1989 – Um Ano que Não se Fechou (II) – Visão Militante

1989-eleicoes
O Confronto Final: Lula x Collor

Comecei uma série de resgate histórico sobre 1989(1989 – Um Ano que Não se Fechou (I) ), o ano que não acabou, ainda não chegamos à meia noite do dia 31/12/1989, no final do post inicial exortei os amigos para que contassem o que fizeram naquele ano especial, era uma forma de preparar a parte II, mas as respostas foram tão interessantes que o post foi escrito por vocês, são emocionantes e dão uma visão mais ampla do que a minha daquela jornada inesquecível.

Naturalmente o assunto mais focado foram as eleições presidenciais, um pouco sobre a queda do leste europeu, mas o que vale mesmo são os depoimentos, a memória viva de m0mento histórico. Aqui lanço um segundo desafio, quem guardar broches, adesivos, fotos, camisetas alusivas daquela época que quiserem gravar ou fotografar, terei o prazer de publicar aqui. Mais ainda, quem quiser gravar um depoimento em vídeo ou áudio sobre 1989 e me mandar para subir no Youtube e republicar aqui seria um registro fantástico.

A memória de nossas lutas gloriosas, vitoriosas ou não precisa ser divulgada para as novas gerações, não podemos deixar a informação a cargo dos “vencedores”. Vamos juntos recontar o 1989?

 Chorem, riam e viagem com  os depoimentos abaixo, são tocantes.

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Vania disse: 1989 – O ano em que me tornei mãe e votei em Brizola:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=708284699186319&set=p.708284699186319&type=1&theater

ANA (@anabellbar) disse: O que me lembro claramente era o preconceito diante de Lula, ali começou o boato nojento que ele era milionário com uma casa no Morumbi, que continua até hoje…

daniel disse: Era meu primeiro voto. Votei no Covas e depois no Lula. Tinha entrado na faculdade de engenharia e parece que o tempo parou por 5 anos, porque eu insistia em preencher datas de documentos com “1989″ até que chegou 1994. Estava começando a perceber a existência do PIG.

Maninho Leite disse: Estive no Rio de Janeiro para ver o último show que fez o Legião Urbana. A casa de SHOW havia sido inaugurada na sexta-feira com o Show de Diana Ross, era o ano de 1994. 5 anos depois da grande FRENTE BRASIL POPULAR. Comprei o Livro de Fernando Morais, OLGA para presentear um amigo meu. Os livros sobre internet eram todos em inglês, No Rio de Janeiro ela estava burbulhando no Fundão. Meu irmão jogava aos sábados e eu o acomnhava. Muita coisa pra contar!! O Show do Legião, o último que fizeram juntos foi para o lançamento do disco DESCOBRIMENTO DO BRASIL. Se eu partir hoje meu caro amigo, tenho boas recordações e faria tudo de novo, com algumas exclusões que não vale citar!

Rei Lux (@rei_lux) disse: Em 1989 fui barrado na portaria da Sede de uma estatal onde trabalhava como mecânico porque estava recheado de bottons e estrelinhas na jaqueta. Quase fui preso por tentar forçar a entrada. O CHEFE da Segurança era um ex-coronel do Exército. Ao final de meia hora eu entrei, com minhas estrelas e bottons, para sentar com o tal coronel e negociar uma saída para um impasse (minha atuação como grevista). Não tinha estabilidade, mas os sindicalistas e um advogado foram comigo. Não perdi o emprego, mas quando perdemos a eleição de Lula fiquei meio amargurado. Naquele ano tive outro embate e escrevi “AO SILÊNCIO”, http://www.youtube.com/watch?v=NyYqlnGTOos e esses versos até hoje representam o que sou.

