Ainda há conserto...muitos consertos.

Ainda há conserto…muitos consertos.

“Não é o meu país
É uma sombra que pende
Concreta
Do meu nariz em linha reta
Não é minha cidade
É um sistema que invento
Me transforma
E que acrescento
À minha idade
Nem é o nosso amor
É a memória que suja
A história que enferruja
O que passou
Não é você
Nem sou mais eu
Adeus meu bem
Adeus! Adeus!
Você mudou, mudei também
Adeus amor! Adeus!
E vem!”

(Andarandei – Torquato Neto – musicado em Go Back – Titãs)

Sim, é verdade, tem muito tempo que abandonei o plano de “consertar as pessoas”, concluí que é mais fácil tentar consertar a mim mesmo. Confesso, não é simples, a soma de erros e imperfeições que temos não nos garante nem que nos tornemos melhores, imagine mudar o curso das pessoas, de povos, de nações. É a constatação duro e real de nosso exato tamanho, uma redefinição de sonhos e do que somos de verdade. Antigas perspectivas ousadas (ou seria autoritária?) de corrigir tudo, mundo, ventos e natureza, vem dando lugar a alguém mais tranquilo e feliz.

A fase mais difícil é aceitar quais são os nossos limites, quando mais jovens eles parecem imensos, a maturidade vai mostrando que não é bem assim, mas o importante é se manter íntegro, verdadeiro e ético. Conservar conosco os valores morais, políticos e culturais que nos distinguem e nos tornam únicos, sem, entretanto, acharmos que somos maiores ou melhores, apenas somos, nada mais. Outra questão que não perdemos nestas várias jornadas da vida, em suas diversas fases, é nossa capacidade de aprender, de ler o momento em que vivemos e buscar saber os signos e desígnios da realidade que nos cerca.

A mudança é íntima, nem adianta sacar o melhor discurso, o melhor texto, a melhor poesia, a melhor frase, que parece perfeita, tudo isto se se circunscreve a nós mesmos, reflexamente em outros, mas ao chegar neles, a decisão de concordar, defender e lutar por uma causa, será de quem a abraça. A terrível tentação de “consertar” de “corrigir” o que o outro pensa, faz e age, sem dúvida é grande, nos instiga e nos consume, até o momento que nos libertamos dela, aceitamos que se a mudança é intima, por que deveríamos forçar a barra para “arrumar” alguém, ou um  pensamento, que consideramos “errado”.

Nossa mudança pode, ou não, virar um exemplo, mas o tempo é de cada um, não é o nosso tempo, portanto não devemos mudar o curso do outro, acreditemos que vamos evoluir, superar. Claro que há instantes especiais, em que os tempos se sincronizam, todos lendo praticamente o mesmo livro, o mesmo capítulo, a mesma página, o mesmo parágrafo, sim, este são momentos mágicos, que tudo pode acontecer, o importante, como diz Shakespeare “é estarmos prontos”. Acreditar nestes momentos e se preparar para ele é que é fantástico e daí a busca pelo “particular”, pelo “íntimo”, faz todo o sentido.

Vivemos num mundo de interações e de muitas obrigações, todas elas assumidas espontaneamente ou impostas pela própria vida, como a necessidade de trabalhar, comer, vestir, educar os filhos (se tivermos), de companheirismo com esposa (marido), de compromissos sociais, mesmo os mais elementares e necessários. Dificilmente escapamos de um roteiro, não que nos curvemos a ele, entretanto sabemos que ele existe, podemos tornar melhor, mais palatável e mais suave, para que tenhamos alguma paz e felicidade.

O que fizermos a mais pela sociedade, pelo mundo que nos cerca, pode melhorar as várias realidades que convivemos, procurando alguma satisfação maior e mais sentido para vida. O que compreendi nestes últimos anos é a busca por mim mesmo, as reflexões mais maduras e sinceras, para voltar e ser melhor.

“Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you”
(Fix You – ColdPlay)

 

Titãs – Go Back – Sérgio Britto e Torquato Neto

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Coldplay – Fix You

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