Crise 2.0: Filmes

 

Geithner e Bernanke

 

 

Esta série sobre a Crise 2.0, começou meio por acaso, era para ser uns quatro ou cinco artigos sobre Economia Mundial e Crise, uma visão marxista, que foi abandonada pela esquerda em geral, mesmo a esquerda mais programática. Desde junho de 2011, quando iniciei, continuo esperando ansiosamente documentos, elaborações, teses que coloquem no centro das questões o caráter da atual crise. Parece que vou continuar esperando, nem os grupos mais radicais, parece entender as mudanças radicais no atual ajuste.

 

Mas esta série dificilmente teria o fôlego, sem os aportes de vários militantes marxistas dispersos, que incentivam, questionam, comentam e provocam para que vá em frente. Outra questão que foi fundamental foi ter assistido a dois filmes/Documentários sobre a Crise nos EUA: “Grandes demais para quebrar” ( Too Big to Fail) e “Trabalho Interno”(Inside Job), são complementares, incrivelmente bem feitos, um milagre do cinema dos EUA, com uma profundidade que não se vê facilmente. Todos os elementos estão neles.

 

Duas semanas atrás revi “Inside Job”, quando mudava de canal, estava em andamento, mas não deixei de ver o longo documentário, conduzido pela voz de Matt Damom, é de uma precisão absurda, refaz passo a passo, os caminhos desde os anos dourados do dinheiro fácil, as hipotecas que financiavam o consumo, o luxo. A cada novo desejo de consumo, uma nova e maior hipoteca sobrepunha a outra. O mercado de derivativos, sub-prime, criados em cima de uma verdadeira “pirâmide”, as imensas fortunas reais vs as imaginárias.

 

O filme quase ficcional “Grandes demais para quebrar”, por outro lado, traz à tona os bastidores nervosos do dia a dia de Hank Paulson, o poderoso banqueiro do Goldman Sachs, que saí do banco, recebe 500 milhões de dólares, e vai ser Secretário do Tesouro(Ministro das Finanças) de Bush Jr. As cenas e os diálogos são focados na equipe e seus debates, angustias nos terríveis dias que promoveu a maior quebra da economia dos EUA desde 1929. A condução das negociações com os bancos, os cafés da manhã de Paulson e Bernanke, Presidente do FED, são ilustrativos. Apesar de mostrar o lado de Paulson, o filme é grandioso, nos leva ao war room mais tenso desde a crise dos mísseis.

 

As mesmas figuras frequentam os dois filmes, são estrelas do espetáculo mais terrível do capitalismo pós-muro. Praticamente tudo que você precisa conhecer sobre como funciona o atual modelo do capital estão lá. Até a saída de injeção de capital, ou emissão de moedas via FED, é mostrada. Como aqueles homens decidiram brincar de deuses, de mexer com a vida e morte de milhões de cidadãos dos EUA e do mundo, apenas pelo imenso prazer do Capital. Como funciona a ciranda financeira, seus mecanismos perversos, o desprezo pelo homem, pela vida humana é inacreitável.

 

Nos falta um filme atual sobre a crise na Zona do Euro, por mais que critiquemos, pelo menos os EUA tem a preocupação com a memória, podem até continuar, como continuam, seguindo o caminho errado, mas pelo mesno registram o que fizeram de errado, dando uma oportunidade para fazer diferente. Alguns daqueles personagens continuam “estrelando” a economia  dos EUA, como Tim Geithner, um yuppie, mesmo tendo sido desastroso na crise, foi elevado de posto, saiu do FED NY diretamente para Secretário do Tesouro. É como se Chico Lopes, ex-BC, que promoveu a desastrada desvalorização do Real, virasse Ministro da Fazenda.

 

Ben Bernanke continua no FED, com mais poderes, administra uma bomba relógio de títulos de 2,9 Trilhões de Dólares, parece que nada aconteceu. Mudou de Bush Jr para Obama e ele lá permanece, com mais poderes. Demonstrando o verdadeiro desastre, parece, que nada ensinou ao Capital. Até o desejo de regulação, naqueles tensos momentos, foram devidamente esquecidos. Imagino se isto fosse no Brasil, que diriam os indignados seletivos: Estas coisas só acontecem no Brasil, país sem memória, sem lei. Este complexo de vira-latas nos impede de ver além do nosso umbigo.

 

São imperdíveis estes filmes.

 

Imagem de Amostra do You Tube

 

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3 thoughts on “Crise 2.0: Filmes”

  1. Olá, Arnóbio. Gostei da crítica. Para ver a trilogia da visão econômica norte-americana, assista “Margin Call – O dia antes do fim”, a crise de 2008 sob a ótica de uma empresa de investimentos.
    Abraços

  2. Pingback: A Grande Aposta |

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