente o império romano se utilizou desta forma peculiar de poder, mas com um refinamento, em alguns casos, de manter um duplo centro de comando, a autoridade local dividindo as funções com seu representante imperial. Em última instância a autoridade era do romano que estava na colônia, mas era importante aparentar que a vida local seguia com o poder da autoridade local, mas agora “protegida” e engrandecida pelo imperium.

 

Monti, O Sátrapa “moderno”

 

Causa-me espécie toda vez que vejo Mario Monti, que não é belo, na TV ou jornais, falando aos italianos sobre as medidas que o país tem que tomar para enfrentar a crise, ele se ajusta exatamente ao antigo Sátrapa, que administra a colônia conquistada e fala a ela o que o centro do poder quer e quais as necessidades para que se alinhem com quem MANDA.

Hoje, na padaria, vi o Sr Monti, que não é belo, com uma série de gráficos sobre a economia italiana, o epíteto “tecnocrata”, além de lhe cair como uma luva, é usada por ele para demonstrar uma profundidade, que desconfio que ele não tenha. Ali tentando demonstrar que nestes três meses o que ele conseguiu, os “avanços”, os planos que ainda estão em preparação. Mas vem o comentário fatal: “Monti, se prepara para se reunir com Sarkozy e lhe mostrar o que já foi feito”.

Desoladamente lembrei que Monti, que não é belo, não passa de um Sátrapa, de tão desimportante, nem a chefe-mor do novo imperium, Her Merkel, lhe ouvira, passa a tarefa para o número dois, seu ajudante em ordens, Sarkozy, É o fim da Itália? Não sobrou nada da honra romana? Para terminar o apelo patético de pedido de apoio feito por Giorgio Napolitano, Presidente do país, dirigente da antiga “esquerda” italiana:

“A situação continua grave. A confiança pode ser anulada por interrogantes angustiosos que podem induzir ao pessimismo. É difícil reconquistar a credibilidade depois de tantos problemas. Mas por isso, o esforço do ajuste fiscal deve ser conduzido com rigor e os frutos chegarão”. (grifo meu)

É o triste fim de uma nação submissa, sem patriotas, sem poder, aceita o que lhe impõem quase como um castigo, por seus pecados.

 

 

0 thoughts on “Crise 2.0: Os Sátrapas”

  1. Excelente a sua comparação de Monti com os Satrapas!!!
    Monti sequer foi eleito, para nada.
    Trata-se de uma nomeação ad hoc.
    Nem este resquício de autonomia foi preservado,
    ao contrário do que ocorre com os espanhóis no presente.
    Na virada do ano, em alguns programas televisivos da RAI
    num misto de depressão e constatação muitos diziam
    BUON ANNO ITALIA
    PERCHE ANCORA C’È ITALIA

    si
    mas até quando? até que ponto?

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