mario marona disse: Assistimos juntos, um grande grupo de amigos e colegas dos jornais do Rio, ao debate entre Lula e Collor. A metade de nós era petista, a outra metade era brizolista e havia aderido à candidatura de Lula no segundo turno. Eu pertencia ao segundo grupo, mas, tendo saído do PT poucos anos antes, não via o partido como adversário. Quando Lula começou a demonstrar nervosismo e Collor passou a dominar o debate – menos pelo conteúdo do que dizia e mais pelo efeito que obtinha – os briziolistas ficaram irritados. Como Lula, logo ele, tão competente como comunicador, podia ser dominado por um candidato fake? Lula perdeu o debate e saímos do encontro convencidos de que perderia a eleição.

carlos faraco disse: Quer dizer, alguns são… Outros, como eu, estão meio em estado de HD sendo despejado… Ahahah. Mas eu me lembro de quantas estrelas eu vendi. Talvez tenha vendido as minhas próprias (as do destino), Pena que o depois ficou tão sem estrelas mesmo.

Mara M. de Andréa disse: Comícios!!! Comícios de muita, muita esperança que só foram se realizar um bom tempo depois, apesar da nossa vontade de apressar progressos.

Mara M. de Andréa disse: Sinto muita falta da força de juventude esperançosa nas ruas.

marinildac disse: Vi aquele debate com o coração na mão. Não acho que Lula tenha exatamente perdido, ele só não suportou o sensacionalismo do caçador de marajá. Todo o debate foi manipulado enquanto ocorria, imagine depois nas edições criminosas do Hoje e do JN da noite de sábado… Alguém disse na redação que Collor tinha posto a mão sobre uma pasta que conteria um dossiê com segredos de Lula e PT, o que teria feito tremer e calar meu amado Lula (votei no Brizola no 1º turno). Tudo baboseira. Não foi isso que provocou a derrota, foi a união organizada da direita e das elites. Tanto que logo depois derrubaram o caçador de marajá e Lula perdeu as eleições seguintes, mesmo já mais preparado etc.

Fui comuna do PCB por 15 anos e na minha humirde 1989, tirando a derrota do PT, foi um ano bom para a esquerda, sim. Ela apenas ainda não entendeu isso. Um dia entenderá que a União Soviética e os países do Leste europeu eram uma aberração do marxismo. Vivi dois anos lá e sei. Amei (ainda amo) profundamente o país e o esforço socialista, mas tenho certeza dessa aberração. Nem todo mundo ficou sem chão, viu? .

Eduardo o Guimaraens (@justdu) disse: Arnobio, Votei no Lula no primeiro e segundo turno e vendi muitas camisetas e estrelinhas. Quanto à derrota foi sofrida… muito sofrida

Carkos disse: Exigi, aos berros de “traidores” e lágrimas, a expulsão de amigos e camaradas que se articularam para “rachar” o PLP e não apoiar o Lula no segundo turno das eleições presidenciais.

Gisele Gato disse: Em 1989 eu era do Centro Acadêmico de História na UFPA, minha irmã, que participou da Fundação do PT no Pará e tinha sido Presidente do DCE da UFPA, coordenava núcleo de campanha e quase toda família se envolvia. Outra irmã tomava conta da lojinha do PT, onde também ajudei vendendo camisetas e estrelinhas. E até hoje me emociono quando ouço Lula lá. Foi a primeira vez que votei.

luizmullerpt disse: Sou Petista de carteirinha. Naquela época, embalados pela campanha do Lula, ajudava a organizar diretórios do PT e a campanha do Lula. Como havia sido demitido do meu trabalho, vivia de vender livros usados num Sebo que eu tinha na cidade de São Leopoldo. Também foi o tempo em que sustentamos uma parte ca campanha vendendo estrelinhas, adesivos etc…Valeu a pena. Se tu dizes que 1989 não acabou, mas pelo menos serviu para sinalizar ao país inteiro que a luta de classes existe. E foi alí, naquela eleição que o PT

luizmullerpt disse: E foi alí naquela eleição que o PT se colocou como alternativa concreta ao que a burguesia nacional tinha apresentado até então no pós ditadura. E o resultado daquela eleição onde o PT se colocou pela primeira vez como alternativa, sentimos hoje, com a melhora das condições sociais do nosso povo, como nunca antes na história do país. Falta muito. Mas o caminho para o futuro continua em construção.

