EDUARDO CUNHA/ENTREVISTA

Duas Táticas do Mesmo Golpe: Eleições (Marina) e Impeachment (Cunha)

“O que foi, torna a ser. O que é, perde existência.
O palpável é nada. O nada assume essência”. (Fausto – Goethe) 

O que verificamos nos últimos dias foi a adição de mais uma tática, a teses de antecipação das eleições gerais, como parte da estratégia de apear Dilma e o PT do governo central do Brasil. Até então, o Impeachment era o carro-chefe do Golpe, mas a incerteza quanto à sua aprovação, além do imenso desgaste do processo ser comandado por Eduardo Cunha, um Réu em vários casos de corrupção, acaba por desmoralizar de vez a ação, mas não esvaziou a trepidante ousadia da asquerosa figura.

O editorial da Folha de SP, provavelmente escrito por Valério Arcary (PSTU) ou por Marina Silva (Madre Tereza do Acre SA), deu o impulso público, pois não havia nenhuma movimentação concreta, exceto por grupos minoritários, PSTU, ou desejos megalomaníacos da líder da Rede, que depois de apoiar vergonhosamente a Direita no segundo turno, agora quer novas eleições, achando que vencerá facilmente.

A Folha de SP abraçou uma tese que certamente vem respaldada numa corrente pesada de interesses no assalto ao Estado, com outro tipo de golpe, aproveitando-se da “confusão” generalizada do momento. Obviamente, parece uma tese simpática, que não namora o golpismo explícito de um Impeachment sem fundamento jurídico, que aponta para a participação popular, sem a ruptura dolorosa de impedir um governo eleito, apenas pelo aspecto político, a pouco mais de um ano de ter sido eleito com 54 milhões de votos.

É preciso ficar atento, pois a antecipação das eleições, também é um duro golpe à democracia, pois os fundamentos frágeis do impeachment são os mesmos usados para que se derrube o governo eleito. A inviabilização administrativa, os seguidos boicotes, a tática do desgaste constante, a produção monumental de notícias negativas, escondendo qualquer uma que seja favorável ao governo, transformando qualquer denúncia num escândalo prolongado, ainda que sem a veracidade comprovada, se ampliou no último ano.

Temos a certeza de que a mídia entrou numa guerra total para destruir o governo, a Presidente Dilma e seu partido, o PT. O que se constata nesse ambiente hostil é que se criou uma onda de ódio jamais visto no país, que as soluções negociadas, trabalhadas politicamente, não devem prosperar, pois o que se exige é o “Tudo ou Nada”. A vontade das urnas, ainda não esfriadas, nenhum dia foi respeitada, quer seja pelo derrotado, Aécio Neves, quer pela mídia, acirrando mais os ânimos e os conflitos diários entre as pessoas.

Entretanto, do nada, é revelada a tática última, quase um ultimato: Renunciem logo, Dilma e Temer. Assim, queimamos uma etapa, poderemos chantagear o futuro eleito.

Cabe notar a sórdida posição de Marina, a opção do Kapital “moderno”, aquela que se faz de coitadinha sempre, na verdade uma personalidade autoritária, carregada de ódio, travestida de Madre Tereza. Aliada e financiada por grandes grupos, com um programa radical de neoliberalismo aviltante. Sobre sua “nova” plataforma, já escrevi aqui ( “Projeto Marina”, O Retorno Neoliberal. e Marina, A Terceira Via do Kapital rumo ao Estado Gotham City? ). A tal Rede (de arrasta) quer surfar a onda, apresentando-se como a saída confiável para o momento.

Essa é uma conjuntura grave demais, cheia de aventureiros e profetas do caos, cabe a nós, os que querem mais democracia, refutarmos as rupturas golpistas, de qualquer espécie, trabalharmos juntos para que o governo Dilma possa efetivamente assumir o segundo mandato, sem as pressões canalhas e covardes, que vem sofrendo diariamente.

Não ao Golpe, de qualquer espécie, Impeachment ou antecipação eleitoral, pelo reforço da democracia e do Estado de Direito.