Aos Que Partem, Ideologicamente, Sem Avisar

 

Bem disse Mafalda.
Bem disse Mafalda.

 

Meus amigos, aqui estamos, mais uma vez, procurando ideias para escrever, me vem à cabeça o célebre e folclórico Vicente Mateus, que marcou época no Corinthians, em particular por sua tiradas, como ele mesmo dizia que assumia qualquer uma, pois mesmo quando não era dele, atribuíam a ele as tais frases. Uma de que tanto gosto é: “O difícil não é fácil”. É bem por aí mesmo, estava pensando escrever sobre umas coisas, de repente leio uma notícia sobre um amigo, me deixou meio desconcertado.

Velhos fantasmas do passado que voltam a assombrar, mas que é tão bom exorcizar, principalmente quando viram histórias aqui. Escrevi no ano passado algumas memórias sobre desencantos, quase melancólicos (A Perda da Inocência (Partido) I,  A Perda da Inocência (Revolução) II e A Perda da Inocência (Ideologia) III) no geral falava dos momentos cruciais de militância e as pancadas que a vida nos deu. Depois, voltou a refletir sobre a questão no texto As Margens do Rio, quando velhos companheiros de guerra simplesmente mudam de lado, tem um efeito duro naqueles que os conhecem.

Claro que não podemos, nem devemos cobrar de ninguém por coerência, por projetos de vida ou projetos políticos, mas nos afeta, como hoje, ao ler que Martiniano Cavalcante aderiu de corpo e alma ao projeto de Marina Silva, fiquei espantado, mas não deveria. Heloísa Helena, no início do Governo Lula teve papel de destaque na contraposição à esquerda às medidas do governo, saiu do PT e fundou o PSOL. Martiniano, que era seu assessor em Brasília liderava um pequeno grupo remanescente do antigo CGB, como contei a história no post  A Perda da Inocência (Partido) I. A ruptura de Heloísa Helena e a nova conformação política era num espectro de extrema-esquerda.

Passados 10 anos, da ruptura com o PT e fundação do PSOL, não sei o nível de luta internas no PSOL, exceto aquelas que se tornaram públicas, em particular a disputa pela candidatura presidencial, que acabou em duas conferência, pois as candidaturas de Martiniano versus Plínio de Arruda não tinham maioria clara no partido, não chegando a um acordo, pelo que viu, se dividiram no momento que deveriam se unir. O desgaste deve ter sido enorme, já naquela época Heloísa Helena sinalizava um apoio ao projeto Marina, que naquele momento estava no PV, com seu vice, o bilionário dono da Natura. Tudo muito estranho, ou não, para quem acusava o PT/Lula de aderir ao Capital.

Mas agora, a coisa toma um corpo maior e mais complexo, Martiniano, seu grupo, pelas palavras ditas anteriormente, Heloísa Helena, vão se juntar de mala e cuia ao Projeto Marina, vejam que insisto, não é projeto político ou ideológico, é algo personalista, sem qualquer verniz de esquerda, apenas uma visão “diferenciada” do Projeto Burguês. Pelos nomes que vi, que irão se somar ao tal projeto, convenientemente chamado de REDE, é de se supor que é um projeto de centro-direita, com penduricalhos à esquerda, quase que de amizade, ou que caiba na crítica atual ao PT, ou qualquer um que seja anti-Petista, uma tristeza, uma pobreza intelectual que mistura moralismo pequeno burguês à pura desfaçatez.

No momento tão rico, da atual conjuntura mundial, pouco se aproveita, parece que se impõe a amargura do que escrevi   no post O Deserto Ideológico. É duro, não é fácil ver velhos companheiros de armas partindo para o NADA, como se a vida e suas histórias não tivessem valor algum, ou, por outro lado, se nossas(minhas) opções é que não tivesse qualquer Valor. Fica para história decidir. Permaneço nesta margem do rio, mesmo que ela se estreite mais, molharei meus pés, sem atravessar o rio.

5 thoughts on “Aos Que Partem, Ideologicamente, Sem Avisar”

  1. Chega de saudosismo meu caro! Eu já fui assim, e tenho certeza que o Martiniano Cavalcante também já foi, mas resolvemos nossa questão existencial fazendo mudanças práticas em nossas vidas, resolvemos agir. E agir nos impõe tomar decisões baseadas em prognósticos para o futuro. Não cremos que seja possível uma reedição da social democracia trabalhista e muito menos das ideologias comunistas. Revolução armada não vai rolar, então é preciso se apegar à cultura e ao cotidiano. As outras formas de ser esquerda ainda estão sendo inventadas. Vem inventar com a gente!

  2. Apoio o texto que achei belo e esclarecedor sobre essas novidades de velhos companheiros. Alias já pensava isto de Marina. Estou com a frase final: molharei meus pés, sem atravessar o rio.

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