Carpe Diem

“carpe diem quam minimum credula postero” ( Horácio, Odes)

( Colhe o dia presente e sê o menos confiante possível no futuro)


Então vamos lá, atravessando desertos da alma, correndo contra o tempo, mas não sei para onde, mas, correr é importante, dizem que faz bem para saúde. É, olhando por este lado, vamos mais rápido ainda, todas as relações entram no ritmo alucinado da vida e desta pressa que não acaba. De tanto correr, começamos a cobrar que tudo e todos corram mais rápido ainda. Pare, para que tudo isto mesmo? A pergunta é fatal, as respostas as mais vazias, já não somos mais dados a pensar, refletir e responder.

 

Nesta vida ciclomática que estabelecemos, começamos a olhar quantos segundos demora o boot do PC, qual mesmo a velocidade para carregar determinado Software, navegador. O tempo de resposta da memória da máquina, cobramos cada byte por segundo não vindo, que a Banda larga, se torna lenta. Passamos mentalmente a ser escravos do tempo, da demora, lerdeza de cada ação, não apenas dos periféricos, do computador, da impressora, mas até dos dedos que digitam, que precisam agir, responder os impulsos cerebrais. Pare que estamos fazendo conosco? Incrível, é mecânico, mas é real demais.

 

A maioria da população mundial vive em grandes cidades, a velocidade, ou melhor, a mobilidade virou peça chave para vida moderna. Moro em São Paulo, uma das cinco maiores cidades do planeta, raramente os carros passam de 40 km/h, supertrânsito, carregado, os carros cada vez mais modernos, mais velozes, presos à velocidade das antigas carroças, um freio contraditório na nossa URGÊNCIA. A disputa por um carro entre um semáforo e outro, a maldita pressa de “passar” alguém, nos domina, quase todos. Dentro do carro a inércia nos empurra.

 

Nas empresas não existe um prazo para amanhã, sempre são para ontem, ou seja, vivemos atrasados, dias, semanas, meses, um frenesi louco, na maioria das vezes, para chegar a lugar algum. Mas existe a satisfação de dizer, fiz mais rápido, adiantei, busquemos quem não o fez. A ditadura do tempo, do modo de fazer e executar, emburra, obscurece tornar frágil e tenso o convívio humano. As metas feitas com intuito de jogar uma tensão maior, desnecessária, mas vital para que se viva o modus operandi da produção de resultados/Tempo.

 

Quando vamos virar a chave? Contemplar, viver a emoção de cada segundo? Prolongar o simples prazer de tomar um café, sem olhar o relógio (eu aboli o meu tem 20 anos, mas o do celular me dedura), conversar bobagens, ver o tempo de fora, não de dentro. Fazer o tempo correr para nós, não nós para ele, o vazio de que depois descobrimos que não vivemos. Já falei do tema Tempo, mas sempre voltamos-nos para ele.

 

“Fui à floresta viver de livre vontade, para sugar o tutano da vida. Aniquilar tudo o que não era vida. Para, quando morrer, não descobrir que não vivi.” (Henry David Thoreau)

Imagem de Amostra do You Tube

0 thoughts on “Carpe Diem”

  1. Sábia reflexão! A tecnologia é necessária, no entanto se não soubermos utilizá-la em benefício próprio de forma inteligente e sensata, ficaremos reféns dela.

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