Crise 2.0: Medalha de Lata para Draghi e Rajoy

 

Rajoy e Draghi, um mundo de medíocres (Foto:EFE/Andreu Dalmau)

 

Nestes tempos olímpico, como falei, só voltaria escrever  aqui série sobre a Crise 2.0, se realmente algum fato maior acontecesse, pois estou acompanhando os jogos de Londres, mas o BCE e a Espanha, não deixam. Há duas semanas Espanha chegou ao extremo limite, tudo levava a crer que o Resgate Total era o próximo caminho, todos dados econômicos tinha tido piora acentuada nos últimos dois meses além de um imenso ataque especulativo, levou à lona, juiz abriu contagem.

 

Rajoy sumiu da mídia, se fechou no palácio La Moncloa, de lá, despachou um desesperado Luis Guindos para fazer uma peregrinação por Paris, Belim e Bruxelas, numa turnê de pires na mão, conforme mostramos no post Crise 2.0: Espanha a Esmolar na Europa. A situação espanhola e por tabela da Itália chegava a um ponto sem volta, aí entra em cena, mais uma vez um personagem menor, apesar de Presidente do BCE, Mario Draghi tem pouca ou nenhuma autonomia, mas para piorar consegue emitir vários sinais contraditórios em tão pouco tempo.

 

A reação inicial de Draghi foi dizer que BCE tinha como “tarefa salvar estados”, numa respostas ao apelos de Rajoy por ajuda. Os números espanhóis explodiram, atingindo pontos só comparáveis aos da falida Grécia. Dois dias depois o mesmo Draghi faz nova declaração de que o “BCE fará tudo para salvar o Euro, ajudando Espanha e Itália”. Houve um recuo do sufoco espanhol, um certo refresco. O prêmio de risco que atingirá os incríveis 649 pontos caiu para os altíssimos 525, os Yelds de 10 anos saiu de 7,49% para 6,59.  A palavra de ordem virou o título do nosso artigo Crise 2.0:”Faremos tudo para Salvar o Euro”.

 

Esta semana, em plena luta por Medalhas, o BCE se reuniu para definir a tal questão, de como faria tudo para salvar o Euro, parecia que ganharia medalha de Ouro. Expectativas nas nuvens, bolsa de Madri se recuperando, mas, mais uma vez Draghi fez o de sempre: NADA. Depois da pressão da Alemanha, o arroubo de Draghi foi plenamente refreado. Uma série de medidas absolutamente secundárias, com promessas vazias de recompras de títulos podres de Espanha e Itália no mercado secundário. As bolsas da Europa desabaram, Madri caiu 5,16%. O prêmio de risco voltou a beirar o 600 pontos, os Yelds os 7% ao ano. A tensão foi total.

 

Rajoy, finalmente, saiu da moite, convocou hoje uma coletiva de imprensa, com sua habitual arrogância, mesmo estando no limbo, foi extremamente mal educado, respondendo de forma ríspida aos repórteres presentes. Mas foi didático, demonstrou toda incompetência de seu desastrado governo. Ainda se nega a pedir a ajuda de resgate, furto de sua tola arrogância, mas jogou BCE e Draghi no fogo. Disse diretamente que eles têm de dizer publicamente o que pretendem senão a Espanha não pedirá ajuda. Do outro lado, o BCE tinha dito que a Espanha deve pedir ajuda, assim ele dirá o que faz. Ou seja, ninguém quer “piscar o olho” primeiro.

 

Algumas frases de Rajoy foram lapidares, comprovando sua mediocridade, a primeira, ele diz “não entender como países, numa mesmo comunidade econômico, podem ter taxas de riscos tão diferentes”. Ora, é a economia estúpido, diria Clinton, mas precisamente o padrão produtivo, desenvolvimento econômico e tecnológico, não se resolve por decreto. Mais ainda, a Alemanha usou seu poderio para impor os piores “decretos”, agora apelar para o “idealismo”, é típico dos não materialistas.

 

A segunda de Rajoy foi dizer que o “país não pode gastar mais do que arrecada”, mas que obviedade, pena que ele não sabe que todos os países agiram assim para amenizar a crise, logrando relativo sucesso, mas seu governo de austeridade, apenas piorou em muito a situação. O seu aparente bom mocismo, de boas intenções, vai apenas pavimentar o inferno dos que estão em desespero. De nada adiantou à Espanha tanto sacrifício imposto pelo governo de extrema-direita, apenas mais dores e sofrimentos.

 

Chegamos a conclusão de que políticos como Mario Draghi e Rajoy, são uma verdadeira afronta à inteligência, agora duelam suas mediocridades via imprensa, enquanto o povo da Espanha e da Europa sofrem as terríveis consequências da Crise.

 

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