Cheiro e Sabores dos Livros

ler, ler e ler...
ler, ler e ler…

 

Ontem a noite fui ver as estatísticas do blog, deparei com dois artigos ( Análise de Ilíada/Odisséia – Visão Política e O Prometeu Acorrentado – Resenha e Análise) que sempre são acessados, praticamente todos os dias são visitados, por curiosidade fui procurar saber o por que. Então, pelo mecanismo de busca, percebi que o tema é de alto interesse e estes posts estão no topo de busca do google, o que explica tantos acessos.

 

Estes artigos estão entre os os primeiros que escrevi, nem imaginava, que 4 anos depois ainda despertasse interesse, nem muito menos que este blog chegaria aos quase 800 artigos atuais. Estes escritos, sobre Prometeu e Ilíada, foram rascunhados talvez em 1992/93, como fichamento dos livros, que acabara de ler. Em 2009, quando comecei o blog “digitalizei”. Tinha uma mania, aprendida na escola, de fichar livros, tem uma centena assim, apontamentos que, de vez em quando, resgato algum pra usar no blog.

Vou buscando, lendo os escritos, tentando entender a letra, principalmente os sentidos das anotações, nas páginas dos livros também têm muitas notas e grifos. Hoje, não tenho ideia como se faz nas escolas, se ainda pedem as temidas fichas de leitura, que adorava fazer, décadas depois aquelas fichas dão sustentáculo ao blog, ainda servem de fontes de consulta mais rápida sobre livros, temas, por exemplo, o conceito de Timé e Areté ( Τιμή (timé), a “honorabilidade pessoal” e a αριστείας (areté), a “excelência”), que são as virtudes inatas dos Heróis, encontrei numa marcação que tinha feito na Paideia,por volta de 1995, foi rápido encontrar e ajudou a escrever o post A questão do Herói – Grécia sopra sobre nós.

De repente comecei a viajar sobre leitura, livros e paixões, lembrei que,  meu amor aos livros será sempre incondicional, de tocar neles, velhos surrados e ir  à página que me fez voar e sonhar. Ler bem um livro, ainda é, para mim, riscar muito, anotar,  sujar e viver o seu conteúdo, não pode ser um ato de obrigação, mas de amor e fé. Outro dia comentei num post  (A Importância da Leitura na Formação Intelectual ) dos cheiros que sinto, quando penso num livro, ou das ruas em que lia esperando um ônibus, não raro perdia distraído com a intensa leitura.

O cheiro do Livro Novo é indescritível, como me lembrou o mestre e amigo Carlos Emílio Faraco, aí fui mais longe ao rememorar as minhas mãos suadas de emoção quando juntava meus trocados e comprava um desejado livro ou uma revista na banca de revista. As revistas em quadrinhos, era viciado em Tex, naquela edição antiga, ainda morava no interior do Ceará, as revistas chegavam uma vez por semana, as do Tex uma vez por mês, vinha dois ou três números, ficava esperando o ônibus chegar e acompanhava o desembalar para ver se tinha chegado.

A relação é eterna, não se quebra, pode mudar o meio da leitura, mas os velhos e saborosos livros jamais.

4 thoughts on “Cheiro e Sabores dos Livros”

  1. Sempre quis ter livros. A vontade surgiu quando tinha 13 anos e comecei a frequentar a Biblioteca Pública (talvez até tarde demais). A biblioteca nunca foi lá essas coisas, mas dava para o gasto. Nos poucos anos em que tive o prazer de ir lá duas ou três vezes por semana consegui sentir isso – o cheiro do livro – e nunca mais o esqueci. Os anos passaram e o tempo era pouco. Comecei a comprar livros usados (e uns raros livros novos), mas o cheiro diferente (a tinta forte do novo e o mofo do usado) não importava. Comprei e li uma quantidade razoável deles, mas jamais me atrevi a grifar algum. Parecia violação. É estranho pensar nisso, mas comecei a me desfazer dos livros quando meu filho nasceu e tinha (tem) problemas respiratórios. Não era possível tirar a poeiras de centenas de livros que eu acumulara. Doei (com dor) os primeiros à Biblioteca Municipal onde comecei a ler. Mantive uns poucos, para que minhas filhas não perdessem o hábito. O filho, já crescido, por quem abri mão dos livros frequenta a mesma biblioteca. Acho que ele gosta do cheiro… Vai entender!

  2. Já tive muitos, perdi muitos (3 vezes, para a polícia), doei muitos. Agora, me libertei. Nada se compara ao ebook, nada. Não quero saber de outra coisa. O primeiro ebook que comprei é a prova viva do meu deslumbramento: “O olho de Hertzog”, do português de mãe moçambicana João Paulo Borges Coelho, está repleto de highlights coloridos e comentários.
    Era minha primeira leitura de peso no recém-comprado iPad, e que aventura! A trama se passa na Lourenço Marques –hoje Maputo — da época da guerra, e foi uma maravilha abrir mapas e contextos históricos ao simples toque do dedo numa palavra.
    Entre comprados e baixados, já tenho mais de 50 ebooks, já li 10 e tenho uns 15 iniciados — sim, porque no que baixo o livro não consigo não abrir e começar… Estou quase acabando Vinho & Guerra, outra emocionante história da Segunda Guerra, outra aventura por mapas e contextos…
    Não morro antes de arrastar meus amigos para esta experiência revolucionária!

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