 Fernando Barbalho disse: Fala Arnobio. Para mim o ano de 1989 é o ano de rupturas e tomadas de posição. Para mim foi o primeiro ano do resto de minha vida. O ano foi marcado pelo engajamento na ETFCE, a campanha do Lula, a formação de uma consciência de esquerda e o agrupamento de amigos que são até hoje meus grandes companheiros. Até a SBPC em Fortaleza foi marcante. Sem falar do primeiro acampamento que fiz. Tudo naquele ano.

Maria Bevilaqua disse: Meu filho nasceu em 1989, frequentei muitos comícios do PT com ele e havia uma enorme solidariedade entre militantes e bebês: na praça Charles Muller, já muita gente no entorno, o carrinho de bebê foi levado mão a mão até o centro da praça onde abriram um espaço em que pudemos acampar (meu marido, o filho e eu). Votei no Lula nos dois turnos. Foi o ano também em que desliguei a tv Globo da minha vida. E chorei, pela primeira vez, chorei por causa das falcatruas do PIG. Quando Lula se elegeu em 2002, a família estava maior e fomos fazer, juntos, farra na Paulista.

Giovanni Gouveia disse: Em 89 eu terminei meu mandato de Coordenador Geral do DA de Ciências Sociais, da UFPE. Na época das eleições eu trabalhava de garçon num bar (estudando manhã e tarde era a forma de conseguir me manter), onde eu repassava material de campanha enquanto atendia as mesas . Vi de perto a esperança nos olhos das pessoas, as passeatas gigantes, os comícios que acabavam com a cerveja no centro da Cidade. Eu já era militante do PT há 6 anos (comecei a militar aos 15). Foi uma campanha maravilhosa, de massas, de esquerda. Usar estrelinha tinha deixado, definitivamente, de ser ação underground de sindicalistas e militantes. Sim, o fim foi bem distópico, mas foi semente, a “intenção da semente” de Henfil.

Paulo Roberto Stockler disse: EM 89 morava em São Paulo, na Alves Guimarães, entre a Teodoro e a Arthur de Azevedo. Trabalhava em um laboratório de análises clínicas, de um dos fundadores do Delboni, Auriemo e Santos, o Santos, que ficava ali na Itapeva.

Participei como deu, pró- Lula, ou seja, alguns comícios, aquela passeata em que acabou dando rolo envolvendo a Marília Pera, qdo a mesma passou em frente ao teatro em que ela encenava peça.

Comício na Charles Miller que teve a participação de Lobão, é, Lobão, ainda não elaborado nesse reacionarismo atual…

Frequentava muito um botequim, de um amigo portuga, onde encontravam-se as mais diversas classes sociais e onde travava “altos” debates sobre as possibilidades políticas naquela eleição, defendendo, claro, a esquerda e Lula, mais especificamente.

Muito frustante a derrota naquela ocasião, creio ter a edição do debate, pela Globo, modificado em algum grau o resultado final da eleição, com tbém um certo vacilo do pessoal da organização do PT, ter colocado Lula em comício na Bahia, imediatamente antes deste último debate, onde ele chegou “mortaço” de cansado e com desempenho bem abaixo de seu normal.

Particularmente, um ano especial, pois foi o ano em que fui morar junto com a mulher que amava e com quem me casaria, dois anos depois, e que se tornou mãe de meu filho, que veio dali mais 4.

