Por que Bolsonaro ainda tem 30% de apoio?


Tragédia: Bolsonaro e Bolsonarisimo, coerentes com o que pregam, negaram a pandemia e as vacinas.

“Eu fico incrível com isso”, como diz a minha amiga Zeza.

O ainda alto apoio à Bolsonaro é um desafio à inteligência, e precisa ser entendido profundamente, quem são, como vivem esses brasileiros que simplesmente não querem saber quem é Bolsonaro, todas as suas péssimas qualificações, viram o oposto, são vistas como altas qualidades.

Então o problema não é o Bolsonaro, mas a consciência invertida desses 30% de brasileiros que se identificam e tornaram Bolsonaro seu porta-voz. Os autores ou a plateia do riso das piadas machistas, homofóbicas, que desqualificam mulheres, negros, pobres, nordestino, ou que pedem pena de morte, não sentem nenhuma comiseração humana (mesmo comendo hóstia aos domingos, ou louvando ao senhor nos templos), estão ali colados nesse homem horrendo, o pior entre todos.

Bolsonaro sempre foi o que é, isso é uma qualidade, sua prática política, desde os quartéis, o viés golpista das viúvas da Ditadura Civil-Militar, que tecia louvor às torturas, as práticas violentas. Um sujeito que viveu quase 30 anos no congresso, pôs todos os filhos na Política, mas se apresentando (ele e os Zeros) como não políticos, todos ricos e não explicam de onde surgiu esse patrimônio, senão da Política, do toma lá da cá, das rachadinhas e dos negócios nada republicanos.

Esse sujeito e sua família, espécie de párias sociais, acabaram ungidos pela onda neofascista, cega, que explodiu nas jornadas de junho de 2013, mas que vinha de bem antes, esse sentimento violento, de desprezo pela humanidade, se fazia presente nos comentários dos portais, nas piadas de churrasco, nos bares, nos esgotos, saíram de lá e ganharam protagonismo, alimentados por uma máquina de mentiras, cheia de lugares comuns, desinformações, negação da ciência, de coisas óbvias como a terra ser redonda.

O moralismo de ocasião e a bandeira de combate a corrupção foram abraçados por esses personagens menores, que viviam à margem das grandes decisões políticas, no corrupto baixo clero, quase invisíveis, com uma pauta exótica, quase folclórica, da defesa dos valores da Ditadura. De repente, são catapultado do nada, para ocuparem o vazio da oposição de centro e de Direita (democrática (?)) aos governos petistas, extremamente atacados e acuados por uma sórdida campanha midiática, graças à tomada das ruas pela extrema-direita durante as jornadas de junho.

Não é a toa que MBL, Vem pra Rua, depois de namorarem Eduardo Cunha, Moro, Dória, casaram com Bolsonaro, ampliando sua campanha de fakenews e conservadorismo, em nome de Deus, da família e da propriedade privada.

A direita brasileira, com raras exceções, é herdeira fiel do colonialismo, dos senhores de escravos, do militarismo, dos golpes em todas as épocas, para ela a democracia é um mero acidente, se alinham com o imperialismo americano e alimentam um espírito de vira-lata em relação ao Brasil, por conseguinte, Nação e Soberania, não fazem parte de seus vocabulário.

É esse o público que elegeu Bolsonaro como líder e Olavo de Carvalho, como profeta, o baixo nível intelectual espanta, nenhum apego aos valores civilizatórios, o que explica o desprezo pela ciência, que ficou patente no Negacionismo das Vacinas e do combate à pandemia, o coronavírus era uma invenção comunista para que a vacina transforme a consciência das pessoas, seria cômico, mas é trágico.

Bolsonaro e sua família assumiram o controle do Estado, para surpresa deles mesmo, então o desastre era evidente, mesmo que uns abutres e oportunistas do Capital se associaram para melhor tirar proveito da completa incapacidade administrativa desse movimento insano, o bolsonarismo.

Voltamos ao começo, como e por quê se sustentam e se mantém? Levantei algumas questões, creio que é preciso ir mais fundo, pois há um risco concreto de que, mesmo com esse caos, eles se reelejam, Trump perdeu por pouco, por exemplo.

Longo é o caminho a ser percorrido, vencer as eleições é o primeiro grande passo. Depois reconstruir o país, inclusive com valores humanitários elementares.

É isso ou a barbárie tornará irreversível.

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