Crise 2.0: UE – Não há Vagas!

 

Espanha - Foto da AFP - José Lago

Por várias vezes, nesta série sobre a Crise 2.0, tratamos da questão do desemprego no mundo, em particular na Zona do Euro, seu aumento crescente, como parte do duro ajuste, ou melhor, da queima de forças produtivas, provocada pela imensa crise. Os dados estão em escalada crescente e assustadora, mês a mês, eles se tornam piores, indicando que a perspectiva de que a crise seja debelada se torna mais longe, o que se constata é que as condições gerais da economia, na zona do Euro, exceto Alemanha, pioraram significativamente no primeiro trimestre do ano.

 

Segundo a agência Dow Jones( reproduzida no Estadão de hoje, 02/05/2012): “A taxa de desemprego nos 17 países que usam o euro subiu para um recorde em março, quando 169 mil pessoas perderam o emprego. Segundo dados da Eurostat, a taxa de desemprego aumentou para 10,9%, de 10,8% em fevereiro, em linha com as previsões e igual à taxa registrada em abril de 1997, que era a mais alta desde o início da série, em 1995″.

 

E continua as más notícias, com o seguinte quadro: “O número total de pessoas sem trabalho somou 17,365 milhões em março, um aumento de 1,732 milhão em comparação com março do ano passado e o maior número desde 1995.A taxa de desemprego subiu de 23,8% para 24,1% na Espanha e permaneceu em 21,7% na Grécia, embora esse último dado seja de janeiro”. Se olhado os dados gerais de Toda UE, 27 países, o número de desempregados chega a quase 25 milhões de pessoas.

 

Em apenas um ano houve um acréscimo de 12% no número de pessoas que perderam seus empregos, os países que tem os piores índices como Espanha e Grécia, aprofundaram mais ainda o buraco social. A Itália em uma ano seu índice de desemprego passou de 8,1%(março de 2011) para 9,6%(março de 2012) e agora 9,8% em abril/2012, um aumento de 22%, a grande preocupação é que a Itália é a terceira maior Economia da Zona do Euro e mesmo depois de 6 meses de governo tecnocrata imposto pela Troika, houve uma piora acentuada.

 

Os três países( Espanha, Grécia e Itália), mais Portugal e Irlanda, estão sob rigorosa vistoria da Troika, com implementação de Plano de ajustes e, até agora, não há um único índice de melhora, a questão do desemprego é a fratura exposta da crise, as condições sociais pioram há níveis jamais imaginados na rica Europa. Uma situação caótica, que se aprofunda, com os cortes sociais, dos famigerados planos de ajustes, com seu efeito nocivo para economia em geral, que só tem produzido mais desespero para população destes países.

 

Como ressaltamos tantas vezes, quanto pior a situação da Zona do Euro, mais a Alemanha esbanja melhores dados, até na questão do desemprego. Ela se alimenta, literalmente, da desgraça alheia. Aqui há duas explicações essenciais: 1) Alemanha fez um ajuste, malandro, no mercado de trabalho, ainda sob o governo de Schroeder, com sua agenda 2010, com uma ampla flexibilização do trabalho, introdução do mini-emprego, que na prática em muitos países é considerado “desemprego”. 2) A enorme dependência do restante da Zona do Euro à economia da Alemanha, o que lhe permite crescer, mesmo em ambiente de crise.

 

O desemprego geral, na Alemanha, com o ajuste sazonal caiu de 7,2% para 7%, mesmo com o aumento do desemprego maior dos seus pares, e também da queda no crescimento do PIB da Alemanha, nas palavras  de Frank-Juergen Weise, da Agência Federal de Emprego: “A tendência positiva para o mercado de trabalho continua, apesar de a economia ter perdido o dinamismo”. Esta contradição se aprofunda e se torna mais visível e perigosa, pois desperta uma onda de ódio ao domínio alemão. As seguidas recusas de Merkel em afrouxar as regras para que sejam ajudados os países em crise corroboram para aumento deste sentimento.


Ontem, dia do trabalho, foram amplas as manifestações e protestos contra a recessão e desemprego, em todos os países, milhares de pessoas nas ruas de Madri, Barcelona, Paris, Lisboa, Atenas. Enfrentando aparato policiais os manifestantes saíram às ruas como há muito não se via na Europa, dando um aviso de que não vão mais aceitar pacificamente os planos de ajustes, a ajuda que só chega aos bancos e empresários, enquanto os trabalhadores e o povo em geral PAGAM a conta. Ou como dizem os cartazes de Madri: “basta” “suficiente”.

 


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  1. Arnobio, Minha sobrinha e afilhada é engenheira de materiais e mora na Alemanha onde fez mestrado e doutorado. Nos últimos anos do seu curso ela tinha um temor não conseguir um emprego. Hoje passados dois anos da conclusão do curso ela e marido (também engenheiro)gozam uma vida estável em Freiburg onde moram e trabalham. Ela em uma indústria de Solda e ele como consultor em uma empresa. Situação atípica para uma Europa literalmente quebrada.

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