Rachel disse: 1989… ano marcante na minha vida. Morava em Santa Maria – RS e votei no Lula no primeiro turno. Dizia que se Collor vencesse eu ia morar no Uruguay… No segundo turno após finalizar minha separação tinha me mudado para Floripa e não pude votar… Convenci minha mãe, que não precisava mais votar a votar por mim no Lula… Disse que não me perdoaria se ele perdesse por um voto… Ela jura de pé junto, até hoje que votou… Mas perdemos e foi muito difícil entender como o povo brasileiro tinha engolido aquele “caçador de marajás”…

Teka disse: Arnabio,votei no Lula no 1º e 2º turno. Lembro que chorei muito no debate entre ele e Collor. Não me conformei com o ataque de Collor,sobre Lula não saber ler.Aliás,tenho muita honra de dizer que “sempre votei em Lula para presidente”.Não o fiz em 2010,pois não era candidato. Votei em Dilma.Fato do qual não me arrependo.Ao contrário de muitos “petitas”.rs Abs.

Ricardo Queiroz( Por Email) : Em 1989 eu trabalha numa loja de discos num shopping de São Bernardo. Passava os dias entre rock, soul, jazz, mpb, etc…e no meio de tudo a política. Os donos, um deles meu amigo de adolescência, eram antipetistas convictos. A polarização era inevitável, provocações várias. Meus amigos eram na maioria eleitores do Lula e as noites acabavam em bebida e em elocubração eleitoral (na maioria das vezes baseada na paixão). Lembro da emoção vivida num dos comícios na Praça Sé quando senti pela primeira vez a possibilidade de vitória lulista. E o sábado da vespera foi longo, madrugada boêmia adentro, vi carros com adesivos e uma outa bandeira na noite paulistana. Domingo, o voto, a derrota, e a segunda de sorrisos coloridos no trampo. Ouvia tanta coisa da loja e da minha coleção pessoal que não saberia dizer qual musica ouvi no dia da ressaca, talvez “Love of the Masses” do  Killing Joke.

CLIP JINGLE LULA-LÁ – 1989

Imagem de Amostra do You Tube

Jingle: Campanha presidencial de Lula, 1989.

Imagem de Amostra do You Tube

7 thoughts on “1989 – Um Ano que Não se Fechou (II) – Visão Militante”

  1. Ah,Arnobio,assim não vale,né? Choro sempre que ouço esse jingle do Lula. Vou além…. conheço gente que votou no Lula, por causa dessa música .Pode isso, Arnaldo? Bom ler os depoimentos de quem viveu o mesmo sentimento de dor e frustração nessa bendita eleição. Abs,amigo.

  2. Muita covardia, nossa, tô aqui me esbulhando… era tanto amor e a gente sabia, né? Meu filho tinha 10 anos e panfletou tanto comigo… não sei como não apareceu o Conselho Tutelar, porque depois dos comícios íamos pro Brizolamas (o comitê etílico-revolucionário de apoio dos brizolistas cariocas ao Sapo Barbudo no Lamas, bar da Marquês de Abrantes, no Flamengo). Bandeiras, estrelinhas, hinos, jingles, brigas, BAR lotadão, uma febre geral. A gente sabia MESMO que era feliz.

  3. Esperar Lula no comício cantando o jingle; encerrar o comício cantando o jingle; ir para casa cantando o jingle. Foi a primeira e mais fantástica experiência de campanha. Amávamos a democracia em construção; amávamos a campanha e o candidato. Tínhamos esperança e alegria. Tenho uma foto de meu filho com um broche do Lula, na cadeirinha do carro, a caminho da votação. Preciso achá-la para você, Arnobio.

  4. No ano da graça de nosso senhor Jesus Cristo de 1989 eu estava com Brizola.

    Nunca me esqueci de uma linda, emocionante manchete estampada no Jornal do Brasil, se não me engano. Ainda não se sabia quem iria para o segundo turno com Collor.

    A frase na primeira página dizia assim: “VOTOS DO SUL SALVAM BRIZOLA” .

    Gostei tanto da notícia! Mas a estimativa não estava correta.

    Infelizmente Brizola não foi salvo.

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